sexta-feira, 19 de abril de 2013

Eduard: Relato de parto

Bom então vamos lá. Meu relato de parto. Antes de tudo, quero deixar claro que vou tentar minimizar os detalhes sórdidos, mas sei que mesmo assim eles vão aparecer, e não quero com esse post amendrontar ninguém. Meu parto não foi fácil, e se vc está grávida ou tem receio do que vai ler, então talvez seja melhor mesmo não ler.

Quando minha mãe veio passar o Natal do ano passado aqui, ela ficava conversando com a minha barriga dizendo que Eduard tinha que nascer quando ela estivesse aqui. Mamãe viria passar um fim de semana (o da Páscoa) aqui e voltaria no meio de Abril, pois estaria em Portugal num evento do seu doutorado. O fim de semana da Páscoa era realmente crítico, eu com 39 semanas, últimos dias de março, sabíamos que Eduard estaria quase chegando. A data prevista era 3 de Abril. Como eu desisti da indução pois a crise nos rins deu uma melhora, cada dia era menos um dia. Mas mamãe foi embora no domingo dia 31 de março ao meio dia. Fui com o Eric no aeroporto deixa-la quase sem conseguir andar mais de tão inchada.

Ao voltar do aeroporto, viemos aqui pra casa eu e Eric, eu deitei no sofá exausta, e Eric perguntou se eu achava que faltava muito pra ele nascer, eu disse que não, achava que estava perto. Então ele foi no wg dele buscar umas roupas novas pra ficar aqui em casa, e eu fiquei aqui. Lá pras 8 da noite, vou ao banheiro e noto um sangue suspeito na minha calcinha. Sangue como assim, ne? Não me pareceu um bom sinal óbvio. Liguei pro hospital e disseram que podia ser normal, que podia ser um sinal que o parto estava perto, mas não dava pra saber, podia ser 1 dia, 2, 3, 5. Então como eu não sentia dor nenhuma, me mandaram esperar e observar se o sangue aumentava ou diminuía. Eu não estava calma. E em menos de meia hora comecei a sentir umas cólicas de leve na barriga um pouco abaixo do umbigo, que eu tambem não sabia se tinha a ver.

Nunca tinha sentido contração na vida e tinha medo de sentir e não saber o que era, apesar da médica sempre ter dito que eu saberia quando tivesse. Mas essas dorezinhas estavam fraquinhas e podia ser gazes, algo que eu comi, sei lá. Não sei porque não achava que era contração. Sei que eu liguei pro Eric perguntando onde ele estava que tava demorando tanto, e ele já no tram vindo pra cá. Em menos de 15 minutos que foi o tempo de ele chegar aqui, essas dores aparentemente inofensivas no início vinham e iam e quando vinham vinham apertando e contraindo tudo que já não era mais tão sem importância assim. Liguei de novo pro hospital e me mandaram ir pra lá pra fazer um controle.

Na minha cabeça ainda faltavam 3 dias pra ele nascer, então fomos pro hospital sem bolsa de maternidade sem nada, só com a roupa do corpo, porque sei lá, no fundo eu achava que era só algo momentâneo.

Chegando lá na sala de consulta da emergência do Gebärabteilung eu me contorcia a cada vez que essa colicazinha vinha. 5 minutos depois, a lágrima escorria de agonia, e os intervalos entre uma cólica e outra diminuíam. Cólicas essas que embora curtas vinham tão intensamente, e eu achava tão estranho porque não costumava ter cólicas menstruais. A Hebamme que me atendeu lá confirmou: eram contrações. Depois do exame disse que eu já estava com 3cm de dilatação.

Eu estava assim conversando normalmente dizendo o que tinha acontecido e tal, daqui a pouco, me contorcia toda, me faltava ar, me dava vontade de chorar, de gritar, e a dor vinha me apertando toda dentro da barriga. 5, 10 segundos depois, ia embora. Loucura loucura. Era tipo já meia noite, a Hebamme então transferiu a gente da sala de emergência pra sala de parto e confirmou: "seu filho vai nascer 1o de Abril". Dei risada... ora, eu passei a gravidez inteira dizendo e fazendo piada que ele só não podia nascer 1o de Abril! Menino já nasceu desobedecendo a mamãe.

Chegando lá na sala, eu já andava me debruçando no Eric de tanta dor. 5cm de dilatação. Quando a contração vinha, eu ia na lua e voltava. Sei lá, não tem como explicar. Mas era uma sensação assim desumana, uma dor fulminante horrorosa que parecia que ia me estraçalhar por dentro. A Hebamme então me diz que minhas contrações estão progredindo muito rápido. Se eu deixasse, ia sentir muita dor, ainda mais intensa do que as que tava sentindo, mas que ele ia nascer logo. Ou eu podia não aguentar, e pedir pra slow down um pouco, tomar uns medicamentos pra dor e ver como o parto procede. Então pedi um tal de um gás chamado happy gas que me disseram que era não sei o que com oxigênio, mas nem me lembro mais. Sei que eu tinha que por a mascarazinha na cara e respirar fundo quando a dor viesse e o gas ia me fazer sentir melhor.

Realmente. Melhorou muito esse gás, só que eu ficava totalmente drogada, ouvia tudo que acontecia mas não conseguia nem abrir os olhos. E o alivio durava pouco porque 2 minutos depois já vinha de novo uma contração lascando tudo e eu tinha que respirar o gas de novo. Fiquei nessa embromação desse gas bem 1h, mas não tinha condições de ficar mais tempo, porque eu tava totalmente out.

A próxima opção era a peridural, a anestesia que ia me fazer não sentir mais as contrações, mas em compensação desacelerar meu parto. Era essa! Bote logo esse negocio pelo amor de Deus que eu vou morrer aqui! eu disse sem nem pensar duas vezes. Eu tava esgotada. 5cm de dilatação sem painkillers, contrações avassaladoras. Jesus! Como doía. Aí pediram pra eu confirmar um milhão de vezes se eu queria mesmo a peridural ou se eu só estava falando da boca pra fora porque tava zoró já.

Confirmei todas as um milhão de vezes. Eu faria qualquer coisa pra sair daquele sufoco ali. Daqui a pouco então chega o anestesista na sala, uma médica, 2 ajudantes, um monte de luz. Tive que trocar de roupa e por aqueleas camisolas feinhas de hospital, sentar na cama com as costas relaxadas, o que era muuito difícil porque eu não conseguia me controlar quando as contrações vinham. E no meio desse sufoco ainda me chega o anestesista explicando como funciona a peridural e não sei o que.... homi! Anestesie logo isso que eu vou me partir no meio aqui! Ainda tive que assinar lá um papel que se fosse uma cilada eu não tava nem aí! Então aplicaram não sei o que no soro que tava na minha veia pra inibir a dor e eu parar de me contorcer e olha, deve ter sido forte, porque eu fiquei mais lelé do que com o gas. Relaxei as costas e o corpo todo. Ouvia o Eric do meu lado perguntando se eu tava consciente, mas eu não me mexia.

Uns minutos depois, tava eu lá olhando o monitor indicando que eu tava tendo uma contração com o pico lá no alto, e eu conversando tranquilamente. UFA! QUE ALIVIO! Achei que nunca mais ia ser eu de novo. A anestesia era assim, voce senteo quadril, as pernas e tal, mas ali na área do quadril fica meio dormente. Colocaram um saco de gelo pra medir até aonde estava anestesiado e quando colocaram no quadril eu não sentia o gelado, só que tinha algo encostando em mim. Isso era umas 3 da manhã. Disseram que as contrações iam diminuir bastante o ritmo agora e eu podia tentar relaxar um pouco enquanto a dilatação progredia.

Eric tentou tirar um cochilo, eu tambem mas a tensão era muita. Trocou o shift e chegou o pessoal da manhã, já era outra Hebamme que estava então de prontidão pra fazer meu parto. Ela e uma ajudante. Chegou 7 e tanta da manhã pra me dizer que eu estava com 8cm de dilatação e estava quase na hora. E eu sem sentir nada, maravilha.

Um vai e vem danado de aplicar e desaplicar coisa na veia pra acelerar e desacelerar as contrações, e lá pras 9 e pouca me dizem que minha bolsa estourou e estou com 10cm de dilatação. A Magali, minha amiga do coração que estava acompanhando tudo por whatsapp, foi bater lá na sala de parto comigo. Era eu, Eric e ela. Até aí eu continuava sem sentir nada, vontade nenhuma de fazer força, nada. Aí a Hebamme disse que quando eu sentisse vontade avisasse que podia ser hora.

Passou 1 hora e nada da vontade de fazer força vir. Me mandaram então ficar na posição squad e ficar mexendo o quadril de um lado pro outro pra ver se a vontade vinha. Nada. Virei e me mandaram fazer força mesmo assim. Nada.

Daqui a pouco chega uma médica, avalia, não sei o que, e me diz: "já faz 2 horas que voce tá com dilatação máxima. Se ele não nascer em 1 hora, vamos ter que fazer uma cesarea.". ..................................... O QUE????????????????????????????? CESAREA?????????? COMO ASSIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM DOUTORA ??????? Até então tava tudo normal pra mim, eu não sabia que ele tinha que nascer logo! Oxe. Cesarea não senhora! Eu tava ali sofrendo naquele aperreio há 14 horas pra no final ir pra uma mesa de cirurgia??????? NÃO, NÃO, NÃO, NÃO E NÃO!!!!!!!!!!!!  Foi aí que eu disse.... "ME DIGA O QUE EU TENHO QUE FAZER PRA ELE NASCER QUE EU FAÇO. FAÇO QUALQUER COISA!!". A Hebamme olhou pra mim e disse que o bebe era muito grande e não estava conseguindo encontrar uma posição e por isso eu não sentia vontade de fazer força. Me mandou então ficar de novo em posição squad e mexendo o quadril de um lado pro outro.

A essa altura, eu chorava.... toda descabelada, Eric me dando água a cada 2 minutos no canudinho, Magali do outro lado rezando o Pai Nosso e eu segurando meu terço de Jerusalem. Me virei e disse "quero fazer força"... era uma vontadezinha assim bem pequena, mas sei la, podia ser isso. Então todo mundo se posicionou, Eric do meu lado, Magali do outro, a Hebamme na minha frente e a ajudante do lado dela, e eu comecei a fazer força pra baixo.... tipo força pra ir no banheiro mesmo fazer número 2....

Eu via a decepção na cara da Hebamme, ela olhava pra baixo e dizia que não tava adiantando, que eu tinha que fazer MUUUUUUUUITO mais força. Foi só entrar a médica na sala de novo, aquela que disse que eu ia ter que fazer uma cesarea, que eu não sei de onde tirei tanta força. Diminuíram a dose da peridural já há algum tempo pra eu sentir mais a vontade de fazer força, mas eu não sei mais se eu sentia dor. A adrenalina era tanta que eu só queria que ele nascesse logo.... Fiz uma força assim descomunal, de outro mundo. Tipo uma força que quando acaba o fôlego voce tem que continuar fazendo força e quase explodindo... foi por aí. Ali eu vi a mudança na feição da Hebamme. Olharam pra mim sem acreditar dizendo "Uau! Voce pode fazer força! É isso mesmo! Mas voce tem que fazer mais!".... e quanto mais eu fazia, mais eu via a admiração no rosto de todo mundo, como se tivesse realmente adiantando ali o esforço que eu tava fazendo. Daí pra frente, o parto não foi nada tranquilo não... foi como nos filmes, a mulher gritando, todo mundo dizendo "PUSH". Foi exatamente assim. E eu que tinha dito que nunca que seria assim escandalosa gritando como via nos filmes. Ora... na hora voce não quer saber de nada não, só quer se livrar da agonia e faz o que tiver que fazer pra acabar logo e bem.

.....até eu sentir sair alguma coisa de mim, e todo mundo fazendo "ohhh"..... eu crente que tinha terminado, tava lá respirando ofegante, Eric nervoso, Magali chorando, e alguem diz "a cabeça saiu, só falta o resto".... oxe, o resto! hahahaha! Eu tava esgotada ali, como ainda ia conseguir fazer força pra sair o resto....... sei não.... sei que num lapso de garra que tive, nem demorou muito e eu fiz ainda mais força, dei um grito de horror...... e ele nasceu...................
4.380kg, 52cm.
Meu Deus do céu, eu nem acreditava, respirava ofegante sem acreditar que "aquilo" tinha saído de mim, e poucos segundos depois, todo mundo ouviu o choro dele.... Eduard estava entre nós. Foi a segunda vez na vida que vi Eric chorar. Ele chorava, beijava minha testa, meu rosto, e eu ainda olhando pra cima sem acreditar que tinha conseguido. Levaram Eduard pra examinar, e..... assim tão rápido.... eu continuava sentindo algo saindo de mim, como uma cachoeira, e ao mesmo tempo vi também a mudança nas feições de todo mundo que tava na sala. A Hebamme apertou lá um botão e em menos de 2 minutos, tinha umas 15 pessoas na sala. De repente Eric não estava mais do meu lado, eu não ouvia mais Eduard chorar, minha vista escurecia e voltava ao normal. Eu não sabia o que tava acontecendo. Alguem pegou minha mão e disse que ia aplicar outra anestesia, outra ficou do meu lado dizendo que estavam cuidando de mim, botaram uma máscara na minha cara e eu perguntei o que tava acontecendo... finalmente disseram que eu estava perdendo muito sangue. É, devia ser o que eu tava sentindo sair de mim. Realmente parecia ser muito.

A partir daí só tenho uns flashes na memória, um médico sentado na minha frente, eu olhava pro lado via a porta abrindo e fechando e gente pra lá e pra cá, ninguem tinha cara de tranquilo, pelo contrário, todo mundo parecia preocupado. Pronto. Pensei... vou morrer. Tirei a máscara e perguntei pro médico "Vou morrer?"..... ninguem me respondia. A mulher que segurava minha cabeça só dizia "estamos cuidando de voce", e me mandava ficar de olho aberto, mas a vontade que eu tinha era de fechar o olho, era muito esforço ficar de olho aberto, mas ora, eu já tinha feito tanto esforço antes, podia fazer mais um e ficar de olho aberto. Tinha a sensação de que se eu fechasse o olho, eu apagava ali mesmo.

Sei que passou um tempo, fui voltando ao normal, o médico que tava na minha frente foi parecendo menos preocupado, se levantou, estendeu a mão, se apresentou como chief medicine ou o médico chefe, e esclareceu por alto o que tinha acontecido. Bom, por alto o que aconteceu foi simplesmente que eu perdi 2.6 litros de sangue, quando o normal num parto é a mulher perder entre 600 e 800ml. Considerando também que a quantidade de sangue que uma pessoa tem no corpo é 5, 6 litros, eu perdi SÓ metade do sangue do meu corpo no parto. Só isso.

A causa? Bebe grande, útero cansado. O que aconteceu foi que as contrações cansaram demais meu útero, e quando Eduard saiu, o útero que deveria começar a diminuir de tamanha imediatamente, ficou lá dilatado, todo aberto, fazendo sangue passar por ele e sair de mim como uma torneirinha aberta. Aqueles médicos ali do Hospital da Universidade de Zurique salvaram minha vida colocando um balão no meu útero pra estancar o sangue que saía, e me deram pontos também na entrada do útero. Se eu tivesse tido meu filho numa casa de parto ou em casa sem assistência médica próxima e rápida, eu teria sangrado até a morte.

Um pouco de drama na minha vida, por favor, porque é pouco o que tenho até agora....

Bom, depois desse sufoco todinho, finalmente abriram a porta e lá vem Eric, Eduard e Magali. Eu tava só o caquinho mas finalmente pude pegar meu filho no colo e ver de perto quem estava me dando pontapés e causando todo esse auê na minha vida.
Gravidez não planejada, inesperada, mudança pra Zurique, enxoval, enjoos, barriga crescendo, inchaço, cortar alcool, cafe, atum, organização de licença maternidade, mudança de planos, dor nos rins, perda de sangue e quase a morte.
Foi fácil? Não!
Valeu a pena? SIMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!
Sim, e não tem muita foto do Eric porque ele não quer muita foto dele aqui no blog, viu. Mas olha, juro a voce que não sei não se eu passaria por isso de novo. A pergunta que mais me tenho feito desde então é "como as pessoas têm mais de um filho, senhor?".... sério. Ok, claro que tem gravidezes muito mais fáceis e descomplicadas que a minha, mas mesmo assim, como fazem as mães pra terem bebes que são grandes como o meu?
Enfim.
Aí, depois que era só festa com meu bebezão no colo, afinal eu não podia me levantar, ainda tive que ficar naquela sala de parto o resto do dia, sendo examinada, em observação etc e tal. E pra falar a verdade eu tava nem aí, tava era feliz de ter podido estar ali com meu filho no colo depois de tudo!
Ao final do dia, passei meio que arrastada de uma cama pra outra, porque tava fraca nas pernas, e me tiraram do Gebärabteilung e me levaram pro quarto. Eu não tirei muita foto daí pra frente porque eu tava amarela horrorosa por causa da perda de sangue. Passei 2 dias com um cateter sem me levantar da cama porque não tinha força nas pernas. Me doía não poder andar com meu filho no colo, não poder acalmar quando ele chorava, e por causa da perda de sangue a produção de leite estava mais lenta que o normal. Talvez tivesse sido menos aperreio ou o pós parto tão aperriado quanto, se eu tivesse feito a danada da cesarea. Mas ne, se tivessem me dito antes que eu ia passar por tudo isso ou que pelo menos seria possível passar por tudo isso, talvez eu tivesse tido a chance de considerar uma cirurgia ao inves do parto normal. Porque eu tive parto normal e ainda fiquei tão debilitada quanto numa cesarea, sem nem conseguir me levantar por 2 dias da cama. Segundo os médicos não, pra eles a cesarea é sempre a última opção, que as dificuldades seriam ainda maiores e eu fiz o melhor que poderia fazer.
Eu tava tomando ferro na veia, injeção de hormônio pra acelerar a produção de sangue no corpo, a perda de sangue foi grande, mas os médicos disseram que leva-se de 4 a 5 semanas pra tudo isso entrar de vez no sistema, então a anemia ia durar sim alguns dias, ou semanas. No terceiro dia lá na maternidade, eu me sentia mais forte, conseguia me levantar, andava apoiada nas coisas e dava passos muito lentos, mas só no quarto dia fui pegar Eduard nos braços enquanto estava em pé. Antes era só sentada. O leite aumentava, ele mamava mas começou a ter que tomar leite em pó. Enfim. Os progressos eram poucos e lentos, as noites e os dias eram longos.
Mas nada como um dia após o outro mesmo. No domingo, uma semana depois de ter começado a sentir as contrações, recebi alta. Quer dizer, eu podia ter continuado lá sob cuidados e olhares médicos, mas eu não aguentava mais aquele quarto, aquele ambiente. Tava louca pra sair dali, ir pra casa, colocar as roupinhas que tinha comprado em Edie, tomar um banho direito. E aí quando me foi dada a mínima chance de me recuperar em casa, eu aceitei.

Claro, to tomando ainda ferro, vitamina disso, remédio praquilo outro, mas nada como estar em casa,
depois de tudo que passamos. Depois de tudo que passamos, eu posso dizer que 1o de Abril de 2013 foi o melhor e o mais feliz dia da minha vida.

O dia a dia aqui em casa mudou obviamente da água pro vinho. Rotina? O que é isso? Engraçado que penso.. como era mesmo a vida antes dele nascer? Observar os pequenos detalhes de cada dia, me impressionar como ele já mudou em quase 3 semanas de vida fora da barriga, pensar que era essa criaturinha que ficava se remexendo dentro da minha barriga... ai, sei não... agora to entendendo essa coisa, esse amor inexplicável que sempre ouvi dizer. Agora eu consigo sei lá avaliar a importância das coisas de outra forma, apareceu um novo critério, uma coisa enorme que eu jamais poderia conhecer até então. Mais um, ou melhor, o maior, senão o melhor atributo da minha vida tá aí. O responsável por mudar radicalmente minha vida, a quem estou me dedicando e vou me dedicar muito mais, minha cria, meu bebe, meu filho, meu Eduard.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Eduard

Senhoras e Senhores, finalmente venho aqui vos apresentar o menininho que chegou há 17 dias e já mudou totalmente a minha vida e minha rotina: Eduard.
A data prevista para eu completar 40 semanas de gravidez era 3 de Abril, e eu passei a gravidez inteira dizendo "só espero que ele não nasça 1o de Abril ne"... aí... adivinhe? ..... já nasceu fazendo brincadeira esse menino! Edie nasceu às 11:53 da manhã de segunda-feira 1o de Abril de 2013 no Hospital da Universidade de Zurique pesando 4.380kg e medindo 52cm. Um bebezãããooo!!!!
Esse post é só pra oficializar mesmo a chegada dele, depois eu venho escrever meu relato de parto, faço questão de escrever detalhadamente (ou nem tanto), porque olha, a vida insiste em me por a provas, e eu insisto em passá-las. O parto não foi tão fácil nem tão simples, mas graças a Deus no final deu tudo certo (ou está dando) e Eduard tá aí, lindo, saudável, mamando, dormindo, fazendo tudo que um recem-nascido tem que fazer. E eu to me recuperando. Mas bem, to bem. Pra provar, aí a foto da gente saindo da maternidade há 10 dias atrás:
E já em casa todo empacotadinho:

quinta-feira, 28 de março de 2013

meu alemão

Esse post é totalmente espontâneo e sem previsão. Sabe, não pensei e pensei antes de sentar aqui e escrever. Apenas resolvi escrever porque estou tão contente hoje. Sim, continuo grávida e dormi péssima essa noite, continuo a espera de Eduard, o tempo tá frio e etc e tal, mas hoje fui visitar uma creche pra quando Eduard estiver maior e eu voltar a trabalhar, e fiz a visita toda, toda a conversa e absolutamente tudo tudinho em Alemão. Não, sério, durou tipo 1 hora e a única vez que me enrolei foi quando esqueci a palavra "angst" (medo) no meio de uma frase lá, mas que foi coisa do momento mesmo quando a palavra te foge, nada demais. No mais, não teve nenhum momento que me senti overshadowed por estar conversando com duas suiças (em Hochdeutsch, claro. dialeto ainda não). Entendi tudo que elas disseram e explicaram lá sobre a creche, me senti tão a vontade, fiz as perguntas que queria fazer, tudo em Alemão, gente, que orgulho de mim! Sei lá ne, eu sei que eu to aqui há quase 4 anos, e que já estudei Alemão antes no Brasil e tal, mas é aquela coisa, Alemão é tão complicado que eu falo, ok, mas sei que sempre cometo um erro aqui e acolá. Todo mundo me entende, mas flawless é difícil. Por mais também que tenha havido dias no trabalho que meu Alemão fluiu super bem, no meio da semana sei lá um dia aí minha cabeça tá cansada e eu falo Inglês porque é mais rápido, enfim. Claro que a prática intensiva no trabalho me ajudou a melhorar muuuuuuuuuuuuuito mas hoje, nossa, não sei. Acho que foi um milestone. Me deu muita confiança. Talvez porque eu esteja já afastada do trabalho há algumas semanas e tenha falado pouco Alemão nos últimos dias, mas não, não acho que foi só isso. Fluiu bem, sabe. Tranquilo, sem tensão, as palavras me vinham facilmente e eu não precisava de muito tempo pra construir uma frase na minha cabeça. Era pensando e falando. Consegui realmente prestar atenção no que estavam me dizendo e não prestando atenção se o Alemão tava correto ou não, ou tentando lembrar o que significava uma palavra quando já estava no final da frase. É provável que tenha cometido sim uma falha na concordância aqui e acolá, mas poxa, olho pra trás e vejo como eu era e como eu estou... estou muito orgulhosa de mim mesma. Sinal que perseverança e paciência têm sua recompensa. E só queria deixar registrado aqui.

terça-feira, 26 de março de 2013

Reta final

Há pouco mais de 2 anos atrás, eu escrevi um post entitulado "Nas últimas", quando tava naquele aperreio de deixar meu antigo emprego no aviso prévio de 3 meses que não acabava nunca. Hoje, como mudou minha vida profissional, meu trabalho, graças a Deus. Mas no lado pessoal, estou novamente nas últimas... pra não escrever outro post com o mesmo título, tá aqui esse na reta final.

Estou falando da gravidez. Completando 39 semanas e com uma história de novela, estou a espera da vontade de Eduard querer vir ao mundo. Falei aqui já antes da crise dos rins que tive no meio da gravidez e durou 2 semanas. Me afastei do trabalho, tive medo e o perigo era não passar e eu não conseguir aguentar o resto da gravidez daquele jeito. A recomendação dos médicos era esperar o ciclo da dor passar que seria por volta disso mesmo 14 dias, e enquanto isso ir me aguentando como pudesse, com remédios fraquinhos, bolsa de agua quente, massagem e descanso. Eu mal conseguia andar, foi um período bem difícil. Mas eu não gosto de só ficar falando de coisa ruim, por isso nem falei muito aqui no blog disso.

Graças a Deus foi passando e eu voltei ao trabalho, fui voltando a rotina devagar e tudo tava indo bem. Até a semana 37 de gravidez, quando a mesmíssima dor voltou agora do outro lado, no outro rim. Meu Deus, eu tinha esquecido como é sofrido. Novamente corri à emergência do hospital e o diagnóstico era o mesmo: rim bloqueado por conta da pressão do útero. Não é pedra no rim, mas a dor é como se fosse. O que fazer desta vez? 37 semanas é full term e Eduard já estava com 49cm, 3.500kg, pulmões prontos e já até poderia nascer.

Me foi dado então como opção esperar como da outra vez ver se o ciclo da dor era o mesmo e ir me aguentando como desse, porque aqui fazem de tudo pro parto ser natural, com o mínimo de interferência possível. Mas se eu tivesse realmente com muuuuita dor, me deram a opção de fazer indução e ter o parto normal antes do esperado, o que eu comecei a considerar porque cada dia era uma tortura.

Se fosse só a dificuldade da gravidez, o barrigãozão, os pés inchados e tudo mais, eu estava determinada a esperar, mas com essa situação do rim, minha nossa, não tava dando não. Então parei de vez o trabalho, e passava os dias tomando o mínimo de remédio possível, porque por mais que os médicos diziam que não tinha problema tomar 4 dafalgan por dia e buscopan, eu não queria; e me aguentando de um lado pro outro, com bolsa de água quente.

A Simona que ia ficar com Juca por um tempo enquanto Eduard nasce e chega em casa, veio de Ticino e passou uns dias aqui me ajudando em coisas que eu não podia fazer, fazendo comida e me ajudando a passar os dias. Mas aí pronto, deu. Fui com o Eric na consulta com a parteira resolvida a marcar a indução porque pra mim não dava mais. 10 dias já dessa situação, eu não aguentava mais não. Mas a parteira botou tanta areia na minha decisão, disse que a indução poderia ser ainda mais sofrida, que poderia durar até 3 dias, que podia não dar certo, que no final podia terminar tendo que optar pela cesarea, que eu era forte, que eu podia aguentar, que o melhor era esperar o bebe vir na hora dele, que meu corpo não tava totalmente pronto.... afff! Assim que saí do hospital só fiz chorar. Agoniadíssima sem saber o que fazer então.

Pra mim a decisão da indução, mesmo que durasse 3 dias, era a melhor opção porque eu nao sabia quanto tempo essa chatice no rim ia durar. E todos os médicos dizem que a situação do rim é somente por causa da gravidez. Fim da gravidez = fim da dor nos rins. Eu só pensava nisso. Mas aí voltei pra casa, Eric me deixou decidir o que eu quisesse e me apoiava na minha decisão mas meio que estava do lado da parteira. Medo ne? Eu tambem tava morrendo de medo, imagina 3 dias de trabalho de parto com contrações artificiais, ocitocina? Sei lá.

Bom, então me mandaram ligar no sábado passado de manhã cedo quando iriam me dizer a que horas eu deveria ir pra começar então a tal indução. Eu tava temerosa mas decidida, afinal não havia perigo pro Eduard, o problema era eu mesmo. Na sexta a tarde, eu tava com muita dor e deitada na cama o Eric pergunta se eu coloquei um pouco da água de Lourdes onde doía e se tinha pedido a nossa senhora de Lourdes pra me ajudar. (Eu trouxe uns vidrinhos com a água santa de Lourdes pra casa, na viagem de 2010). E eu disse que não. Estava com tanta coisa na cabeça e a pressão era tanta, que apesar de ter posto o terço na minha bolsa, tinha até esquecido de pedir ajuda divina.. aí então pus um pouco, rezei e pronto. Beleza. Sexta a noite malas prontas, baterias das cameras carregadas, eu e Eric indo dormir achando que era a última noite que estaríamos ali no quarto sem Eduard. Tenso. Mal consegui dormir...

Aí o que acontece? Sábado de manhã simplesmente o hospital me diz que não tem capacidade pra me receber no momento e que eu deveria esperar. ....esperei, esperei, esperamos, e nada de noticia do hospital. Incrivel ou coincidentemente, durante o dia no sábado, a dor foi melhorando aos poucos. Não vinha mais fulminante quase me partindo no meio como estava vindo há 10 dias, e eu até conseguia respirar direito. Teria sido a água de Lourdes? O ciclo da dor que passou? Ninguem sabe.

Só sei que a noite estava até rindo aqui em casa, e até saímos (a passo de tartaruga) pra ir na pizzaria aqui
na esquina, depois de dias trancafiada em casa, e fui dormir no sábado muuuito melhor do que há muitos dias. Domingo 5:30 da manhã toca meu celular e é o hospital dizendo que eu podia ir pra indução. Tenso nível máximo. E agora? Ir ou não ir?

Conversei com a parteira sobre o que tinha acontecido, que exatamente ontem sábado a dor tinha melhorado e se continuasse daquele jeito eu conseguiria aguentar. Então óbvio que eles sempre achando melhor esperar o parto natural, recomendaram ver como eu passava o domingo e se continuasse assim então, eu não faria indução nenhuma. E assim foi.

Passou o domingo, ainda é bem desconfortável, mas diante agora de 39 semanas de gravidez, o que não é desconfortável ne? Eu poderia aguentar. Então fui e to indo. Desisti da indução, não to tomando mais painkiller nenhum pro rim, ontem ainda tive que por a bolsa de água quente por algum tempo, mas não tem nem comparação de como estava há 1 semana atrás.

Eduard continua aqui dentro no quentinho, bem diferente de como tá aqui fora -2 graus e neve em plena primavera, e eu pacientemente (cof cof cof...) esperando a hora de ele querer vir ao mundo por ele próprio que pode ser a qualquer momento. Cada dia é menos um dia. Minha barriga tá quase explodindo. Passo o dia passando o tempo. Assinei a Globo Internacional e assisto todas as novelas, Eric até já está aprendendo umas palavrinhas em português hahaha... fazemos jams ele no violão e eu cantando, conversando muito, assistindo filmes, séries, e tentando controlar a ansiedade que aumenta a cada dia.

Ligações e mensagens de "e aí, ja nasceu?" estão constantes. Minha mãe está em Portugal num evento e conseguiu um break e vem passar o fim de semana aqui apenas, mas volta depois no meio de abril quando eu espero já estar com Eduard nos braços. Será que ele tá esperando a presença da avó? Vamos ver. Eu continuo por aqui esperando o tempo dele, agradecendo que o rim me deu uma trégua, que a indução não foi preciso e rezando pra que dê tudo certo. Reta final.

domingo, 17 de março de 2013

P.D.F. - Morar na Suiça

P.D.F. - Perguntas e Dúvidas Frequentes. Uma seção e uma tag que criei nesse blog exatamente pra ir falando de coisas que terminam sendo dúvidas comuns de muita gente. Então escrevo e já respondo todo mundo de uma vez. Problema foi que eu não atualizei essa seção há muito tempo. Apesar de ter escrito sim posts recentes esclarecedores que com certeza são dúvidas comuns de várias pessoas (como o da Licença maternidade na Suiça, o do Imposto na Suiça, Dirigindo ou o do Como se mudar dentro da Suiça, que estão também marcados na tag "Informações úteis"), o PDF ficou deixado de lado.

Então estou aqui oficialmente ressucitando essa seção e prometo atualizar a página com os textos já escritos lá, facilitando a navegação de quem vem aqui procurar informações sobre alguma coisa. Se já tiver sido escrito, pow! Vai tá lá. Se não, manda um email com a sua dúvida. Beleza?

Porque continuo recebendo muitos emails com dúvidas e até de coisas que já estão no blog, então pode ser preguiça de procurar só ou dificuldade mesmo. Então querendo ou não, como o blog tornou-se fonte de informação e esclarecimento pra muita gente que tá buscando informações sobre a Suiça, isso e aquilo sobre a Suiça, aspectos até já comentados em um post ou outro mas divagando, resolvi juntar a oportunidade de reviver a seção PDF e sumarizar as informações sobre a moradia na Suiça, que é o assunto mais questionado a mim por email dos leitores.

Não que eu vá saber responder tudo agora. Aliás, tirei o atraso e respondi vários emails ultimamente. Mas vou juntar aqui o que sei, o que já escrevi e poder ser útil na empreitada de alguém.

Então vamos lá!

1- Chegar na Suiça
Brasileiro pode entrar aqui sem visto, só mostrando o passaporte, e entra como turista, podendo permanecer assim até 3 meses. Às vezes na polícia do aeroporto pergunta-se onde vai ficar, com que dinheiro vai se sustentar, então é bom saber a resposta e o propósito legal da sua viagem.

2- Chegar pra morar na Suiça
Bom, eu cheguei pra morar aqui por causa do meu trabalho. Os primeiros posts desse blog em 2009 relatam as aventuras da entrevista e como tudo começou, sem saber no que ia dar. Graças a Deus deu certo, terminei meu Mestrado e vim pra cá de mala e cuia. Porque eu tinha uma permissão de trabalho (mais sobre permissões de residência aqui), eu pude abrir conta no banco, alugar apartamento e coisas do tipo. Não acho que como turista ou sem comprovação de renda ou residência aqui a pessoa possa fazer isso, como já me foi perguntado. Passaporte europeu ajuda na hora de conseguir um emprego, mas é também turista e apesar do acordo de livre trânsito entre países da União Europeia, voce não pode permanecer na Suiça sem uma razão. Um parente, um marido, um emprego. No meu caso foi o emprego. Escrevi um post sobre arrumar emprego na Europa aqui. Também como disse, não trouxe móveis do Brasil, então não utilizei empresas de mudanças internacionais. Trouxe malas e caixas que vieram no avião ou pelo correio, então tambem não posso falar muito sobre isso, apesar de saber que existem várias empresas que fazem isso. Claro, não é barato.

3- Onde ficar
Existem apartamentos tipo quarto e sala que se aluga por 1 mês para quem vem de passagem por pouco tempo. Pra isso não precisa de comprovação de nada. Eu quando cheguei tinha um apê pronto esperando por mim que aluguei pela internet quando ainda estava no Brasil pela www.plan-it.ch. Mas tava certo que eu só ia passar 1 mês lá e depois disso eu sairia. Pra onde eu iria? Pra um apt maior, fixo, e pra isso precisava de um contrato de aluguel, que implicava em ter um contrato de trabalho, um contracheque e uma permissão de residência aqui. Tudo isso consegui através do meu trabalho e pude alugar um apê bacana. Conseguir um apt não é simples, e dependendo da cidade onde estiver, é uma tarefa suada. Mais detalhes nesse post.

4- Locomoção
De carro ou de trem, já escrevi aqui no blog, mas admito que ainda é uma visão bem turística da coisa. Não escrevi nada ainda sobre trams e ônibus que são os transportes mais usados nas cidades. Pelo menos pra mim, que não tenho carro.

5- Idioma
A Suiça tem 4 idiomas. Escrevi um post sobre isso, veja aqui. Sim, a maioria das pessoas fala Inglês. Se sua viagem é a turismo, Inglês é o bastante. Pra morar, eu já sugiro ir o mínimo familiarizado com o idioma do local possível, seja Frânces, Alemão ou Italiano. Em algumas cidades menores, nem todo mundo fala Inglês ou nem todo mundo quer falar.

6- Trabalho
Eu digo e repito: não posso falar muito sobre empregos que não sejam na minha área, que é Informática. E sobre isso, já escrevi vários posts sobre meu trabalho, stress no trabalho, enfim. Mas sempre com minha área de fundo. Eu não posso opinar se você é advogado, arquiteto, piloto, porque eu desconheço as áreas e os requisitos pra trabalhar nessas áreas por aqui. Chegar e trabalhar de subemprego até achar algo na sua área eu não recomendo. Até porque é muito difícil alguem contratar voce se voce não tiver uma permissão de residência, mesmo para subempregos. E a permissão de residência não se consegue se não tiver um emprego (ou família), então é um deadlock. A Suiça é bem fechada nesse aspecto e as pessoas fazem tudo muito clara e legalmente. Conseguir um emprego aqui, sendo brasileiro, não é fácil. Em primeiro lugar, voce precisa ser muito bem qualificado, pois há uma lei que diz que se há uma vaga de emprego na Suiça, ela tem que ser preenchida por um suiço. Se não há no momento (ou no tempo que a empresa deixou a vaga aberta a procura) alguém qualificado o suficiente pra preencher aquela vaga, a vaga é "aberta" e considerada para pessoas de outros países da União Europeia (prioridade 2). Se ainda assim, a vaga não conseguir ser preenchida e a empresa precisar urgentemente de alguem, a vaga é finalmente aberta mais extensivamente e pessoas de fora da União Europeia são consideradas. Aí é que nós brasileiros entramos. Claro que ainda temos que competir com pessoas de países que não são da UE mas bem desenvolvidos como Australia, EUA.

7- Impressões dos brasileiros
Há muitos MUITOS brasileiros ilegais aqui, ou com subempregos. Como eles estão aqui eu não sei. Casamento, família, sei lá. Sei que tem muito. E então a grande impressão que os suiços ou os europeus têm dos brasileiros é que não somos muito de ser levados a sério. A imagem de futebol e samba sempre prevalece e até voce ser vista como uma pessoa direita e tá aqui pra trabalhar e ter uma vida direita, leva tempo.

8- Custo de vida
Eu ainda estou para escrever um post só sobre isso. A realidade é que o custo de vida na Suiça é sim um dos mais caros do mundo. Sim, eletrônicos, maquiagem essas coisas custam barato. Mas carne, supermercado, transporte e serviços em geral custam uma fortuna. Aí a pessoa vê a gente morando aqui e acha que a gente é rico? Não! O que acontece é que quem trabalha aqui consegue ter um salário decente e suficiente pra pagar todas as suas contas. Qualquer emprego que exija nível superior te dá um salário confortável que voce não tem do que reclamar. Dá pra pagar as contas, o aluguel, morar bem, viajar e ainda se dar a alguns luxos de vez em quando. E claro, bancar o custo de vida altíssimo e os impostos que não são poucos. Pra quem ver do Brasil acha quase tudo muito caro. A moeda daqui - o franco suiço - tem estado muito em alta ultimamente e atualmente é mais que o dobro do valor do real.

9- Qualidade de vida
Aí sim, a primeira impressão é a que fica. Ruas limpas e seguras. Pessoas educadas. Respeito no trabalho e nas ruas. Eu fico doente quando vejo gente aqui tentando se aproveitar do "sistema" que funciona tão bem aqui. Do tipo ninguém pediu o bilhete no trem, então vou pedir meu dinheiro de volta dizendo que não usei. Pô! Foi exatamente disso que eu fugi no Brasil. Não aguentava a malandragem e as espertezas que via por lá. E num sistema onde já é tudo bloqueado. Aqui que é tudo livre e aberto e simples como deve ser, é exatamente o que eu queria. Transporte chega no horário, consigo me programar milimetradamente pra chegar num lugar e ser pontual. Não sou desrespeitada em serviços, se contrato um serviço, sei que ele vai ser feito e bem feito, cobrado, eu pago, tudo como deve ser. Não tem telemarketing desligando o telefone na minha cara como se a ligação tivesse caído, não me estresso com coisas que deveriam ser simples, e meus direitos não são violados, apesar de que de vez em quando é preciso um pouquinho de paciência em algumas situações, mas nada que chegue perto da palhaçada que é no Brasil. Aqui, o primeiro ponto que me mantem firme e forte na minha decisão de ter me mudado pra cá é esse: qualidade de vida. Faz muuuuuita diferença no meu dia a dia. Escrevi um post sobre as segundas impressões de morar aqui, dá uma olhada.

10 - Se acostumando
Claro, quando cheguei não sabia nem comprar o bilhete do tram pra ir pro trabalho. Já fiz muita pergunta óbvia (óbvia hoje ne), muita mímica e paguei vários micos nesses meus quase 4 anos de terra dos alpes. Mas com o tempo, a gente vai se acostumando e aprendendo as coisas. A aprender sobre a reciclagem de garrafas e papeis, aos picos de frio desgraçado do inverno e até o que fazer em caso de acidente nuclear perto de onde voce mora. Tudo vem com o tempo. Não adianta querer chegar aqui já matriculada na academia, sem nem saber como funciona o contrato do estabelecimento que por sinal é totalmente diferente do sistema no Brasil. Enfim. Coisas e peculiaridades que não dá pra mencionar só num post ou numa frase. Só morando aqui mesmo pra ir pegando os "truques", como se diz em Francês. Ou lendo esse blog onde falo tanto do dia a dia por aqui.

11- Outros
Algumas revistas e sites me ajudaram na adaptação da vida aqui. Vale a pena dar uma fuçada:
http://www.helloswitzerland.ch/
http://www.swissnews.ch/
http://www.swissinfo.ch/
http://www.englishforum.ch/
http://www.thelocal.ch/
http://www.consuladobrasil.ch/
http://blogdocebrac.blogspot.ch/

E aqui um folder em Português do próprio governo esclarecendo algumas dúvidas para os emigrantes.

Esse blog também tem uma seção só sobre a Suiça, onde os posts relacionados sobre as cidades, cultura e etc. são todos colocados lá juntos pra facilitar quem estiver buscando informação só sobre o país e a vida aqui. Fondue, história da Suiça, costumes, e até posts sobre a neve, eu já escrevi de tudo um pouco por aqui. Além de um pouco do meu dia a dia e minha vida por aqui.

Ainda faltou alguma coisa? Primeiro de tudo: use o bom senso. Se ainda assim voce acha que posso te ajudar e responder sua pergunta, manda aí um email pra liana@elaeamericana.net.

Conselhos amorosos, roteiros de turismo personalizado e coisas do tipo, eu nem respondo hein. Dicas de lugares viajando pela Suiça se eu puder eu ainda ajudo, mas de novo: bom senso. E se a Suiça for seu próximo destino seja pra viajar ou pra morar: Herzlich Willkommen!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Licença maternidade na Suiça

Agora que estou diminuindo ou parando de vez o ritmo de trabalho, em plenas altas 37 semanas de gravidez, acho que já posso falar de como funciona a licença maternidade por aqui. Bom, já posso agora porque agora já sei como é, mas demorou um pouco pra entender tudo. No começo cada um falava uma coisa, e aí percebi que quem dizia alguma coisa as vezes nem tinha filhos então era o melhor me informar com quem realmente pudesse me dar as informações mais certas.

A lei suiça diz que a licença maternidade paga deve durar 16 semanas. Só. Aí tem uns negócios de quem trabalha com trabalho pesado que tem que se afastar antes e etc e tal, mas em suma, é isso. Só que o que acontece é que algumas empresas jogam em cima dessa lei e fazem suas próprias regras.

Em algumas empresas voce é obrigada a parar de trabalhar 6 semanas antes da data esperada pro nascimento, pois a partir da semana 34 a grávida já fica bem debilitada, com pés inchados, dificuldade de dormir que vai influenciar a produtividade no trabalho e etc e tal, o que eu acho um absurdo, pois se vc tem que começar as míseras 16 semanas que já são pouco tempo pra passar com seu filho, 6 semanas antes de ele chegar ao mundo, significa que vc só vai ter 10 semanas com seu recem nascido, e o que são 10 semanas? Nada, ne. Aí se esse for o caso da empresa onde vc trabalha, e vc quiser continuar a trabalhar depois da 34a. semana, vc tem que entrar com um atestado do seu médico dando o OK que vc pode realmente continuar a trabalhar 100%. Atestado médico a essa altura já entra como licença maternidade.

Graças a Deussssss a minha empresa não é desse tipo. Mais graças a Deus ainda é que no meu antigo emprego (lembra? aquele que eu penei pra sair?), lá era assim. Ou seja, se eu tivesse continuado lá....

E convenhamos, um atestado dizendo que voce pode trabalhar? Onde já se viu isso? Acho uma falta de respeito com a gestante e muito aproveitador da parte da empresa fazer isso. Mas enfim. Deixando minha opinião pessoal de lado, nem toda empresa é assim.

Em outras, vc tem direito a continuar trabalhando se quiser e começar a licença a partir do dia que seu filho nascer, o que é lógico. E aí o que acontece muito é ir diminuindo aos poucos o ritmo de trabalho de acordo com o passar das semanas e suas condições.

Eu trabalhei 100% até a semana 35. Não tava fácil, mas ainda dava, mesmo com os pés inchados e as 300 idas ao banheiro por dia, eu ainda preferia continuar trabalhando do que ficar ansiosa em casa vendo cada hora do dia passar. Isso além do frio ne, em plenissimo inverno e com menos roupa cabendo a cada dia. Só que na consulta das 35 semanas, a própria médica disse pra slow down porque trabalho em bureau sentada não é a melhor coisa pra minha barriga nem pras minhas costas nem pro bebe se posicionar, enfim. Além do que, nesse final da gravidez a gente anda tão devagar, a respiração é tão cansada e o incômodo e o cansaço natural é tão visível no nosso rosto, que na minha opinião fica até incômodo pros colegas tambem. Não sei se é porque trabalho na informática que é uma área dominada por homens - no meu andar só tem 3 mulheres (eu e mais 2) e uns 40 homens - que fica aquela coisa meio awkward de não ter muito jeito com o assunto ou não saber o que comentar ou como se comportar com o estado da grávida, porque eu já passei por várias situações que fica aquela coisa eu e o cara esperando o elevador, ele olhando pra minha barriga, olhando pra mim, sem saber o que dizer... na reunião, to falando lá meio sem ar, e fica todo mundo com cara de preocupado sem saber o que fazer. Além das perguntas diárias "vc trabalha até quando?", "já não está na hora de parar?"... Claro que também não é muito confortável pra eles. Então desde a semana 35 diminuí o trabalho com a licença médica, fui passando minhas responsabilidades e meus projetos pros colegas e agora tenho mais tempo livre pra por o sono em dia, porque faz tempo que as noites são muito interrompidas por falta de posição, idas ao banheiro, etc. E minha licença maternidade continua intacta e só começará a contar do dia que Eduard nascer.

Na licença maternidade aqui voce recebe 80% do seu salário. Mas existe ainda a possibilidade de extender sua licença além das 16 semanas, mas sem ser paga. Voce continua empregada, com sua vaga "garantida" na sua empresa quando voltar, mas depois de 16 semanas até o dia que voce voltar, seu salário é suspenso. Não existe uma regra de quanto tempo voce pode tirar licença não paga, normalmente varia de empresa pra empresa. Na que eu trabalho, o máximo é de 1 ano. Mas aí tem outras implicações quando vc faz isso, pois o tempo que vc não trabalha vc tem ainda vínculo com a empresa, mas não conta como tempo para férias por exemplo, não tem contribuiçao de previdência, vc não está coberto por acidentes, e uma série de coisas que vc tem que se ligar. Além de ter que ter uma economia boa pra esse tempo sem entrar dinheiro.

Já a licença paternidade é uma piada: 1 dia. Ponto. Sem comentários.

A Suiça não é um país que incentiva muito a mãe que trabalha, e essa lei de licença maternidade é uma prova clara disso. Aqui várias mulheres deixam totalmente de trabalhar depois que seus filhos nascem. Questão de creche e flexibilidade não é tão simples assim. Por essas e outras que além de deixar de trabalhar totalmente, normalmente têm filhos bem mais velhas do que no Brasil, por exemplo.

Mas isso é assunto pra ser discutido em outro post.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Chá de bebê do Eduard

Já volto assim, com novidades e post fresquinho. O blog precisou ficar fechado por um tempo, mas já estou de volta continuando a registrar os principais momentos da minha vida aqui na Suiça, que sempre foi o propósito deste espaço, desde 2009. Sem dúvida isso aqui mudou demais desde que fiquei grávida, pois ele é o reflexo da minha vida. Minha vida também mudou muito. E ainda vai mudar mais. Mas e então? E então que na continuidade da minha gravidez, pensei e repensei em fazer ou não um chá de bebê.
Sim, porque pra começar aqui na Suiça quase ninguém sabe o que é, as suiças não fazem. Em geral aqui na Europa pouquíssimas pessoas conhecem ou fazem coisa do tipo. Aliás, divulgar o nome antes do nascimento já é algo ohhhh!!! E também eu morando em Zurique, teria que chamar minhas amigas que atualmente estão espalhadas por aí. Encontrar um dia que coubesse a todas virem até Zurique não seria tão fácil. Mas bem, é meu filho, meu primeiro filho, estou tão feliz com a sua chegada que não podia deixar passar em branco essa oportunidade de comemorar sua existência. E tambem depois deixo passar e ia me arrepender, porque esse momento não volta, ne. Então quer saber, resolvi fazer o tal chá.
Entendo nada de chá! Chá de bebe? Chá de fraldas? Uma festinha a tarde? O que fazer, afinal? A começar pelo nome do meu bebezinho que eu queria que estivesse escrito no convite. Sim, queria, a festinha é honrando a chegada dele, não podia ser tão egoísta de guardar esse segredo só pra mim. E por que segredo? Aqui na Suiça as mulheres não costumam dizer o nome antes do nascimento, e aparentemente é uma tradição meio que sem razão... apenas pra não ouvir comentários sobre sua escolha que a fizesse repensar depois? Achei muito sem cabimento. No meu caso, há meses que não há outro nome que eu simpatizasse além de Eduard. Eduardo não! Edward também não! É Eduard, pra caber tanto aqui na Suiça quanto no Brasil.
E pode comentar sobre o nome, não me importo. Muitos me perguntaram se era por causa do filme Twilight: não, não é. Não é EdWard, afterall. Outros acharam old fashioned, mas na maioria os comentários foram muito positivos: nome de príncipe, nome de rei, nome cool, meu chefe até já o chama de "Eddie". Enfim, eu acho o nome lindo e não poderia ser outro. Então, chá de Eduard estava a caminho.
Bom, como já tinha muita coisa do enxoval, inclusive roupinhas e móveis básicos, resolvi fazer chá de fraldas  mesmo pra receber então as fraldas que nunca serão demais. Depois, encontrar uma data que coubesse a maioria. E por esse motivo, esse chá foi marcado com 1 mês de antecedência! O que me deu tempo suficiente pra pensar no que fazer, como fazer, etc etc etc.
No início parecia tão longe, e quando teve a consulta de 30 semanas que fiquei sabendo que Eduard já estava com 42cm, comecei a pensar se realmente daria tempo de chegar até o chá quando eu estaria com 34 semanas! Minha barriga crescia (cresce) tanto a cada semana que fiquei meio preocupada.
Maaasss, como tudo na vida, no final dá tudo certo, e deu tempo SIM! Preparei tudo tudinho com o maior carinho. A começar pelo design dos convites, as ideias do que realmente fazer num chá de fraldas, a encomenda do bolo que ficou mais lindo do que foi planejado, as lembrancinhas, os balões, a brincadeira, os quitutes. Nossa, pensando bem, deu um trabalhão, mas ficou tudo tão lindo, mas tão lindo que eu faria tudo de novo.
NUNCA fui de organizar festas de criança nem nada disso, mas sei lá, agora pra comemorar a chegada do meu bebe é diferente. A inspiração vem não sei de onde. Fiz brigadeiro e docinhos de baunilha pela primeira vez na vida e tava tããããao gostoso! Só muito amor mesmo. E as delicinhas salgadas pra deixar o chá ainda mais saboroso iam de coxinhas, pão de queijo a salgados da Simona, tava tudo muito gostoso!
A brincadeira nada mais era que as "tias" de Eduard escreverem no papelzinho seus desejos para o futuro dele, completando frases como: "Espero que voce nunca tenha medo de......", "Espero que voce aprenda a.........", "Espero que voce ria muito de......", e por aí vai. Só que pra enfeitar ainda mais, elas não assinavam os cartões e eu tinha que adivinhar de quem era cada cartão.
Facilitou quando as brasileiras presentes escreveram em Português, ou quando a chinesa desejou que Eduard "aprendesse chinês", mas a cada erro, eu tinha que deixar minha barriga ser desenhada. O que no final, eu achei muito fofo e legal.
Tambem contar com a ajuda de duas grandes amigas queridas na arrumação do chá aqui durante o dia inteiro e ainda depois do chá e no dia seguinte foi maravilhoso. Me diverti tanto e mesmo ao final do dia com meus pés mais inchados do que o normal por ter ficado tanto tempo em pé e ter feito tanta coisa, estava muito feliz de ter dado tempo de fazer o chá e de ter sido um sucesso, melhor do que eu esperei.
E além de fraldas, Eduard ainda ganhou alguns presentinhos, olha que mimo! E foi muito engraçado a hora de cortar finalmente o bolo tão lindo! Me deu uma pena tão grande porque nossa, eu amei demais esse bolo, deu vontade de emoldurar, deixar assim pra sempre como lembrança. Como tava lindo, cade detalhe, cada cubo com a letrinha do nome dele, que lindeza, melhor do que a encomenda. Daí na hora de cortar... cade a coragem de destruir essa obra de arte??
Oh dó! Mas o que consola é que além de lindo, o bolo tava uma delííícia recheado de morango com baunilha, assim como tudo na festinha. E esses cupcakes da Maga? Tudo feito com muito carinho acho que deixou ainda mais gostoso. Literalmente! Foi uma tarde muitíssimo agradável, tenho certeza que Eduard tambem se sentiu bem e querido com tanta energia boa e positiva em direção a ele e a mim. E alem de tudo, o reforço nos pacotes de fraldas foi grande!!!

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