preconceito alheio ~ Ela é americana... da América do Sul

preconceito alheio

Olha, eu sou muito ingênua. Tá doendo admitir mas eu sou. Estou aqui aos prantos por algo que nada tem a ver comigo e eu não consigo me segurar.

Escrevi no twitter quando estava indo sábado ao aeroporto buscar a indiana do meu time. É, lembra a indiana do meu trabalho que eu falei, que cuidei de todo o processo, aprovação e burocracia da vinda dela pra cá por 3 semanas? Então, era a primeira vez que ela botava o pé fora da Índia. Imagina. Procedimento da empresa? Se tiver alguém disponível, busca no aeroporto, senão a pessoa se vira sozinha. Eu moro em Berna, que é a 1 hora de trem de Zurique, e o hotel que tava reservado pra ela também é em Berna, então ela teria que vir de Zurique pra Berna. Assim... just like that.

Eu gosto muito do meu supervisor, mas a recomendação dele de "escreve um email explicando como compra bilhete na máquina que ela se vira" eu não aceitei. Po, a pessoa sair da Índia pela primeira vez! Índia! Não é Alemanha, Espanha, Noruega, não, que os sistemas são todos mais ou menos iguais, é Índia! Imagina o choque da pessoa chegar num aeroporto do tamanho do de Zurique sem nunca ter visto nada parecido, com um sotaque de inglês super pesado, enfim. Eu me ofereci pra ir buscá-la no aeroporto. Ela me agradeceu imenso.

No trem, vinha deslumbrada dizendo que a Suíça era linda e parecia o paraíso. Segunda-feira era feriado e eu não tinha absolutamente nada pra fazer o fim de semana inteiro. Chamei ela pra ir dar uma volta na cidade no domingo pra mostrar um pouco da cidade e tal. Tudo bem que aí já entra meu espírito viajante, mas whatever. Dei uma de guia de turismo e achei ótimo. Ela também. Nossa, ela não parava de sorrir. Eu fiz isso porque se fosse comigo, eu gostaria que fizessem o mesmo. E como quase todo mundo do meu trabalho ou mora em Zurique ou na Alemanha, só restava eu mesmo.

Na segunda ela me adicionou no Facebook e as fotos do domingo já estavam lá. Segunda foi feriado e eu expliquei que era aniversário da fundação da Suiça, que ia ter fogos pela cidade e ela muito interessada em ver como seria, terminei sugerindo de ir pro Rosengarten porque de lá se tem uma vista linda da cidade e poderia ver os fogos de vários lugares. Vixe, ela adorou, queria tirar fotos de todos os fogos, achou tudo lindo, tava muito feliz a bichinha. E eu mais ainda de ter proporcionado a felicidade dela. Senão ela teria ficado no quarto do hotel sem nem saber como funciona o tram.

Durante o tempo que passei com ela, conversamos bastante, aprendi várias coisas da cultura indiana e falamos de trabalho. Ela contando que estava super ansiosa pra conhecer algumas pessoas que só conhecia por email, que queria conhecer Zurique, etc etc e tal. Beleza.

Na terça trabalhamos em Berna e foi muito legal. Eu adoro trabalhar em Berna e ela também gostou do ambiente e das pessoas. Hoje, quarta-feira, fomos pra Zurique na hora do almoço pois tínhamos todos uma reunião do projeto às 17:30. Chegando lá, claro, fui levá-la pra conhecer o prédio, apresentar a outras pessoas que ela não conhecia ou não conhecia pessoalmente, e achei meio esquisito quando ninguém deu muita atenção a ela, não perguntou o que ela tava achando da Suíça, ou se tinha feito boa viagem, po, a primeira viagem da pessoa!!! Mas sei la ne, de repente tava todo mundo ocupado, o que é normal. 2 ou 3 pessoas só levantaram pra apertar a mão dela. Todos alemães.

Na reunião, fomos lá pra sala de reunião e teria umas 20 pessoas na sala. A grande maioria alemã. As reuniões normalmente são em Alemão mas como ela tava lá hoje, fizeram em Inglês. No começo, ela super empolgada, se apresentou, e cada um falou o nome e que projeto estava trabalhando no momento. E a reunião continuou. Cada um falou, discutiu e tudo mais, como de costume. E ela lá só ouvindo.

19h fim da reunião, todo mundo agradece, se despede, se levanta e imediatamente mudam o idioma pra Alemão, e eu que entendia tudo, entendi que estavam combinando de ir jantar em algum lugar. E eu a a indiana arrumando nossas coisas pra ir embora e pegar o trem de volta pra Berna. Já do lado de fora no corredor, ela chamou nosso supervisor e ele todo apressado puxando mala dizendo que tava atrasado que ia pegar o trem pra ir pra Munique nem entendeu direito o que ela queria falar com ele. Ninguém veio falar com ela depois da reunião. Ninguém veio perguntar o que ela tinha achado da reunião, dos projetos. Ninguém veio perguntar como tava o trabalho dela e o que ela veio fazer aqui. Ninguém a chamou pra ir jantar. Ninguém ligou e ninguém deu a mínima, cara...................... olha, é porque mesmo sensível desse jeito, eu já passei por muita coisa na vida e às vezes arrumo jogo de cintura não sei aonde pra revirar a situação do momento. Vi que ela tava lá assistindo a movimentação toda isolada e a chamei, perguntei se ela tava afim de ir jantar com o pessoal, se tava cansada. Mas eu vi nos olhos dela que ela estava sentindo a exclusão. A começar pelo idioma, a pobre não tava entendendo nada. E pra algumas coisas nem precisa de palavras.

Eu tive vergonha alheia. Senti um desprezo por aquele monte de alemão idiota falando esse Alemão Clássico horroroso e fazendo piada sem graça. Se tivesse um buraco ali eu me enfiava ou me tele transportava no tempo e no espaço só pra não continuar vendo ali aquela cena. Mas a vida é cruel e a gente tem que viver cada momento. A indiana disse que estava cansada e queria ir pro hotel em Berna. Mas era visível no rosto dela a morgação, a diferença do brilho no olhar dela no início da reunião quando ela de pé se apresentou pra todo mundo com um sorriso no rosto, e ao final da reunião com todo mundo falando Alemão e se lixando pra ela.

Gente!!! As pessoas no Facebook dela fazendo comentários nas fotos que ela postou daqui com comentários tipo "lindas fotos, voce é uma sortuda!".... SORTUDA NAOOOO!!!!! gente!!!!! sortuda?!?!?! Ela tá aqui mas ninguém tá nem aí pra 'sorte' dela, ninguém deu a mínima, e o que mais me dói é que quando é uma visita de alguém da empresa da sede de Londres ou de Stockholm é a maior babação, jantares marcados com muita antecedência que todo mundo tem que ir, e olha, nem importa muito o cargo, só em ser de países desenvolvidos, são bem tratados. Aí ela que veio da Índia recebe tratamento diferenciado, ou melhor, é destratada?!?!?! por que? porque ela é baixinha, tem a pele escura, é mulher, vem da Índia? olha...... eu fico doeeeeeente com esse tipo de coisa. DOENTE!!!!

Lembro que quando eu trabalhava no Brasil e recebemos um indiano pra um treinamento com a gente por algum tempo, procurávamos quase todo dia alguma coisa pra se fazer com ele, alguma coisa pra mostrar... quanta diferença! Quem vai ao Brasil é tão bem recebido... e eu querendo contribuir pra ela ter uma boa experiência aqui.... Tudo bem que nem todo mundo tem a mesma experiência de "mundo" que eu pra saber lidar com pessoas e culturas diferentes, e eu como brasileira e boa hospitaleira que sou também tenho mais créditos, mas pera lá também ne, não precisa ter viajado muito pra ser educado e ter respeito com os outros colegas profissionais, não importa de onde eles venham!!!! Sei que a maioria que tava ali era tudo alemão e eu tenho pra mim que se fossem suíços a situação teria sido diferente. Acho que o suíço teria tido mais respeito e consideração com a presença dela.

Fiquei muito chateada, muito, muito, muito muuuuito mesmo. Mas é algo que está obviamente fora do meu alcance. Eu sofro, eu choro, dói no meu coração, mas não há nada que eu possa fazer. Só posso fazer a minha parte.

Voltei com ela no trem de olho fechado cochilando tentando não pensar nisso, mas no caminho pra casa não aguentei. Desabei aqui em casa de tristeza, de decepção com as pessoas, com o preconceito, e logo isso, esse assunto que eu tinha conversado outro dia com uma amiga aqui, e eu não tinha visto nem vivenciado nada do tipo até então. Ninguém do trabalho nunca me destratou, mas também nunca me tratou com babação. Mas tudo bem, eu já tô aqui há 2 anos e já passei dessa fase. Contanto que me respeitem profissionalmente e como pessoa, eu to contente. E nunca tinha passado por isso. Nunca me senti discriminada, vítima de preconceito, todo mundo sempre me convidou pras coisas, nunca me senti excluída não, apesar claro de me sentir estrangeira, porque eu sou. Mas desrespeitada eu nunca fui. E vi tão de perto o que aconteceu com a indiana depois desses 2 dias que passei com ela, de a ter levado pra conhecer um pouco da cidade, sabe.... olha, fiquei muito sentida, muito triste, muito triste.

A vontade que eu tinha agora era primeiro dar um tapa na cara de quem começou a falar Alemão e deixar a indiana sem entender o que se passava, e depois de pegar um avião e sair daqui agora right now e não fazer mais parte nem contribuir em nada pra um lugar onde eu acabei de presenciar algo que me dá vontade de vomitar. Só de lembrar do momento meus olhos se enchem d'água. Eu precisava desabafar, to acordada até agora porque tava falando no telefone com uma amiga desse absurdo, e amanhã vou trabalhar com a cara toda inchada.

Hoje é um dia muito triste. Espero que eu acorde melhor amanhã e o dia seja bom e essa dor que eu senti sare logo. E que eu fique mais forte e resistente para situações como essa, que infelizmente eu sei que não vão deixar de acontecer... Paz e amor.

32 comentários:

  1. Liana...
    lembra da historinha do menino e da estrela do mar?
    você, com esse coracao generoso, tanta sensibilidade humana e entusiasmo pela vida, estah fazendo toda diferenca pra essa querida indiana...
    Sou mais vocês duas! SEMPRE!!!

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  2. Liana querida,

    Entendo a sua revolta,mas não merece ficar assim,
    fez mt bem a sua parte.
    Agora te admiro ainda mais,continue agindo da msm
    forma.Esta sensibilidade é uma qualidade,só não pode deixar se abater tanto.
    Desejo de coração q acorde melhor e,tenha um otimo dia.
    Um gd abraço,bjosss.
    M.Elisabete

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  3. "Alma fraterna, recorda:

    Os momentos infelizes 
parecem noites de crises

    Em que o céu lembra um vulcão;

    Ribombam trovões no espaço,

    Coriscos falam da morte,

    Passa irado o vento forte,

    Tombando troncos no chão...

    Os animais pequeninos 
Gritam pedindo socorro

    Descendo de morro em morro,

    Cai a enxurrada a correr...
Mas finda a borrasca enorme,
    
No escuro da madrugada,
    
Em riscas de luz dourada,

    Vem o novo amanhecer.

    Assim também na vida,
    
Se atravessas grandes provas,

    Na estrada em que te renovas,
    
Guarda a calma ativa e sã;

    Sofre, mas serve e caminha,
    
Vence a sombra que te invade,

    Se a hora é de tempestade,

    Há novo dia amanhã..."

    Entendo o que sente....mas cada dia é um novo dia....e cada um de nós pode fazer a diferença neste mundo...vc já fez...continue assim....e independente da reação dos outros, faça a sua parte....assim esta viajem será lembrada por ela principalmente pelos bons momentos passados com vc....seja profissional ou turístico.

    Bjos e durma com DEUS. Amanhã é um novo dia.

    Chica

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  4. Nossa Liana...morri de pena desta menina. Ser tratada com desdém, como se fosse uma porta. Credo! Que falta de sensibilidade. Mas como vc falou, só pq é de um país subdesenvolvido. Uma pena, realmente. Força para vc, acredito que teria a mesma reação que tu teve. Teria vergonha alheia por tratar deste jeito uma pessoa. Independente de que país ela venha, merece respeito. SEMPRE!
    Beijos, se cuide!!!
    PS: isso é muito triste. Serve mesmo para nos fortalecer e não deixar que aconteça conosco.

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  5. Liana, sinto muito que as coisas tenham tomado esse rumo, mas não fique assim. Olha, eu já sofri preconceito aqui algumas vezes, e não é legal não, mas a gente cresce e aprende a se defender, a gente fica mais forte e menos ingênua. Aqui vejo preconceito todos os dias, contra negros, contra muçulmanos, holandeses são muito preconceituosos. O pior de tudo é que ainda têm a cara de pau de tirar onda de "país liberal e internacional". Isso é só fachada. Já ouvi tanto absurdo aqui na hora do almoço que há mais de 1 ano não vou mais almoçar na cantina, prefiro comer meu pão na paz da minha sala, enquanto respondo e-mails.
    No Brasil é a mesma coisa, minha melhor amiga e eu saíamos sempre juntas nos finais de semana pra ir em lojas, mas depois que o bebê dela nasceu teve uma vez um episódio em que acharam que eu era a babá do menino, por ser negra.
    Infelizmente esse é o mundo.
    Line, Meias Palavras

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  6. Jura que você nunca se sentiu excluída?! Nem no começo quando ninguém te conhecia?
    Demora um pouco pro povo se tornar amigo aqui, você sabe disso, Liana. Claro que existem exceções...
    Na Alemanha tem muitos indianos, MUITOS. Eles são como os turcos: estão por toda parte e se fecham nas suas comunidades e esquecem que teriam que se integrar no país. Claro que estou generalizando e eu seeei que isso não é desculpa pra tratar ninguém mal, mas acontece! :/

    Fique bem!

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  7. Liana, fiquei revoltada com essa historia! Se estivesse no seu lugar, acho que teria a mesma reacao. Sei que nada vai mudar o que sente, mas tente, ao seu modo e como ja fez, dar atencao a ela, convidar pra ir aos lugares, sair. Ela vai se lembrar de vc pra sempre e eh isso que importa! :)

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  8. Nina,
    no comeco nao me sentia excluida nao. simplesmente nao conhecia as pessoas e as vezes umas vinham se apresentar, conversar, ou entao eu mesma puxava conversa e a partir via como era a recepcao. mas nao me senti excluida nao. sempre fui convidada pras coisas que me diziam respeito e no comeco era tudo mais na base da educacao. depois uns circulos continuaram, outros nao, e ai ja na base da afinidade, amizade, etc.
    mas nao to falando de amizade, eu conheco bastante gente mas amigo mesmo tenho mto poucos. mas mesmo sem ser amigo, nao precisa excluir o outro. o jantar de ontem era com pessoas do trabalho, nem todo mundo eh amigo ali. nao custava nada te-la inserido na conversa.

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  9. A verdadeira pobreza é essa: A POBREZA DE ESPIRITO! Essas pessoas nao sao pobres, sao miseraves! Tambem ja vi muito disso aqui na Italia. é uma ignorancia sem tamanho. Sem falar que é uma baita falta de educaçao falar em uma lingua na presença de quem nao a conhece.
    Vc fez sua parte e pode ter certeza que vc é muito maior do que essas pessoas...

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  10. Sinto muito pelo desdenho sutil dos seus colegas de trabalho com a Indiana. É uma pena que seja assim, o apreço parece proporcional a posição geográfica. Mas em contrapartida, ela tem sorte de ter você por aí, com o coração verde e amarelo, já escaldado e por causa disto, ainda mais compadecido.
    Muito obrigada pelo nome da empresa, tentarei marcar o tour com a Liz.
    Abs
    Márcia

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  11. Liana, também fiquei triste com isso, mas depois, pensando direitinho, acho que a indiana foi sortuda de tê-la encontrado. Conheço um francês que conhece alguns brasileiros e sempre diz que o brasileiro é diferente e que ele é bem sortudo de ter cruzado com vários deles...

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  12. Que horrível Li...
    Sentir vergonha pela atitude dos outros é pior que sentir vergonha pelas nossas atitudes... Quando nos comportamos mal e sentimos vergonha significa que reconhecemos nosso erro e isso já é um grande passo para evoluirmos e melhorarmos como pessoas. Mas quando o sentimento é alheio a sensação de fracasso toma nosso ser... E não tem o que fazer mesmo! O jeito é, se possível, se afastar dessas pessoas para nos sentirmos melhor...
    ...
    É por essas suas ações de companheirismo e amizade que você vive e publica aqui, que eu venho todos os dias te visitar e a cada dia gosto mais de você...

    Bjs
    Carla

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  13. poxa, que legal Carla, obrigada. realmente vergonha alheia, me senti mal por fazer parte desse "time" e ver o desapontamento dela com a atitude deles. e nao tinha nada que eu pudesse fazer.. a nao ser me conter de tanta raiva, vergonha e desgosto e desabar em casa sozinha na minha, alem de escrever aqui no blog porque eu acho que eh uma licao e experiencia valida a ser contada...
    dificil.

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  14. Poxa, que coisa triste Liana, mas logo logo ela ira esquecer esse triste episodio e com certeza ira levar voce no coraçao. Conheci muitos indianos, sao pessoas maravilhosas. Fica triste nao querida, voce fez a tua parte, nao deixe que pessoas sem luz na alma possa tirar o sorriso do teu rosto, voce foi superior a eles. Beijos

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  15. OLha em termos de preconceito pode deixar que alemão sabe muito bem como fazer, a história confirma, só o que os olhos não vêm o coração não sente, então presenciando o sentimento se exalta, mas não tem como... sempre existiu e sempre exitirá esse lado ruim da raça humana. Força filha. Bjs. Mãe

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  16. Poxa Liana, coisa chata hein? Aqui na Italia nao seria de se espantar, viu? O racismo rola solto e descaradamente. Fico com vergonha dos meus 25% de italianidade. So aqui eu entendi que, ao menos nesse quesito, somos muito mais avante e muito mais humanos. Fique tranquila que vc fez tudo o que estava ao seu alcance e essa menina vai te levar no coraçao.

    Pena que nao deu pra nos encontrarmos na Turquia, sera pra proxima vez. Vi que vc aproveitou horrores, né? Fico feliz!

    Beijos e bola pra frente! ;)

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  17. Alessandra
    Só tenho um coisa para dizer: nunca mude, espero que realmente essas coisas a deixem incomodada sempre, pq qdo parar de sentir poderá ficar igual a essa galera que não teve nenhum um pouco de educação com esse ser humano.

    Acho que estou meio sensivel tb pq quase chorei lendo e imaginando a situação dessa pessoa.

    Bjuxxx

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  18. Liana, eu concordo com o que várias pessoas aqui falaram: não fique triste. Fique satisfeita! Ela encontrou você, e isso foi uma boa sorte (imagina se ela pegava um alemão ou outro?) Sem você, ela não teria conhecido nada, ia ter sido jogada no aeroporto e ia ter que se virar.
    Você fez a diferença, fez sua parte e fez alguém feliz.

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  19. Quando começei a ler já fiquei pensando que deveria ser uma questão cultural. Mas depois da parte em que compara o comportamento deles com outras pessoas da Europa, meio que tomei um susto. Achei engraçado quando você disse que se eles fossem suiços não teria sido assim; sempre achei que os alemães eram mais tolerantes que os suiços. De qualquer forma achei legal a forma como você tratou ela.

    Mateus

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  20. Mateus, os suíços tb não ficam mto pra trás não nessa questão de preconceito. Mas eu tenho a impressão que eles são um tiquinho mais educados. Porque em Berna trabalham mais suíços, e em Zurique mais alemães. Em Berna, muita gente veio falar com ela, perguntar como foi a viagem, o que tava achando da comida, essas coisas. Que seja, um mínimo de atenção, faz a pessoa se sentir diferente. e em Zurique ninguem deu a MINIMA, não perguntou absolutamente nada! então por isso tirei essa conclusão. mas no geral, acho os alemães muito mais rígidos nessa questão da indiferença. os suíços são mais "estáveis" e acho que dá menos na cara.

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  21. Liana, voce pode estar num meio e NAO PERTENCER a esse meio. Isso devia ser filosofia pra vida, né! Nao perder a essencia mesmo vivenciando essa situaçoes tem que ser prioridade nas relaçoes intersociais. A gente sabe que na vida as coisas acontecem beeeem assim como vc contou: momentos gostosos que te fazems sentir "fazendo parte" de algo novo e momentos de dificuldades, de enfrentamentos/adversidades com o novo.
    Nao sentir pena já é o melhor de tudo. O que nao te mata as vezes te fortalece, parece clichê mas nao é.
    Que teu dia hoje seja bem melhor (e vai ser!).
    Beijocas grandonas,
    Lála

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  22. Quando me mudei pra Espanha, logo no começo quando entrei no colégio passei por isso e é realmente horrível =/
    Mas o que vale foi você trata-la mega bem! Isso valeu muito :D
    Beijo

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  23. É por essas e outras que estou curtindo horrores minha viagem ao Brasil (escrevendo diretamente do Rio agora).

    Sinceramente? Eu tô cansada da Europa, e mais especificamente da Holanda. Muito preconceito, vida muito pra maioria esmagadora dos estrangeiros (que sempre serão estrangeiros aos olhos dos outros, mesmo que se adaptem).

    Quanto mais curto a alegria e a espontaneadade dos brasileiros (tá bom, dos cariocas) menos vontade tenho de voltar pra Holanda. Vai rolar choque cultural com certeza. E desta vez nem me refiro ao choque cultural reverso não.

    Vida de imigrante não é mole.

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  24. Liana realmente muito triste. Dá pra perder o rumo com uma coisa dessas. Eu tinha maior receio de começar a trabalhar em alguma empresa aqui e rolar piadinha ou desprezo dessa forma, ainda bem que nunca rolou nada, porque e acho que iria chorar bastante, se tem uma coisa que dói é o preconceito, ou presenciar uma situação de preconceito. Ainda bem que ela tem você por ai.

    beijao

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  25. Nossa, nojento. Preconceito é um mal da nossa sociedade, parece que as pessoas precisam desprezar as outras para se sentirem melhores. No fundo, são um bando de coitados inseguros que não sabem se relacionar. Preferem ficar no seu mundinho hipócrita e ignorar que existe um mundo lá fora. Me dá é pena de gente assim.

    Beijo, Liana! Não fique assim!

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  26. Voce tem um coraçao nobre,nada mais!

    Infelizmente o preconceito existe e vai existir sempre.Falo muito sobre isso no meu blog.E noto a diferença que brasileiros,indianos etc tratam o europeu e como estes os tratam.

    Soluçao:dar o troco, com educaçao e começar a entender que o mundo nao é ideal, tem fronteiras,cercas,policia,e nao é uma musica hippie.

    Saliento que tem muito brasileiro que se considera europeu e finge nao ver nada disso como li em comentarios acima.O minimo de adaptaçao mas vc nunca vai deixar de ser o qeu voce é.

    Druida-blog verdadeiraitalia

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  27. Nossa, estou estupefata...
    Também acho que sua colega indiana é uma grande sortuda por ter tido o privilégio de te encontrar.
    Que ela passe adiante essa dádiva recebida, de solidariedade, calor humano e compaixão. E que a experiência a fortaleça e faça tirar de letra outras jornadas pela frente.
    Tudo de bom para você!
    Você realmente merece.

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  28. Voces ja pararam pra pensar como brasileiro trata europeu ou grande parte dos estrangeiros no Brasil?
    So falta lamber os pés do "salvador".Enquanto aqui fora...

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  29. Fico triste por ela, por ela ter que ter vivenciado esse tipo de coisa, dói, né ? Coitada! Mas um dia todos eles aprenderão, de uma forma ou de outra, é o q acredito.

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  30. "Senti um desprezo por aquele monte de alemão idiota falando esse Alemão Clássico horroroso e fazendo piada sem graça."

    Esse foi um dos comentários mais preconceituosos que eu li neste post.

    GENTE IDIOTA FALANDO UMA LÍNGUA HORROROSA.

    Pq? O alemão suíço é mais bonito? Desde quando? Isso se chama preconceito linguístico. É como afirmar que o português de SP é mais bonito que o português de Recife. Preconceito! Dos mais graves... Além do mais, o alemão "clássico" (como você citou) é o alemão ensinado nas escolas, não o falado nas ruas da Suíça. Teoricamente é o alemão que é estudado por pessoas no mundo inteiro e que é entendido pela maioria dos falantes de língua alemã (diferente do alemão suíço).

    Em segundo lugar, achei ruim traçar um julgamento baseado apenas numa suposição (eu ACHO, SUPONHO que os suíços a teriam tratado melhor). Como ter tanta certeza? A indiferença quanto aos estrangeiros é normal, creio eu, em cidades multi-culturais, onde encontrar estrangeiros na rua é como respirar...

    Também duvido muito que os brasileiros todos a tratariam como "star". Na minha universidade há diversos estudantes africanos. No Restaurante Universitário, os africanos sempre sentam juntos numa mesa.. nunca vi os brasileiros chamá-los para se integrar.. nunca vi brasileiros loucos para fazer amizade com eles. Agora bastava vir UM europeu branco dos olhos claros para viver rodeado de brasileiros curiosos, já chamando de amigo depois do primeiro "OI".

    Enfim... Entendo que o post foi feito repleto de emoções, mas as generalizações são sempre muito perigosas.

    Sou brasileiro, moro na Alemanha e já conheci alemães MARAVILHOSOS e outros, nem tanto. O mesmo se aplica a qualquer nação. Não é questão de nacionalidade. Não gostei do tom totalmente generalizador como o texto foi escrito.

    Abraços

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  31. Sim, o post foi escrito diante de muita emocao. Ja ate pensei em reescreve-lo, em edita-lo, em remove-lo. mas nao, deixei ai. acho que quem le este blog regularmente e conhece um pouco da maneira como eu handle esses assuntos dificeis nao vai me julgar, mas apenas entender minha revolta.
    Preconceito existe em qualquer lugar. Tambem conheco alemaes legais e suicos racistas. Em qualquer lugar vai ser assim. Nao quis deslanchar aqui uma discussao sobre a maneira que eu escrevi, mas sim uma situacao no trabalho que poderia ter sido diferente.
    Eu aprendi Alemao no Brasil, sei que o Hochdeutsch eh o Alemao ensinado nas escolas, inclusive aqui na Suica. Nao acho feio, senao nao teria nem vindo pra ca ou estudado por tanto tempo. Foi apenas uma forca de expressao, hora da raiva. Se eh dificil de entender isso, entao oh well.

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  32. Pro anonimo:
    Como assim nao poder achar o sotaque mais bonito que o outro? E vc chama de preconceito? Olha, gosto nao se discute, se lamenta....Eu adoro o sotaque carioca, acho educado, amavel e confiante...ja o portugues falado no Alagoas ou Recife para mim eh de chorar...eles nao falam, eles cantam...pronunciam palavras diferentes e regionais...acho o fim por nao entender quase nada. E quer portugues mais claro do que os gauchos? Sao claros e queridos. Acho lindo, mas eles tbem tem expresses regionais...
    Moro no Canada e sei bem o que Liana escreveu...aqui criancas agem como os alemaes agiram com a Indiana. Eles fingem que nao estao vendo...chega outra crianca da America,da Inglaterra, eles fazem que nao veem...sao mal educadas , timidas e inseguras. Nao foram preparadas para receber...nao sabem e se defendem de todo invasor. hahahah Assiste uma aula do kindgarden...chega alguem na sala ,eles gritam :"Stranger"....e no Brasil, os pequenos sao ensinados a cantar musiquinha de boas vindas. Diferencas culturais...quem mora no exterior tem que se acostumar com isto. Ou entender e nao dar a minima. Eles tem uns issues mesmo, hahah

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