Fevereiro 2011 ~ Ela é americana... da América do Sul

O Andar do Bêbado

Depois de finalmente terminar de ler "The Girl with the Dragon Tatoo" no iniciozinho do ano, ao invés de ler o livro 2 da trilogia Millenium, peguei um que estava na minha estante há bastante tempo já: "O Andar do Bêbado", de Leonard Mlodinow, Editora Zahar.

O tema do livro é a abordagem do acaso, como acontecimentos aleatórios afetam e determinam nossas vidas. Eu gostei do livro, mas achei que fosse melhor. Isto é, eu tinha outra impressão de como ele fosse, achei que fosse diferente. Nos capítulos, histórias reais são relatadas de diversas naturezas, e pra falar a verdade algumas achei chato de ler, já outras muito interessantes.

O livro fala muito em dados estatísticos, cita físicos e cientistas com diversas teses, teorias de probabilidade e propostas pra provar isso e aquilo, e como depois o mundo de possibilidades de fato se desenrola na vida real. Não sei se alguém que não curta o mínimo de engenharia e ciências exatas vai ter saco de ler até o fim. Mas valeu a pena, gostei principalmente do final quando a coisa é mais generalizada e diz assim:

"A linha que une a habilidade e o sucesso é frouxa e elástica. É fácil enxergarmos grandes qualidades em livros campeões de vendas, ou vermos certas carências em manuscritos não publicados, vodcas inexpressivas ou pessoas que ainda estão lutando pelo reconhecimento em qualquer área. É fácil acreditarmos que as ideias que funcionaram eram boas ideias, que os planos bem sucedidos foram bem projetados, e que as ideais e os planos que não se saíram bem foram mal concebidos. É fácil transformar os mais bem sucedidos em heróis, olhando com desdém para o resto. Porém, a habilidade não garante conquistas, e as conquistas não são proporcionais à habilidade. Assim, é importante mantermos sempre em mente o outro termo da equação - o papel do acaso."

Ovronnaz

Este fim de semana o pessoal do meu ex trabalho (ah como é bom falar isso!) e eu fizemos um programa mega suíço. Juntou um monte de coisa como a minha saída e a saída do Robin da UPU e a casa nova do ME e tínhamos motivo suficiente pra fazer esse velho plano acontecer.

O ME saiu da UPU no fim do ano passado, mas todo mundo mantem contato. Ele como ótimo gerente de projetos organizou um projeto de um fim de semana minuciosamente programado pra gente.

Começamos o sábado com um passeio em Sion, a capital do cantão Valais. Depois, uma "leve" caminhada montanha acima partindo de Ovronnaz, uma vilazinha em Valais, que é metade francês metade alemão. Mas mais francês que alemão, pra falar a verdade.

Essa caminhada era meio que uma trilha na verdade. Ao estacionar o carro, trocar de roupa, isto é, colocar a super calça a prova de vento, frio e água, super meia, bota especial, casacos, luvas, óculos, gorro e mochila, estávamos prontos. Nosso objetivo era chegar a Loutze, uma vilazinha lááá em cima, a 1600 metros montanha acima. A idéia era andar pelos alpes por mais ou menos 1 hora até chegar lá. No início, fazia uns 3 graus e o tempo tava bem nublado.
A essa época do ano, inverno, pleno mês de fevereiro quase março, a Suíça não está tendo muita neve. Parece que neste inverno a neve forte veio mesmo em dezembro e agora tá assim a neve, vindo de pouquinho em pouquinho. Pobre de quem quer esquiar que tem que subir muito. Claro, quanto mais alto, mais frio e mais neve.

Então começamos nossa caminhada e logo a paisagem mudou. Só foi subir mais um pouquinho e já tinha um montão de neve e a vista fantástica dos alpes! Não me canso de apreciar esses alpes... mas a montanha é bem inclinadinha, então o esforço foi logo explícito no suor que ia aparecendo. Um contraste bem engraçado, porque quanto mais subíamos mais frio fazia naturalmente, mas mais esforço tínhamos que fazer e mais a gente suava!

Não me estraçalhei caí como caí quando tentei andar de snowboard. Apesar de o cansaço depois ter sido tão grande quanto, não tive os hematomas que ganhei de souvenir quando andei caí de snowboard em Gstaad ano passado.

Mas não tinha pra onde correr, o calor tava grande... Pára tudo! Tira casaco, tira luva, tira gorro porque eu tava ali suando, morrendo de calor em plenos zero graus!!!

Olhava ao redor e não via nada além de alpes, árvores e neve cobrindo (quase) tudo.

Lindo na foto, adorei, foi ótimo. Mas não sei quando é que eu faço outra dessas de novo não. Eu era a única que não era suíça do grupo. Não, minto, o Robin é francês mas de uma vila nos alpes, e ele quase fica sem camisa lá, então sim, eu era a outsider ali que tava me aventurando a trilhar pelos alpes pela primeira vez na vida.
O item mais importante que levei foi meus óculos escuros, porque nunca vi tanto branco na vida. Se eu tirasse os óculos não via era nada e tava era vendo a hora de ficar cega ali com tanto branco. Pra onde quer que olhasse só tinha branco, branco, branco. Olha, mas é bonita demais viu essa paisagem de perto. Vale a pena todo o sacrifício.

Quando eu já não aguentava mais de tanto subir e minha boca e meus dedos já estavam tremendo e começando a ter vida própria, vi uma luz no fim do túnel... já conseguia ver nosso ponto de chegada: o restaurante lá no topo! Mal pude acreditar quando me dei conta que chegamos lá no topo em 45 minutos, ou seja, bem menos do que o tempo estabelecido lá de baixo! Uau! Bom, tenho que admitir que não foi nada fácil seguir o ritmo dos suíços não. Tanto que quando chegamos lá em cima, eu tava me acabando de suor e de calor e eles só com uma gotinha de cansaço... eu já tinha arrancado várias peças de roupa e se tivesse sozinha, provavelmente teria parado várias vezes no meio do caminho.

Um vinho branco bem gelado ao ar livre pra brindar nossa chegada! Lá em cima o sol tava tão forte que até uma corzinha eu peguei. E os suíços passando protetor solar. Bom, eu até passaria também porque sei que quando o sol bate na neve, reflete de volta, bate no rosto e queima mesmo, mas não íamos demorar ali e meu corpo tá me agradecendo até agora pelo tiquinho de calor e sol que recebeu ali. Logo depois, nada mais suíço justo que um fondue delicioso pra repor rapidamente todas as calorias perdidas no "passeio".

Mas toda essa minha animação ficou abalada quando me toquei que tinha tudinho de volta pra descer ainda... Oh my... é, pra descer todo santo ajuda, mas eu tava tão cansada, mas tão cansada, que ainda depois de encher a barriga de fondue, eu queria mesmo era só ficar por ali mais um bocadinho. Mas o povo era suíço esportivo demais e num salto levantou todo mundo recarregado pronto pra continuar. Tínhamos que voltar mesmo logo pra não pegar mais frio ainda, pois o sol já tava começando a baixar.

Depois de alguns escorregões quase rolando neve abaixo, chegamos todos sãos e salvos. Mas vc sabe, depois do esforço, vem a recompensa, e pra quem achava que o fondue era a única recompensa errou. Fomos pra um clube com piscinas térmicas e massagem ma-ra-vi-lho-sooo!!!

Eu que achava que ia me sentir mal por causa do meu bronze "neve", me senti em casa. A verdade é que tá todo mundo na mesma situação, e eu acho que estava entre as mais bronzeadas dali.

Não tenho fotos, porque o esquema é o seguinte: todo mundo põe a roupa de banho no vestiário, tranca tudo no armário, amarra a chava numa pulseira que prende ao pulso e sai andando do jeito que tá do vestiário até à piscina ainda meio que batendo o queixo de frio, só com a toalha. Chegando lá na área da piscina não tem lugar pra botar nada fora a toalha pendurada. É tudo ensopado, enorme e um monte de gente andando pra lá e pra cá. Então foi só chegar e caiu todo mundo direto na piscina, e o mais fantástico foi ficar lá na piscina aberta com a água super hiper mega quente mas com sensação de estar mais fria por causa do choque com a temperatura do ar!

Enquanto estávamos lá com a água fumaçando, algumas áreas borbulhando da hidromassagem, os alpes ao nosso redor resultando num cenário espetacular. Ah, é muita swissness pra minha pessoa... Não que eu esteja reclamando. Ficamos lá até de noite. Saímos por volta das 8 porque já ia fechar ahahahaha... nada mais merecido depois de tanto esforço.

Visita da mamys

Mamãe veio passar uns dias comigo aqui na Suíça pra aproveitar o restinho das férias dela e das minhas férias forçadas pelo final do aviso prévio. Depois de todo o stress com o fim do trabalho no emprego velho e a tensão da corda bamba do visto pro novo emprego, eu precisava mesmo de um descanso e uma folguinha pra respirar mais aliviada. Não fizemos nada, não programei nada. Terminei deixando pra lá os planos de ir pra Israel e fiquei só por aqui.

Terminou que nem teria dado mesmo pra programar nada, porque entre um programinha e outro que eu fazia com mamãe, sempre tinha que resolver uma coisa ali, outra coisinha aqui, ir na Polícia Federal daqui quinhentas mil vezes, etc. Na verdade a gente programava alguma coisa, ou melhor, encaixava nossa programação de acordo com a necessidade que aparecia de ir lá e cá resolver essa burocracia que terminou acontecendo todos os dias da semana. Então nem mesmo ir ali em Genebra dar uma volta que eu queria ter feito, deu pra fazer. Ficamos só por aqui mesmo, mas foi tão bom. Fizemos várias coisas aqui em Berna que não tínhamos tido tempo de fazer das outras vezes que ela veio aqui.

Finalmente mamys conheceu o Ikea que eu tanto já falei...


















Jantamos no já conhecido e maravilhoso Molino...


















Andamos pela feirinha de Berna...


















Olhamos bastante souvenir e compramos uns chocolates pra levar pra família e amigos...


















E a neve ainda apareceu de novo pra provar que realmente ainda é inverno...



















Já estou com saudades.

Shoppings em Berna

Não é a primeira vez que digo que às vezes aqui na Suíça parece que se vive a parte do mundo real. É, sei lá, tipo pessoas que não conhecem uma música hiper mega conhecida, uma marca que pra vc é impossível alguém não conhecer, família que não tem TV em casa, coisas assim bem 'americanizadas'. Se comparado com nós obviamente são outros (e muito diferentes) costumes. Aqui parece que é todo mundo muito tranquilão. Não tem aquela competição acirrada de coisa de moda, quem tem aquilo melhor que o outro. Pode até parecer um pouco infantil se comparado ao resto do mundo, mas a ingenuidade e a simplicidade com a qual as pessoas aqui lidam com certas coisas é uma característica natural e nobre. Talvez quando eu estiver em Zurique, minha opinião mude. Mas pelo menos do que eu tenho visto até hoje aqui em Berna, que apesar da fama de ser meio lenta, querendo ou não é a capital da Suíça e não é tão 'interior' assim, essa característica é muito forte e de alguma forma se manifesta nos suíços que eu conheço por aqui.

Talvez seja mais uma prova que essa impressão faz mesmo sentido: aqui na cidade há 2 shoppings, shopping center mesmo, centro de compra fechado como no Brasil é tããão comum: o Wankdorf Center e o Westside.
































Na verdade, além desses dois, existe o Shoppyland também que também é um shopping, mas já fica mais afastado da cidade, pras bandas de Schönbühl, e pra chegar lá tem que pegar trem e estrada, então não tô considerando aqui pro post.
























Os shoppings aqui são, hm, digamos... diferentes. O Westside é bem novo, cheirando a novo. Foi inaugurado em 2008 e a construção e o design interior é bem moderno. Eu acho bem legal, no entanto, acho que o espaço não é muito bem aproveitado. Mas também quando olho pro Wankdorf e vejo tão poucas lojas lá dentro, já fico achando que o Westside tá bom demais.

































 
Sei lá. Além de ter poucas lojas, a praça da alimentação do Westside só tem 3 opções: McDonalds, massa e japonês. Mas ao olhar pro Wankdorf que só tem um restaurante chique e caro e um cafe também tá bom. O Wankdorf fica numa parte do estádio Wankdorf, a sede o YB, o time de futebol daqui, então é um 'plus' ter o shopping ali, porque o principal mesmo, a principal atração do centro Wankdorf é o estádio. Então pra complementar a área lá do estádio e o shopping de carona, do lado de fora do shopping tem o restaurante 11 Eleven que é bem legalzinho e uma academia, a Arena Fitness, que é onde eu estou estava malhando conhecendo.

Pra dar um pouquinho mais de crédito ao Westside, preciso dizer que ele também tem uma área de wellness, academia e tal, apesar de ser bem carinho. Mas conta também com uma grande rede de cinema lá instalada, a Pathé, que é demais (!), coisa que no Wankdorf não tem.


















Aproveitei o restinho de férias e a visita da mamys e a levei pra conhecer lá. Pouca gente, horário restrito, tranquilex. Nem agora que é inverno e tá frio aquilo ali enche de gente, tá todo mundo esquiando, that's for sure.

Mas tradição européia, muito mais popular que shopping fechado assim, é ir às compras no centro da cidade mesmo, aberto, onde tem muito mais lojas de tudo quanto é natureza. E não importa se tá calor, frio, chovendo ou nevando, o centro da cidade tá sempre cheio de gente. Vc anda pelas ruas abobadadas, passeia pela cidade e de quebra visita algumas lojas, porque é claro como vc já sabe, por aqui o xis da questão é outro.

Lixo e reciclagem na Suíça

Aqui na Suíça tive que aprender a separar em lixos e áreas separadas tudo que no Brasil jogava num saco num canto só. Não que no BR eu fizesse questão de fazer tudo errado, simplesmente não sabia como fazer certo. Lá eu só via algumas poucas latas de lixo de cores separadas para metal, alumínio, plástico, mas sei lá, nem sabia quando alguém ia ali recolher aquilo e era tudo misturado. Perguntava pra alguém e ninguém sabia de nada sobre coleta seletiva.

Aqui na Suíça eu não perguntei a ninguém como isso funcionava, mas imaginei que fosse diferente. Desde que cheguei fui observando e aos poucos fui entendendo como funciona. Em primeiro lugar, os sacos de lixos na rua todos são de mesma cor. Depois outro dia andando na rua, vi vários jornais e revistas empilhados à noite e no dia seguinte não estavam mais. De outra vez, vi outra pessoa com uma sacola cheia de latas levando pra algum lugar. E o Eric depois me explicou direitinho como deve ser feita essa separação pra se desfazer do lixo de casa.

Primeiro lugar, os sacos de lixo são comprados no mercado e aqui em Berna são sacos azuis. Em outras regiões são pretos ou verdes, etc. Pode ser de 17, 35, 60 ou 110 litros e não é barato. 1 saco de 17l custa 0,90 francos, ou 1,60 real. 1 saco de 35l que é o que eu compro custa 1,70 francos ou 3 reais. Normalmente vende-se de monte, então eu compro 10 sacos de 35 litros, por exemplo, por 17 francos que são mais ou menos 30 reais! Isso para lixo doméstico. Se você colocar um saco qualquer na rua não vão levar. Vai mofar lá e se descobrirem que foi você que deixou aquele saco ali você ainda pode levar uma multa.

Nada de colocar papel, jornal, lata, vidro nem pensar. Quer dizer, poder até pode, mas os suíços reprovam isso até a morte e se você colocar lá um monte de coisa misturada além do permitido e descobrirem de quem é o saco, você também pode levar multa. É, país civilizado também enche o saco às vezes. Eu no começo achava uma chatice sem fim ter que separar tudo, me preocupar em onde guardar garrafa de plástico, de vidro e etc, mas sabe que acostuma. Hoje é automático. Garrafa de plástico tipo PET fica numa sacola de papelão numa área na minha cozinha. Latas em outra sacola. Vidros e garrafas de vidro em outra na varanda. E jornal vou empilhando tudo também.

O caminhão do lixo (lixo doméstico) passa 2 vezes por semana. Os dias e horários dependem da área onde você mora. No início do ano (e isso eu só aprendi esse ano), chega na sua caixa de correio um papel da prefeitura com todas essas informações em vários idiomas.


A cidade é dividida em áreas. Junto com o papel da prefeitura, vem um índice de todas as ruas da cidade e aonde a sua rua se encaixar, é a sua área.

Você tem que seguir as regras que se aplicam à sua área. A minha área é a "A", então pra mim a coleta de lixo doméstico é toda segunda e quinta-feira. O caminhão do lixo passa às 7 horas da manhã, então todo dia anterior a noite eu vou lá na frente do prédio deixar meu saco de lixo. E isso já é até um pouco passar dos limites, porque eu deveria ir antes das 7 da manhã deixar o saco de lixo, e não na noite anterior, porque assim o lixo vai ficar lá a noite inteira e pode aparecer algum rato, algum bicho abrir e rasgar o saco e dificultar o trabalho do pessoal do lixo no dia seguinte. Mas ainda bem que nisso todo mundo concorda e absolutamente ninguém que eu conheço acorda mais cedo pra deixar o lixo lá fora. Que bom.

O peso também é importante. Os sacos não podem passar de 25kg cada um. Se tiver muito pesado, o cara do lixo não vai levar. De novo, vai mofar lá e se descobrirem que você é o responsável, pode levar multa.

Neste papel do calendário da recolha do lixo da prefeitura, vem também o calendário de recolha de papel, jornal, papelão. Normalmente, as pessoas amarram pilhas de jornais com cordão e assim como o lixo, deixam para levar pra reciclar. É menos frequente, apenas duas vezes por mês em dias e horários específicos, de novo dependendo da área onde você mora.

Alguns prédios tiram seu container da garagem e colocam na frente do prédio pra dar uma mãozinha aos moradores, pois no container é só jogar tudo que é caixa, papel e jornal lá que o caminhão leva numa boa.

Mas normalmente, o que é mais visto e mais comum, são as pilhas de jornais e revistas na frente dos prédios. Papelão grandão de embalagem de coisas que você compra tipo móveis, aparelho de som, televisão, tanto pode ser cortado bem pequeno e mandar brasa nessa leva aí, ou jogar tudo grande mesmo em locais específicos na cidade e isso eu ainda nem sei.
Aconteceu de trocar os dias que os jornais e papelões são apanhados do ano passado pra esse. Então eu que não tinha prestado atenção no novo calendário que recebi, assim como outros desligados, deixaram os jornais no dia errado lá fora do prédio. O que aconteceu: o (espécie de) síndico do prédio tocou minha campainha pedindo pra eu retirar lá minha pilha de jornal porque o caminhão do lixo do papel só ia passar em dois dias, e eu não podia deixar lá.

Pois é. Tudo vem explicadinho mesmo no papel que depois fui ler de cabo a rabo pra não ser mais chamada atenção. Bom, pelo menos não levei multa.

Garrafa de plástico é outra chatice história. Junto tudo em sacolas na minha varanda e quando acumula bastante que eu realmente não posso mais deixar juntar, me rendo e levo até o Migros ou o Coop, que são os mercados mais populares da Suíça e tem dois bem perto da minha casa. Lá, há áreas específicas pra despejar lá garrafa por garrafa pra reciclar. Mas peraí, você precisa amassar bem a garrafa plástica antes de jogar lá. Sim, pra economizar espaço. Garrafas amassadas e jogadas, pronto, meu dever de cidadã está cumprido.

Pilhas e baterias também podem ser deixadas aí no mesmo local das garrafas plásticas ou em lojas de eletrônicos.

Para garrafas de vidro, já são outros 500. Em áreas específicas da cidade, (e isso não tem no papelzinho da prefeitura não) existem uns containers bem grandes onde vc joga lá as garrafas separadas por cores.
Não importa a hora. Os containers estão sempre lá, então é só ir, despejar as garrfas lá separadas pelas suas cores e de novo, dever cumprido.

Geralmente onde há containers para vidros, há também para latas. Para as latas, é preciso triturá-las antes de despejar no container. Então, por exemplo, nesse container da foto acima a direita, jogam-se todas as latas numa caixa no próprio container, e em seguida roda-se essa válvula para triturar as latinhas, e em seguida elas finalmente caem no container e seu trabalho está encerrado.

Quem mora aqui pela Europa deve ter sistemas senão iguais, bem parecidos com o daqui. E aposto que quem já mora há algum tempo também já deve ter acostumado com essas práticas que terminam fazendo parte do dia a dia nessas bandas. E melhor, ainda aprendemos a ter mais consciência, responsabilidade e ajudar e respeitar o meio ambiente.


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29.04.2014 - Atualização! 
Veja a 2a parte sobre Lixo e Reciclagem na Suiça aqui:
http://www.elaeamericana.net/2014/04/lixo-e-reciclagem-na-suica-parte-ii.html

E o Oscar vai para...

Olha, eu acabei de assistir de novo o "The King's Speech" e de novo achei fascinante. A história real do pai da rainha Elisabeth que era gago e passa de duque de York a rei da Inglaterra e precisa lidar com a gagueira pra fazer os discursos em plena época de guerra. A história da Inglaterra é fascinante, então o filme não podia ser diferente. O filme merece o Oscar, o Collin Firth merece o Oscar, assim como a Natalie Portman merece o Oscar de melhor atriz por Cisne Negro, já disse no twitter mil vezes. Mas quem também merece um Oscar é o Juca com essa cara de pidão que só ele sabe fazer, vê bem:

Último dia!

That's it. Estou em casa. De férias. Hoje (de manhã) foi meu último dia de trabalho no emprego velho. E que dia!

Ontem mandei email pras pessoas que mais tive contato pra me despedir, deixar meu email, telefone e tal, porque não curto despedidas, ir de sala em sala dizendo que 'foi ótimo trabalhar com vc', não, não gosto. Mandei um email, quem quisesse vinha falar comigo. E foi bom ver o retorno. Alguns por email, alguns pessoalmente. Abraços, apertos de mão, desejos de boa sorte, sucesso, felicidades. Tardou, mas foi bom também ver meu ex chefe próprio reconhecer que eles falharam em não aproveitar o que eu tinha pra dar ali. Oh well. Águas passadas.

Hoje no café da manhã, como de rotina fui com meu pessoal tomar meu café e a Simona tinha feito a crostata de damasco que eu adoro e ainda ganhei café free e uma plantinha da sorte. Lembrei da Bia e a planta do suíço dela. Suíço já curte uma planta, ne?! Mas eu gostei, tem um propósito, gostei pra caramba!

Então, a história com a planta é a seguinte... porque não é só uma plaaaanta! Tem todo um significado. É o bamboo da sorte. Na China, a tradição diz que essa planta tem um profundo significado espiritual. É um amuleto que de acordo com o Feng Shui, ajuda a liberar energias positivas ao redor do presenteado.

E olha, o negócio parece que faz sentido mesmo. Ainda pela manhã, quando eu tava lá separando papel pra reciclar e organizando as últimas coisas na sala, toca meu celular. Era da empresa nova... "Hallo, Frau Soares, podemos falar em Alemão?" .... "Ja, klar. Ich versuche mal." (sim claro, vou tentar...).

Entender é mais tranquilo, problema é se expressar do jeito que vc quer em Alemão! Mas olha, deu tudo certo. Meia hora de conversa esclarecendo detalhes importantes e me passando instruções dos primeiros dias. Vem muita coisa pela frente! Já começou também os trabalhos de cadastro de seguros, fundo de pensão, a papelada do visto, registro não sei aonde, policia federal, nossa, é tanta coisa!!! Agora é que vai começar a brincadeira. Não estou mais ilhada. Agora a imigração é completa.

Agora pergunte se eu tô achando ruim? Eu tô é distribuindo sorriso na rua. Ainda mais agora que tenho o resto do mês de férias, descanso, ainda com a mamys do meu lado me ajudando nessa transição tão importante na minha vida.

Brasil para principiantes

"Liana, pra que serve isso?" - perguntou todo mundo quando chegou à churrascaria brasileira olhando a 'pinça' em cima da mesa perto dos talheres, aquela que a gente pega a carne quando o churrasqueiro tá cortando com o espeto no seu prato.
"Como assim 'rodízio'...?".
"Mas passa uma carne de cada vez?".
"Mas meu prato vai ficar muito cheio!".
"Interessante esse sistema. Mas eu já estou satisfeito!" - quando ainda tava só nas linguiças e asa de frango.
"O que é isso??" - apontando pra farofa.
"Não tem batatas pra acompanhar?" - eu: "Não, só tem arroz!".
"O queeee????? Você come o coração da galinha???????"
"Pão de queijo? Ah, vou comparar com o que vc fez na sua casa!".
"Caipirinha, caipiroska e mojitos não são a mesma coisa?".
"Caipiroska de abacaxi? De kiwi? Oh my God!".
"Coxinha? Risole? Pastel? Hã?".
E não teve quem conseguisse pronunciar 'feijão' direito. Esse 'ão' é difição pra quem não é brasileiro, ne.

Essas foram algumas das pérolas de ontem, na minha despedida. Fui com o pessoal mais chegado na churrascaria brasileira aqui em Berna, a Brasil Grill. Não é barato, não é exatamente como no Brasil, mas o pessoal que trabalha lá é brasileiro, a caipirinha é de primeira, tem música brasileira de fundo e dá pra matar a saudade de uma picanha com alho e outras coisitas mais.

É muito engraçado ver que coisas que pra vc são tão naturais e para outros é tão fora da normalidade. A linguiça, o coração de galinha, o vai e vem do churrasqueiro com a carne no espeto.

A gente já tinha ido a restaurante indiano, tailandês, suíço, japonês. Desta vez, não poderia ter sido escolhido melhor local pra minha despedida. Eu nem almocei direito ontem só me guardando pra esse rodízio. Todo mundo adorou e comeu até se acabar. Fazer uma extravagânciazinha dessas só de vez em quando, em ocasiões especiais.

E ontem ficou então assim registrado o fim da minha jornada na UPU.
À plus!

So long, farewell, auf wiedersehen, good-bye


Quem é que ainda aguenta ler sobre o meu trabalho? Olha, agora é sério, tá acabando!! Até depois de amanhã ainda trabalho no meu atual emprego. É finalmente o final do aviso prévio. É claro que estou muitissíssimo feliz de estar saindo dali depois de tudo que aconteceu, principalmente porque meu novo emprego tá aí já batendo a minha porta e meu novo visto foi aprovado​ e tals. Passou-se 1 ano e 7 meses desde que comecei a trabalhar​ aqui na Suíça e muita coisa aconteceu desde então. No início, o emprego ​parecia ser o emprego dos sonhos e eu vim com tudo. Chegando aqui, o emprego continuou sendo legal, mas o trabalho mostrou-se bem diferente do que eu imaginava. O emprego versus o trabalho. Afinal qual outro emprego se tem 7 semanas de férias por ano? E onde não se paga impostos? E onde te ajudam pra aprender francês e alemão? Né?! Mas isso não é tudo, o trabalho, o dia a dia ali era outra história, e pra ter tudo isso eu tinha que trabalhar, óbvio. E para acentuar ainda mais as diferenças nas expectativas no trabalho e na execução das atividades diárias que não combinavam comigo, pessoas se mostraram diferentes do que eu imaginava. No meio disso tudo, eu tinha que continuar fiel a mim mesma.
 
Ali trabalhei com pessoas​ de tudo quanto é nacionalidade. Por muitas vezes, sem querer, quando eu tinha problema com alguém, eu tentava​ generalizar com "ah francês é tudo assim!", "ah romeno é tudo assim!", mas aí logo depois aparecia um francês pra quebrar minha regra, ou um romeno da mesma forma. A questão não é em si a diferença cultural ou a nacionalidade. Existe bastante diferença cultural ali, e sim, é difícil trabalhar e saber lidar com isso, mas mais ainda que as diferenças culturais, são as diferenças pessoais, que são ainda mais difíceis de lidar, o caráter, não importa qual seja a nacionalidade.
Acho que esse é o grande desafio de trabalhar fora. Porque quando vc trabalha num ambiente que todo mundo é "igual", da mesma nacionalidade, mesma região, os hábitos são parecidos, o jeito de falar é parecido, é mais fácil de haver mais afinidade, e aí facilita qualquer relacionamento no dia a dia. Aliás, quando é todo mundo da mesma nacionalidade já existe desavença, imagine quando é cada um de um jeito. Aqui, esse é o fator talvez mais difícil. Aliás, aqui até brasileiro também não ganha carta branca direto não. 
Quando se tem que trabalhar numa equipe com pessoas TOTALMENTE diferentes, em outro idioma que não é a língua materna de ninguém, que quando vc fala uma coisa, pra outra pessoa pode significar algo que vc não quer dizer ou ela simplesmente não entender, que ​é preciso filtrar não sei quantas vezes as palavras antes de falar, que não dá pra se entender só com olhares nem com sinais de legal com a mão ou um sorriso. Nada disso. O buraco é mais embaixo. É um aprendizado novo a cada dia. Todo santo dia. Cada um vem de um lugar e cada um aprendeu a trabalhar de um jeito, é uma gama muito maior de personalidades que há de se encarar, e tá aqui nesse meio de mundo tentando encontrar seu lugar sem saber direito como lidar com os outros. É tudo mais difícil. Como é difícil... e aí às vezes quem fica prejudicado é o próprio trabalho que não sai como deveria sair por conflitos entre as pessoas.
Vc se desentende, fica calada quando queria falar, fala quando deveria ter ficado calada, é mal interpretada, interpreta mal, suas chances de se explicar são escassas. É tão desgastante esse relacionamento profissional com colegas de trabalho no exterior, que as vezes eu me pergunto por que é mesmo que vim trabalhar aqui?! A que preço eu decidi vir abrir meus horizontes. Oh well, ainda assim, quando eu páro pra pensar, no fundo não me arrependo. Foco no objetivo, penso nas vantagens e no que já conquistei até aqui. Ninguém tem vida fácil, no Brasil seria outro problema. Se estou aqui porque escolhi, então vamo simbora pra luta do cotidiano.
Não, não foi fácil esse tempo, mas foi também de grande valia. 1 ano e meio de experiência no meu curriculo e na minha vida. Seja onde for e onde tenha sido, troca de emprego é sempre aquela coisa estranha, aquele clima de adeus, alivio de onde está saindo, e expectativa pro que vem por aí. Ali, apesar de grandes desavenças, tive uma grande experiência de trabalho, conheci ótimas pessoas​, comemorei bons resultados, cresci, aprendi. Mas pra tudo tem um fim. E o que é o fim de alguma coisa é o começo de alguma outra coisa, então cabeça erguida e vamos em frente que atrás vem gente!
No meu novo emprego, o ambiente será menos internacional. Não é uma organização (tão) internacional, e isso não quer dizer que será mais fácil. Os desafios são muitos. Mas isso fica pra outro post.
Quando eu cheguei aqui, não imaginei que aquilo ali seria só meu primeiro emprego na Suíça​. Não que eu não fosse capacitada pra conseguir outra coisa no país, simplesmente nunca tinha passado pela minha cabeça que aquilo ali era só mais uma fase, uma porta de entrada e que depois de um tempinho ali, eu ia sair pra trabalhar em outro lugar. Um tempinho menos que o 'planejado'. Não pensei nisso no começo. Eu vim pra ficar muito tempo. Tinha um contrato de 3 anos e minha intenção era passar pelo menos 3 anos ali, depois não sei. Nunca tinha passado pela minha cabeça que o trabalho não seria legal e que eu tivesse que interromper o contrato antes dos 3 anos. E olhe onde estou hoje. Por mais difícil que tenha sido lutar contra o que eu esperava que tivesse dando certo, hoje to aqui, tão feliz com um novo caminho inteiro pela frente, em um novo trabalho, em outra cidade. Aliás, andei dando uma olhada em anúncios de apartamento em Zurique, e ô cidadezinha cara, hein?! Jesus amado!
Queria agradecer aos votos de boa sorte e prosperidade nessa nova fase, e aos que me encorajaram de levar a viagem de Israel pra frente nessas minhas férias de agora. Se a minha mãe não tivesse chegando amanhã, eu acho que eu iria mesmo, como eu falei, numa vibe bem eat pray love e contaria tudo aqui, mas deixarei o eat pray love pro futuro, vou aproveitar os dias de folga ao lado de mamys que resolveu de última hora aproveitar os últimos dias de férias dela também, aqui do meu lado. Israel vai pra lista de espera, mas olha, espero que não demore muito tempo lá.
Eu já estou em clima de despedida, aliás pra mim já tá durando até demais! Já apaguei minhas coisas do computador, já levei minhas coisas que estavam na minha sala pra casa, já fiz o que tinha que fazer, só falta os dias passarem. E po, muito legal algumas pessoas virem falar comigo, compartilhar da minha alegria, me parabenizar, se despedir, querer manter contato, desejar boa sorte, até reconhecer minha coragem e tal. É muito especial isso. Porque quando vc sai de uma empresa em clima de conflito, de x contra y, no fundo no fundo todo mundo que tá assistindo termina ficando de algum lado, fazendo seus julgamentos, então vc percebe, vc sabe. E eu tenho consciência tranquila, limpa e cristalina que eu sou do bem, eu to do lado do povo certo e direito e o que eu fiz até aqui tava certo e era a coisa certa a se fazer. Então é bom também reconhecer quando essa coisa de apertar a mão e dar um abraço de despedida nessas horas é verdadeiro ou não, dá pra ver no olhar. Eu sei que faz parte, o mundo é cruel, mas essas coisas de botar panos quentes e falsidade não é comigo. Sei que nem todo mundo concorda com as minhas atitudes, do jeito que não me encaixei no meu time e não aceitei umas filosofias de trabalho meio erradas, me acha estúpida e inocente de sair e por a cara no mundo como eu faço mesmo, e outras até deixam escapar o olhar de despeito, mas eu sou assim. Posso até sofrer mais na vida por causa disso, mas oh well... Ah, se a gente vivesse pra agradar todo mundo, não?! Definitivamente eu não sou essa pessoa. O que importa nesse momento é estar tranquila de que é a coisa certa a se fazer e seguir em frente. Aconteça o que acontecer, doa a quem doer, eu estou partindo, e feliz da vida com as mudanças, graças a Deus!
Pra finalizar, hoje mais um jantarzinho de despedida com os amigos do trabalho em alto estilo, obaaa!

A música mais tocada do finde

P.D.F. - A origem do nome deste blog

Muita gente me pergunta o porque do título deste blog "Ela é americana...". Muita gente chega ao blog através de uma busca no google por "ela é americana". Então resolvi escrever um P.D.F. sobre o assunto.

Bom, pra começar, quem não sabe, a origem da expressão é da música de Alípio Martins, que pelo menos no Nordeste foi um cantor de muito sucesso nos anos 80, na onda de lambada, Beto Barbosa, aquela coisa toda. Marcou minha infância, quando eu, minha irmã e minhas amigas da rua ouvíamos no rádio e cantava, dançava. Quando eu cresci e morei em Recife, como vcs sabem e quem não sabe fica sabendo agora, Recife é uma das cidades mais musicais e culturais que eu já vi. Eu trabalhava no Recife Antigo e mesmo em dias de semana quando ia almoçar ou andar pro estacionamento pegar meu carro, tinha sempre um ensaio de maracatu ali, um boteco tocando brega aqui, e no fim de semana o Recife Antigo fervia com tudo quanto é tipo de festa. Morando em Recife, voltei a ouvir Alipio Martins e vários outros mestres do ritmo brega, uns horrorosos e outros muito engraçados.

Quando passei a dar aula de inglês em 2001, meus alunos costumavam me dizer que eu parecia uma americana falando, devido ao meu sotaque do tempo que passei nos EUA. Mesmo só 6 meses, adquiri o jeito americano de falar inglês e permanece até hoje. Até que um aluno muito engraçado cantou essa música na sala de aula pra mim de brincadeira, e depois alguns amigos brincavam comigo com essa música, em Recife.
As professoras de inglês. Recife, 2001.
Eu e a Sheri, minha "mãe" americana. Intercâmbio em Minnesota, EUA, 1998.
Até quando num amigo oculto de Natal da minha família, quando meu amigo oculto foi dar dicas de quem ele tinha tirado (eu), ele simplesmente pegou o celular e tocou essa música e todo mundo sabia que era eu!

Por muitas vezes músicas assim tocavam de fundo quando estávamos em algum lugar, então me lembra festa, farra, Recife, um barzinho, um boteco com amigos, bagunça, minha família, e me traz muitas recordações boas.
Farra com amigos. Natal, 2008.
Burburinho. Recife, 2006.
Guaiamum Gigante. Recife, 2004.
Como a letra diz, eu sou sim americana, mas da América do Sul. Aqui mesmo na Suíça várias pessoas já vieram me perguntar "are you american?", e eu respondo "yes, south american", e elas ficam olhando pra mim meio duvidosas, pois o termo "americana" normalmente é usado pra identificar americano dos EUA, e não nós sul-americanos, o que, cá pra nós, é um pouco de audácia isso, pois a América é um continente inteiro dividido em duas partes (norte e sul) e todo mundo que é dali é americano, só que uns norte-americanos e outros sul-americanos, certo? Então, por que chamar os norte-americanos só de americanos, quando ainda existe todo o resto do continente?

Deixo aqui então a música de Alipio Martins:

Colher de chá

Estou me sentindo tão leve​ depois desse aperreio do trabalho. Eu tava até com queda de cabelo e sola do pé descascando de nervoso e ansiedade. Agora, graças a Deus, to melhor. Agradeço imenso as palavras de incentivo, apoio, coragem e boa sorte de quem me lê por aqui, muito legal isso, gente. Já vi que o que escrevo aqui às vezes também serve de incentivo e motivação a algumas pessoas, então é melhor ainda.​
 
Estou no finalzinho do meu aviso prévio, AMEM SENHOR! Os 3 meses só acabam mesmo no final de fevereiro, mas como eu ainda tenho dias de férias pra tirar, os últimos dias do mês serão longe do trabalho. To esperando chegar meus papéis pra resolver direito o que vou fazer nesse tempo livre. É tanta coisa pra resolver que eu acho que..... ...vou fazer uma viagem pra espairecer!!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....... não, não sei ainda. De verdade de verdade mesmo, queria aproveitar os 10 dias de folga pra ir a Israel, numa jornada bem eat pray love, sabe como é? mas ainda não resolvi nada. Sei la ne, não sei quando vou poder tirar férias no emprego novo. Mas pensei também em usar esse tempo pra me organizar, ir a Zurique me familiarizar mais com a cidade, o trajeto, os arredores, começar a pensar na mudança e tal, mas ao mesmo tempo penso que vou ter que fazer esse percurso tantas vezes que a familiarização vai vir de todo jeito e eu posso aproveitar melhor o tempo. Se eu fizer isso, talvez daqui a algum tempo eu ache que deveria ter aproveitado melhor esses dias. Oh well, não sei ainda o que fazer. Se a passagem pro Brasil não fosse tão cara eu ia lá rever minha família e recarregar mais as energias. ...e pegar um bronze, ne, porque olha...
Pensei também em só descansar, aproveitar os últimos tempos aqui em Berna mesmo, terminar de ler 'O Andar do Bêbado' (a propósito, achei que fosse melhor), assistir uns filmes (meu blu-ray de Tropa 2 está a caminho, yay!!), andar pela cidade, praticar alemão com a minha tandem que tá indo muito bem, arrumar minha casa e relaxar. Mas, de novo: não sei ainda. Tô tão leve e relaxada que seja lá o que eu for fazer, tá tranquilo. No stress, oder?! Stress já passou.
Até a natureza tá cooperando com o bonito desfecho dessa novela toda, hoje é o 6o dia que só faz sol e céu azul aqui na Suíça. Apesar de de manhã cedo ser ainda bem frio, a tarde a temperatura chega até​ 12 graus e se ficar no sol dá até pra tirar o casaco. Muito incomum pro mês de fevereiro. Mas como o inverno chegou cedo, a gente bem que merece essa colher de chá a essa altura do campeonato. Ninguém merece esse inverno rigoroso o tempo todo. Daqui a pouco começa a primavera, VIVA! Mas também essa previsão aí de 16° acho que é exagero já. Sem querer ser negativa, aposto que daqui a pouco vai virar e a neve vai cair de novo, como aconteceu ano passado.
Essa semana foi uma das semanas mais tranquilas dos últimos tempos. Desde segunda-feira que eu tô assim naturalmente de bem com a vida, e apesar de os carinhas do trabalho ainda me pentelharem com coisas do trabalho atual, eu to na minha, só tenho que aguentar mais um pouco, então to civilizadamente terminando de deixar pronto o que eu comecei, finalizar meus testes pra ​o próximo sorteado que ​for trabalhar lá, e nada mais que eles façam pode destruir esse meu momento​ de alegria. Meu chefe resolveu ir passar 2 semanas no Uruguai resolver umas coisas que eu nem sei o que são no escritório lá em Montevideo, então acho que this is good bye. Só mais umas reuniões com RH, acertos finais e adios!
Ontem a tarde fui ao dentista, e aí sim, tá aí uma coisa que me tira a alegria de viver: ir ao dentista. Argh!!! Odeio. Ir ao dentista em alemão, pior ainda. Desde que cheguei aqui​, tive 3 cáries novas, o que não é muito normal, já que até então só tinha tido 1 cárie na vida. Minha irmã diz que é a idade, mas eu prefiro acreditar que é efeito colateral do clareamento que fiz antes de vir pra cá que enfraqueceu meus dentes. Usei aparelho quando era adolescente e achei que seria bom tirar de vez as marcas remanescentes dos ferrinhos. Agora, tá aí, to pagando. Literalmente. Mas tudo bem. Pelo menos tenho como pagar.​ Só que engraçado que ontem fui ao consultório e o dentista que me atendeu não foi o dentista que sempre me atendia e fez todas as outras restaurações. Era um outro. Beleza, no problemo. Marquei essa consulta porque quando tava em Berlin senti que quebrou um pedaço do meu dente, e tava ficando cada vez mais sensível. Ontem lá, o dentista disse que era o mesmo dente que tinha a restauração esse que quebrou, e a restauração foi que quebrou um pouco. Opa, peraí! Fiz aquela restauração há 3 meses atrás e já quebrou? O dentista ficou todo errado porque o colega dele que tinha feito o serviço. Mas, olhe, ele deveria saber melhor como reagir em situações como essas, viu, porque ele veio com uma história feiosa pra cima de mim. Veio me dizer que naquele dente tinha já outra restauração antiga por debaixo da outra e que tinha enfraquecido a nova e por isso tinha quebrado, e que era comum com restaurações antigas e blah blah blah... oxe, meu amigo, aquele dente só teve uma cárie e a única restauração que já foi feita nele (ever) foi aqui nesse consultório há 3 meses atrás! ALooouu!!! Resposta dele: "ah, vai ver vc tinha 6 anos e não lembra...!".... o queee?!?!?!?! Ahahahahahahahaha...... a boca é minha, os dentes são meus, e eu não lembro ​o que se passou com ela?!?! Sou louca é? Meu irmão, primeiro lugar que com 6 anos a pessoa tem dente de leite ainda, e segundo, eu só tive 1 cárie antes de vir pra cá, e não foi nesse dente, entendeu?!? Ai ai... olhe, sei não... fiquei parada olhando pra cara dele sem acreditar que eu tava ouvindo aquilo... mas como também acho que ele não sabia onde enfiar a cara das merdas que tava dizendo e quanto mais ele falava pior ficava, tive pena e aceitei a 'garantia' do serviço anterior, não paguei nada e fui pra casa sorrindo tronxo com a boca anestesiada ainda. É cada uma... Lista de coisas a fazer: procurar outro consultório odontológico!
Tomara que depois dessa esses dentes me dêem também uma colher de chá e parem de inventar cáries porque serviço odontológico aqui é muito caro!!! E eu ODEIO ir ao dentista. Fico tensa, fecho o olho, devo ficar com a maior cara de desespero lá. Deus me livre. E a minha amiga ainda queria que eu fosse a academia depois! Nada. Vou é pra minha casa. Pior que, não sei o que é, essas anestesias daqui duram muito tempo! Não sei se é azar ou é efeito psicológico, mas todas as vezes que fui ao dentista aqui fico depois horas e horas ainda com a boca dormente. Horrível! Fui jantar ontem e nem sentia o gosto da comida quando mastigava de um lado. Pior foi de outra vez quando fui beber águia no copo e derramou tudo porque não sentia a boca direito. Afe...
Ontem já que matei a academia, fiquei em casa de bobeira. Eu sou assim, do mesmo jeito que adoro ter coisas pra fazer todo santo dia depois do trabalho, fds, viagem, correria maior do mundo, tambem adoro ir pra casa, passar o finde inteiro em casa no meu canto comendo porcarias, ler, ver tv, curtir meu espaço. Aí já que meu pc inventou de sucumbir aos poderes de um virus maligno que me atacou, domingo passado tive que formatar meu pc e não tinha backup das medias, perdi todos os filmes e series que tinha baixado pra ver, e ainda não tive saco de sentar e baixar de novo. Pelo menos antes de isso acontecer, deu tempo de assistir 'The King's Speech' que tinha baixado, e que filmão, hein, adorei. To torcendo pra ganhar o oscar e o Collin Firth tb.
então que já que perdi as coisas que tinha baixado pra assistir no meu hd, segui a sugestão de uma amiga e fui começar a assistir a novela da globo pelo youtube, Insensato Coração; mas a qualidade é tão ruim que eu só assisti ao primeiro capítulo todo quebrado aos trancos e barrancos. Não sou fã de novela assim pra tamanho sacrifício. A última novela que realmente acompanhei acho que foi Senhora do Destino. Mas quem tiver a senha da globo.com e quiser me dar pra eu pelo menos tentar assistir numa qualidade melhor e sem cortes, eu aceito. Porque aqui até tem a Globo Internacional na TV a cabo, mas não faz parte do pacote que eu tenho nem de pacote nenhum. Pra tê-la, só ela é 38 francos a mais por mês, então não obrigada, vivo sem ela. 
As novelas alemãs são uma vergonha. Tentei assistir pra praticar meu alemão, mas são péssimas histórias, péssimos atores. Não dá pra confiar muito também numa novela que já dura décadas chamada 'Verbotene Liebe' (Amor proibido) ou 'Gute Zeiten, Schlechte Zeiten' (Bons tempos, maus tempos). Mas pior mesmo é assistir 'Wilde Rose', a famosérrima Rosa Selvagem, sim, aquela mexicana que passava no SBT há séculos atrás, só que dublada em alemão. Ninguém merece. É tão ridículo que chega a ser engraçado.
Aí mais tarde ainda inventei de assistir o jogo do Brasil só pra ter raiva. Alguém merece assistir ao Brasil perder da França ainda sendo narrado em francês? Não, né?! Pois é, também acho. 
Pelo menos enquanto assistia e percebi antes de terminar o primeiro tempo que daquele mato não ia sair cachorro, resolvi fazer as unhas. De uns tempos pra cá, tenho me metido a tentar fazer, porque ficar indo a manicure aqui não tem condições, muito caro também. No Brasil, ia quase todo fim de semana, mas a 10 reais dá, ne. Aqui cada vez que fazia a unha era 10 vezes isso. NO WAY! Aí comecei devagar só lixando e passando​ base. Comprei uma canetinha de care pra cuticula e sabe que até funciona? É da marca Alessandro e as cuticulas somem, uma beleza. Aí depois passei a pintar de cor clara, porque quando pintava com a mão direita até ficava legalzinho, mas com a mão esquerda, aff uma negação, ficava tudo borrado. Mas fui insistindo, devagar, apoiando a mão, até ir sentindo mais confiança e pintar de vermelho! uau, que avanço! É, ne, não ficou ohh que perfeito, mas dá pro gasto. Olhando de longe fica bonito hahahahaha... aí ontem pintei de roxo. Comprei um conjuntinho no duty free do aeroporto de Genebra de esmaltes da Dior e são uma belezinha. Quem mora só, e na Suíça, tem que se virar como pode. Agora além de tudo também sou manicure!​

É pra frente que se anda!

Q​uando alguma coisa começa, a gente não pensa em como ela vai acabar. Qualquer coisa que seja. Um relacionamento, um emprego, uma amizade, uma mudança de apartamento. Ficamos empolgados, fazemos planos, tudo tim tim por tim tim achando que estamos no controle. Aí começa. O novo relacionamento, o novo emprego, a nova amizade, a nova morada. E com o passar do tempo, tudo deixa de ser novidade. O que no início enchia os olhos começa a ser incomodado por coisas que antes não ​víamos. Será que elas sempre existiram?Passamos a ver nossa nova empreitada com alguns problemas e passamos nossos dias tentando resolvê-los, melhorá-los, curá-los. Cabe a cada um enxergar se vale a pena lutar, manter a luta ou se dar por vencido e encarar mais uma mudança, uma renovação, ou um fim. Começamos a pensar então na nossa vida sem aquele relacionamento, sem o emprego, sem a amizade, em (mais) um novo apartamento... E nos damos conta que não é a primeira vez que aquilo acontece. Provavelmente não será a última? A verdade é que tudo tem um ciclo. Ciclos se renovam ou não.
Depois de contar a odisséia no maior posto da história desse blog, que foi esse fim do meu trabalho atual, aliás depois de reclamar tanto aqui sobre o que não gostava nele, ne. O trabalho em si, já contei por aqui, não é mal, seria até bacana se fosse feito direito. Como ninguém trabalha sozinho, o trabalho que depende do meu não combina com meu estilo de trabalhar, algumas pessoas não vão com a minha cara e vice versa e terminou que a grande razão de eu ter vindo morar na Suíça - meu trabalho - estava sendo a pior parte da minha vida hoje aqui.
E o que é que se faz numa situação dessas? Fico frustrada, fico triste, fico desapontada, fico, claro. Mas não me dou por vencida assim tão fácil. Vou me trancar no meu quarto e dar as costas pro mundo? NÃO! Investi tudo que construí até hoje pra estar aqui. Larguei tudo, tudo mesmo, e vim pra cá achando que tava fazendo certo, que merecia essa oportunidade, que eu precisava dessa experiência, que iria crescer profissionalmente, eu queria isso. Larguei tudo sem pestanejar. Vendi meus móveis, meu carro, devolvi meu apartamento em Recife, defendi minha dissertação de mestrado, me organizei toda e vim. Comecei tudo do zero achando ótimo. Não conhecia ninguém. Não sou casada com gringo. Não tenho tia casada com ninguém que conhece fulaninho. Vim bater aqui por mérito meu. Beleza. Lindo. Maravilhoso. Tudo ótimo mesmo. Tudo começou muito bem. E, como vocês já sabem, nem tudo teve um rumo tão legal assim. Me desentendi com meu chefe, uma alemã queria mandar em mim, houve uma reorganização de departamento. Em tudo, vi chances de mudança, de melhorias, conversei, expus minhas idéias, participei de reuniões que não deram em nada, e no final, não me restou nada a não ser constatar que eu não tava saindo do lugar.
Sim, fiquei muito frustrada. Mas graças a Deus a vida aqui foi legal comigo e me deu outras coisas pra não acentuar tanto minha decepção com o trabalho. Namorei, fiz amigos, viajei, fui pra farra, aprendi francês. Me distraí da melhor maneira quando estava longe do trabalho. Mas todo santo dia era a mesma coisa. Eu tinha que trabalhar pelo menos 8 horas por dia num projeto que não me interessa, que não me acrescentava em nada, não gosto, e as pessoas que trabalham comigo não são legais. Era a hora de tomar uma atitude e começar a pensar no fim dessa situação.
Meu status aqui na Suíça por trabalhar numa organização internacional tem suas vantagens, mas tem desvantagens também. E​u não fazia a menor idéia de como seria pra mudar esse status. Questões legais, sabe. Sou brasileira, cidadã não-européia e meu cartão de diplomata está atrelado ao meu trabalho. Sem trabalho, sem cartão, Alô Brasil novamente? Não! Não queria voltar agora. Que que eu fiz? Fui procurar emprego...
E como é desgastante essa coisa de provar que você merece, que você é bom, é isso, é aquilo. Bom, pelo menos deu certo. O que eu podia fazer eu fiz. Foi um stress danado, porque apesar de não conseguir pensar em nenhum motivo que poderia ter dado meu visto como negado, nunca se sabe, ne, vai que o cara que tá lá com meu processo não vai com a cara de uma brasileira que mora no prédio dele e nega meu querido pedido porque também sou brasileira. Sei lá ne... Por outro lado, foi a empresa que está me contratando que deu entrada com o visto lá, então é "mais fácil" de conseguir porque eles têm lá as manhas de provar que eu sou a melhor candidata para aquela vaga e nenhum europeu no momento é melhor que eu, sacou aí como funciona? Pelo menos é o que todos dizem. Negócio também é que não pode parecer que eu estou "roubando" a vaga de um europeu, apenas estou ajudando aqui com minha experiência no país que no momento não dispõe de ninguém pra fazer isso, nem ninguém na UE que é sempre prioridade antes de sul-americano, indiano, etc. Mas já ouvi falar de vários casos de pessoas altamente capacitadas com um contrato assinado na mão e ter seu visto negado. Fiquei muito tensa.
Não quero cuspir no prato que comi. O local que trabalho hoje tinha tudo pra dar certo, é um empregão, muitos benefícios legais e tal, eu vim pra cá pra passar o resto da vida, mas infelizmente pra minha pessoa não deu certo, não bateu. Sou muito grata pelo tempo que passei ali, aprendi muito, bla bla..., mas finalmente vou poder me libertar de um trabalho que no fim não tem nada a ver comigo e vou poder partir para novos ares, começar de novo em mais uma oportunidade de viver e trabalhar em paz com o que eu estou me propondo, que na verdade é o foco do que eu vim fazer aqui. Podia muito bem continuar indo lá fazer o feijão com arroz e ganhar meu salariozinho bonitinho, mas eu não queria ter de me acomodar e continuar trabalhando no meu emprego atual e odiando, mas contentinha só porque estou ainda na Suíça. Ia me tornar uma profissional medíocre. Tudo que eu estudei foi pra isso? Não, não é isso que eu quero. Essa não seria eu. E pra que? Quando tem um mundão aí pra ser explorado, tantas oportunidades, logo eu ficar parada por que? Eu não! Quem fica parado é poste! Estou muito feliz com as expectativas do novo job. Muito mais desafiador, dinâmico, muito mais a oferecer. Estou empolgadíssima!!!
E assim vou encerrar mais uma fase e começar mais outra nova, com novas promessas, novas descobertas, novas histórias que ainda não sei como vão se desvencilhar​, novos personagens vão aparecer, sem pensar como vai acabar e no que é que vai dar. E mais um ciclo vai se iniciar. C​omo disse Walt Disney, o difícil não é chegar lá em cima, é deixar de subir.

A epopéia

Não sei nem por onde começar minha epopéia que hoje, posso dizer, gradiosa e heróica. Um fato histórico! Mais uma virada na minha vida! Foi tanta coisa que já escrevi aqui sobre o meu trabalho e os stresses que me fizeram procurar outra coisa, que eu tb já tô cansada de vir chorar minhas mágoas aqui. Mas como essa história está tendo um desfecho bonito, vale a pena contar os detalhes.
 
Eu cheguei aqui há 1 ano e 7 meses muito contente, sorridente e pronta pra o que me mandassem fazer. Apesar de ser da área de testes, o que fazem aqui não é bem teste, mas sim tentar usar o sistema postal ​pelo avesso, e tipo, eu não sou dos Correios, cheguei aqui sem saber o que é uma categoria ou uma classe de mail. Eu não sei se não estavam preparados pra minha chegada ou se achavam que eu já soubesse alguma coisa, mas não houve nenhum treinamento, introdução, ninguém sentou do meu lado pra explicar o processo que está implementado nesse sistema, como as coisas funcionam, nada nada. Então por isso e pelo que eu já vi até então, hoje eu acho que é porque o departamento​ precisa de uma séria reestruturação. Não sou a única que está deixando o PTC. Comigo nessa leva, estão saindo mais 4. Todos insatisfeitos com a experiência aqui.
Além de problemas iniciais de gerência geral, do meu gerente em especial e da sua falta de atitude em situações importantes, ​de algumas vezes me certifiquei que o problema era também pessoal, como eu contei aqui em situações como a da janela aberta, do bom dia e da alemã dando em cima do meu ex namorado.​ Coisa de louco.
Passei a me sentir tão retraída e indesejável que passei a questionar meu trabalho, a qualidade das minhas tarefas, e aí se vc não tem um chão forte, vc pode se quebrar todinha. O problema não era o meu trabalho, não era questionar se eu estava fazendo um bom trabalho. O problema era um conjunto de coisas que precisava ser resolvido. Tentei reunir o meu time, pensei e sugeri idéias e novas formas de metodologias de testes que podíamos usar pra tornar o resultado do nosso trabalho mais visível e interessante. No começo até dava certo e eu me enchia de esperança achando que ah, agora vai. Não vai nada, não ia nada, não foi nunca! Poucas semanas depois, só eu continuava a seguir minha sugestão e todo mundo já nem falava mais no assunto, e por mais que eu tentasse manter vivo o espírito de equipe, por vezes fui queimada com grosserias e falta de educação e profissionalismo mesmo dos meus companheiros de time. Um absurdo sem fim. A gerência nessa hora estava ocupada e preferia não se envolver. Péssimo. Fiquei descoberta. Fiquei desiludida, triste, chateada, saía do trabalho e ia pra casa, chorava, me questionava, e o pior, comecei a questionar minhas atitudes e meus planos de ter saído do Brasil e ter vindo pra cá pra passar por isso? Não podia ser.
Meu semblante mudou. Não ia mais pro trabalho contente e esbanjando simpatia nos corredores. Agora eu era séria. Como a maioria do povo que trabalha ali, pra falar a verdade. Fiz amizade com pouca gente no trabalho, mas as que fiz, são as mais alegres e simpáticas de lá. Afinidade, ne. É claro que ninguém é feliz e sorridente o tempo inteiro, mas pessoas alto astral. Tem gente ali que é baixo astral e mau humorado todos os dias! Não sei como é que pode. Mas tudo bem, cada um é cada um. Como não é da minha natureza me entregar à tristeza e a situações que não são ou estão do meu agrado, sempre termino dando um jeito e mais cedo ou mais tarde o jogo vira. A melhor e única coisa que eu poderia fazer pra reverter esse quadro que estava acabando com a minha saúde, era simplesmente mudar de emprego. Tentar outro. De novo.
Conversando com uma das minhas melhores amigas de Recife, ela disse uma coisa que me encheu de energia e forças pra levar a cabo mais esse plano. Ela me disse que, na verdade, são poucas as pessoas que fazem o que a gente faz, que botam a cara pra bater todo santo dia, sai sim sorrindo pra Deus e o mundo nos corredores, na rua, que tenta manter uma boa atmosfera, sem falsidade, gente do bem, que mudam de vida e começam do zero quantas vezes forem necessárias e não têm medo de falar a verdade na cara, de se aventurar por aí e de ser absolutamente transparente, se tiver feliz ou se tiver muito puto. As pessoas aprenderam a tirar proveito das outras, a serem dissimuladas, falsas, oportunistas, e, o pior de tudo, invejosas. Eu (e ela) não me encaixo nisso, meus valores são outros, e sinceramente prefiro que seja assim. Prefiro que as pessoas se afastem de mim porque eu sou certinha, e não porque eu sou uma porra louca. A gente tem que brincar quando tem que brincar, e levar e ser levada a sério quando é pra levar. E caráter de pessoas é uma coisa muito complexa.  Afeta no trabalho, afeta na vida pessoal, afeta em tudo. E quando se mora fora do seu país de origem, numa organização internacional onde tem gente de tudo quanto é nacionalidade e cultura diferente, tentar achar um denominador comum da minha personalidade com a dos caras que trabalhavam comigo, REALMENTE foi uma missão não cumprida. Não foi possível. Eu desisti. Desisti, po. Não tô aqui pra consertar o mundo. Várias pessoas já me disseram que eles têm issues, são esquisitos, então po, vá se tratar, não dá pra ficar relevando tudo e aguentando patada, falta de profissionalismo e tapando o sol com a peneira. Eu vim pra cá pra trabalhar. Quer ser esquisito? Ótimo, mas me deixe fazer meu trabalho. Não deu mesmo. Chega. Depois dessa, estava convencida que ali não era meu lugar.
Lembro que foi num fim de semana muito ensolarado de setembro, veja como faz tempo... eu acordei tarde no sábado, sentei​ na frente do meu computador​ e fui ajeitar meu currículo.​ Lutei comigo mesma em ficar ali sentada procurando a melhor maneira de vender meu peixe e escrevendo ​minha experiência, quando no fundo no fundo, o que eu mais eu queria ​era que tivesse dando certo esse emprego aqui, e eu não queria estar tendo que fazer e passar por tudo isso de novo, porque convenhamos, é um stress da bixiga essa história de procurar emprego.
Lutei comigo mesma e venci. No domingo a noite, meu curriculo tava pronto. Nas semanas seguinte, eu saía do trabalho e quando não tinha curso de alemão nem de francês, ia pra casa​ procurar emprego. Saí em busca de vagas na minha área freneticamente, buscando em tudo quanto é site, mas não queria simplesmente mais um emprego, uma fuga do que eu tava passando e mudar pra qualquer um pra daqui a pouco tá passando por problema parecido. Eu queria e quero ainda um lugar onde eu esteja realizada, onde posso fazer o que sei fazer e sair satisfeita. Claro, não existe o emprego dos sonhos, mas diante da minha realidade, decidi só mandar mesmo meu curriculo se a vaga de fato combinasse comigo.
Eu sabia desde o início que não seria nada fácil. Não era nada fácil encontrar uma vaga que se encaixasse no meu perfil, da qual eu fosse seleciona​da, que aceitassem meu alemão quase bom, que a empresa ainda estivesse disposta a bancar a novela de conseguir um visto pra mim? A-Ha-ha-ha... missão quase impossível, ouvi dizer. Me senti numa encruzilhada, onde não sabia​ se era mais difícil pra mim continuar aqui ou encarar a saga e enfrentar todos os desafios de cabeça erguida e, é, isso mesmo, eu quero tudo isso, um emprego que se encaixe comigo, que aceite meu alemão do jeito que ele é (e como ele pode melhorar) e que banquem esse bendito visto pra mim. Exatamente! Era isso que eu queria.
Antes de tudo, entenda: minha permissão pra trabalhar no meu emprego atual na Suíça é só pra esse emprego. Acabou, acabou, tchau, tenho que voltar pro Brasil. Outro emprego aqui, só se uma empresa estiver disposta a 'patrocinar' um novo visto e entrar num intenso processo com o governo pra isso, e não é toda empresa que se dispõe a fazer isso ou que tenha cacife pra isso.
Mandei meu curriculo para 4 vagas. Recebi retorno das 4. Tudo na Suíça. O primeiro de todos, acreditem, foi esse que deu certo (Deus é pai!). Mandei meu currículo e esperei. O segundo era numa empresa em Basel, ​me chamaram pra ir lá fazer entrevista cara a cara, eu fui, e quando tudo parecia muito bom, muito bem, dias depois, retornaram dizendo que como eu não tinha visto pra trabalhar aqui, eles não iam entrar num processo com o governo porque era muito complicado, então 'boa sorte'. Massa. Fiz outra entrevista pra outra vaga e com a conversa, vi que o trabalho não era exatamente o que eu pensava que era, mas continuei firme no processo mesmo assim. Algumas semanas depois, mandaram email dizendo que a empresa não ia mais contratar ninguém, o processo seletivo estava suspenso. Beleza. O quarto que fiz, era um emprego em Lucerna, mas eu não gostei muito da vaga também não. O cara que fazia entrevista comigo era gago e mal conseguia explicar direito o que eu ia fazer. Sério, como colocam uma pessoa que é gaga pra fazer seleção? Ai ai, sei não... Então me vi somente no processo seletivo da primeira vaga que encontrei e mandei meu cv.
No processo seletivo, marcava entrevistas pro final do expediente, saía do trabalho correndo e graças a Deus moro perto do trabalho, 17h tava eu em casa fazendo entrevista por telefone. Sem brincadeira, foram 5 entrevistas pra essa única vaga! Primeiro fiz entrevista com o RH aquelas só pra saber se vc não é louco. Depois fiz outra entrevista com RH já perguntando mais coisas e qual a minha intenção de faixa salarial, pergunta que eu odeio responder no início do processo, porque se vc fala um valor muito alto, eles podem te descartar logo, e se fala um valor muito baixo, eles acham que vc é ruim e não se valoriza. Loucura, loucura. Passada a 2a entrevista, fui chamada pra fazer então finalmente a entrevista cara a cara em Zurique com 3 gerentes, mais uma prova, e tudo duraria uma tarde inteira. Aproveitei que minha mãe ia chegar no aeroporto de Zurique no final da tarde do mesmo dia, e tirei a tarde livre no trabalho com a desculpa que ia buscá-la no aeroporto, e 1h da tarde estava lá eu bonita e perfumada pra minha entrevista.
Fiz uma prova, respondi perguntas técnicas, fiz entrevista com o cara que vai ser meu chefe, depois teve um intervalo, depois veio o chefe dele me entrevistar (em alemão!!!) e explicar a dinâmica da empresa e no final da tarde depois de um cafezinho quando eu realmente já tava ansiosa pra ir pro aeroporto buscar mamãe, ainda chegou o chefãozão conversar comigo e fez perguntas bem gerais assim, só pra me conhecer melhor e ver se eu me encaixava no espírito da empresa. Terminei, apertei a mão de todo mundo e voei pro aeroporto. Busquei mamãe, fiquei feliz da vida, tirei férias, viajamos eu e mamãe pelo leste europeu, fiquei maravilhada, conheci lugares incríveis, mas voltei pra Suíça e pra realidade, mamãe foi embora e recebi o resultado positivo! Passei na entrevista e prova cara a cara e agora vamos às negociações.
Tudo isso acontecendo e enquanto isso o bicho pegando no meu trabalho atual, mas tudo bem. A vida é assim, com emoção. Stress de um lado, tensão de outro. No meio disso tudo, ainda acabei o namoro com o suíço. 
Eu não sabia sei como funciona questão de imposto, descontos no salário e tal, então não queria acertar um salário abaixo do que eu poderia ganhar. Porque no meu emprego atual não pago imposto, sou meio ilhada da vida na Suíça, não sei como funciona nada, e esse também é um dos motivos pelo qual não é muito interessante trabalhar em organização internacional se vc tem intenção de passar muito tempo num país. Então tá. Então depois de nada mais nada menos 3 semanas de ligações, troca de emails, muitos e muitos esclarecimentos de férias, benefícios, descontos, impostos e etcetera e tal, tive a coragem de dizer que não, que não tinha certeza se valia a pena e tal, e a mulher do RH disse então que conversaria com a chefa dela pra ver o que poderia ser feito. Ora, quem não chora não mama, mas eu não sabia que tinha também tanta energia e valentia pra continuar firme e forte na minha posição. Mais algumas trocas de emails e telefonemas, e o comprometimento deles de que iam assumir o tal do processo do visto pra mim com a Suíça, eu disse SIM! 
Pronto! Sealed the deal! Era minha a vaga!!! Feliz da vida fiquei.
Mandaram pra mim pelo correio o contrato e vários outros papéis pra eu assinar. Assinei tudo, mandei de volta e na última semana de novembro, o governo suíço recebeu então o processo de pedido do meu visto de trabalho que a empresa fez. Tava feito. Não tinha mais volta.
As coisas no meu trabalho atual iam de mal a pior. Desentendimentos, falta de comunicação, interação e paciência pra lidar com tudo que eu já tinha visto que não tinha jeito de melhorar, reli as cláusulas do meu contrato e vi que havia ainda a bendita questão do aviso prévio de 3 meses. A empresa nova queria que eu começasse lá 1o de Fevereiro. Ora, impossível! Eu tinha que cumprir os 3 meses e pra isso, só poderia começar lá 1o de março SE pedisse demissão imediatamente. E assim foi. Eles aceitaram mais uma vez minha condição, mudamos a data de início lá pra 1o de março e eu, sem saber se o visto seria aprovado, sem saber se seria possível assumir esse emprego lindo e maravilhoso que eu tanto queria, tive que juntar todas as minhas forças e finalmente terminar com este capítulo da minha vida e pedir demissão do meu emprego atual.
Meu chefe ficou de boca aberta. A mulher de RH nem conseguia olhar na minha cara. O que??? Sair daqui??? Como??? Por quê??? SIMMMM!!!! Sair........ Era aquilo mesmo que eu estava dizendo. E eles nada mais poderiam fazer. E eu precisava correr o risco de ter o visto negado e ficar sem uma coisa nem outra e ter que arrumar minhas malas e voltar pro meu país. Sufoco total.
Poucos dias depois da minha demissão, quando eu estava começando a dar sinais de fraqueza, que comecei de novo a duvidar das minhas atitudes e me perguntar se eu tava louca de tá me arriscando tanto e perder tudo que construí até aqui, meu diretor me encontrou no corredor e me chamou pra conversar, queria saber porque eu estava saindo. Ah, ele talvez tenha se arrependido de ter puxado o assunto, porque eu falei.... E ele ouviu. Falei tudo, tudinho, dos problemas da gerência a falta de educação dos caras do meu time e ele nem se surpreendeu muito viu. Como um anjo pra me acalmar, me ofereceu a possibilidade de não entregar a carta de demissão e tentar reverter o quadro. Queria uma reorganização imediata do time, redividir tarefas, responsabilidades. Foram 3 semanas que eu 'ganhei' de mais tranquilidade por ainda estar segura de não ter ainda pedido demissão, mas de tensão extrema de reuniões todo santo dia com os caras malas do meu time pra ver se conseguíamos mudar algo que eu já sabia que não tinha jeito.
Quando o prazo se esgotou, e zero notícia de visto, tive que me decidir se pedia demissão ou não, e o prazo dos 3 meses seria acordado como se eu já tivesse pedido demissão quando queria, incialmente pra poder assumir o novo emprego 1o de março. É, não teve jeito, eu tinha que fazer isso. O risco era necessário. Pedi a demissão. Fiquei vivendo nessa corda bamba desde dezembro do ano passado. Passou Natal, Ano Novo, e eu sem saber se teria que voltar pro Brasil, achei melhor me arranjar por aqui nessa época de festividades. Fui pra Irlanda, e a melhor coisa que eu fiz foi ter aproveitado a promoção da easy jet e ter arrumado as viagens pra Berlin e Amsterdam em janeiro, e ter recebido a visita de Antonieta em um fim de semana de janeiro, e assim, me mantive ocupada todos os fins de semana, me cansando bastante, pra não me deixar abater e me preocupar pela longa e temerosa espera do visto.
Ontem FINALMENTE graças a Deus, tive a tão esperada notícia que meu visto foi aprovado, minha gente, que está tudo bem, posso ficar na Suíça, e melhor de tudo, posso assumir meu novo emprego, como planejado, como esperado, e assim mais uma vez, recomeçar! E recomeço. Recomeço quantas vezes forem necessárias! Estou muito, gente, mas muuuuuuito feliz que tenha dado certo isso e que vou poder dar essa virada no jogo. Mais feliz ainda de ver hoje e saber que todo meu stress e minhas atitudes pra reverter o quadro desde setembro do ano passado, (olha, 6 meses dessa novela!!!!) foram bem sucedidas, deram certo, era a coisa certa a se fazer. E que agora é juntar as energias pro novo emprego e a nova jornada em Zurique.
Ave Maria, essa vida é uma loucura mesmo... Uma loucura boa!