Fevereiro 2012 ~ Ela é americana... da América do Sul

Bärner Fasnacht 2012

Aqui na Suiça cada cantão tem suas datas e tradições pra tudo, embora haja similaridades entre elas. Claro, a Suiça é uma confederação e apesar de ser bem diferente a parte Alemã da Francesa e Italiana, o país é um só. Aqui na parte Alemã, que é onde vivo e o que eu mais conheço e convivo, o carnaval (Fasnacht) acontece em Fevereiro mas não exatamente na mesma época para todas as cidades. Nem toda cidade tem carnaval. Tem umas e outras que são mais famosas como Basel e Lucerna, e eu não sei como é determinada a data de carnaval de cada cidade.
Claro, não é como no Brasil uma semana de feriado em Recife, semanas e semanas pré de agitação em Salvador e o nobre carnaval carioca, mas até que o povo se esforça.
Este ano, depois da frente fria horrorosa que veio da Sibéria e deixou todo mundo triste de frio com temperaturas beirando os -20 graus, o inverno voltou a ser legal e semana passada fazia 8 graus e um solzinho tímido. Faz 1 semana que não uso cachecol, que coisa maravilhosa. Então este fim de semana que passou que era o carnaval aqui em Berna, a capital suiça, não foi tão horrível ir pra rua ver o carnaval porque o frio não tava tão intenso.
A folia começou na quinta-feira e foi até o sábado. E eu inocente em plena quinta-feira voltando da minha academia tive que descer em uma estação diferente do tram, andar pela cidade no meio da bagunça lá - quer dizer, "bagunça" ne... - e pegar outro tram pra casa. O centro da cidade estava parado, não passava carro nem ônibus, era só gente, bandinhas e fantasias. Um carnaval meio que de antigamente.
Na sexta, trabalhei em Berna e marquei com uma amiga de ir a cidade então ver o carnaval de perto, e aí sabe como é ne, brasileiro quando se junta e encontra outros amigos brasileiros que estavam realmente prontos pra farra, é só alegria.
O fon-fon da guggenmusik não é um eskidum eskidum mas a gente tem que dançar conforme a música ne. O que vale é a greia. No sábado ainda topei me juntar a tropa e me fantasiar de dama da corte ou sei lá o que, e entrar na brincadeira.
Tinha até nego fantasiado de Michel Telo dançando Ai Se Eu Te Pego sem parar. A coisa mais engraçada!!! Hahahahaha! O mais legal mesmo era ir dando de cara com uma fantasia mais legal e criativa que a outra, ver todo mundo se divertindo num clima espontaneo e bacana, e mesmo no alto da noite fazendo 0 graus, não tinha frio que desanimasse essa galera.
Foi muuuuito legal. Meu terceiro carnaval suiço e a cada ano é melhor que outro!

Bloqueio bloguístico etc e tal

Faz 3 semanas que não escrevo neste blog. Da última vez que passei tanto tempo sem escrever aqui, foi há 1 ano quando estava na transição de jobs e permissão de residência para continuar morando na Suiça. Um período mais tenso do que tudo quando tudo podia mudar de figura num piscar de olhos. Não tinha clima nem assunto para escrever aqui. Desta vez é diferente. 1 ano depois, este blog passa por quase mesma abstinência de outrora, mas os motivos são outros.

Nada a ver com permissão e jobs. Minha permissão foi renovada, vou completar um ano no emprego novo e tá tudo indo muito bem, obrigada. O blog ficou abandonado esse tempo por simples razões e nenhuma em específico.

A começar pelo trabalho que tem sido intenso graças a Deus. Depois os afazeres de depois do expediente, comecei a fazer academia há 1 mês e meio, saídas, ocupações, ou simplesmente uma tremedeira na mão direita que me enche o saco às vezes ou várias ideias do que escrever mas quando sento aqui nunca sei por onde começar. Assunto é o que não falta. Ainda quero terminar de escrever sobre Paris e Milão. Nem contei que o blog ficou em 15o. lugar na competição de blogs IX12 que tanto pedi o voto de voces, obrigada quem votou!!

E quero tambem continuar registrando pra mim mesma os marcos e o dia a dia aqui nessa Suiça, que continua sendo minha casa por mais um ano. Olho pra trás, vejo o quanto já aconteceu, o quanto já mudei e o quanto já vivi desde que cheguei aqui... minha nossa, afterall eu só posso concluir que sou muito abençoada mesmo, sabe, de poder realizar a fundo minhas escolhas e ter tanta coisa boa na minha vida. Tenho mais é que continuar escrevendo, registrando os momentos e compartilhando pra quem quiser saber.

Perdoe aí voce que vinha aqui atrás de atualizações e sempre dava de cara com o post de Paris. Pelo menos deixei voces com um belo post ne? :-) O Twitter, Facebook e o Instagram (user: lsos) continuam bem ativos, então segue lá. Por aqui vou voltando aos poucos, prometo.

Paris, cidade luz

Por mais vezes que eu já tenha ido a Paris (no total, 4), e por mais que eu já tenha visto a Torre Eiffel e me encantado com a atmosfera da cidade, posso dizer com segurança que a capital da França é uma das minhas cidades favoritas no mundo.
Por mais fotos que eu já tenha tirado nos principais pontos turísticos de lá, por mais que eu tenha amado visitar o Museu do Louvre, Notre Dame, ou qualquer coisa lá, tenho a impressão que nunca vou me cansar. É como se cada vez fosse diferente, cada monumento estivesse ali igual como antes, mas esperando a próxima visita.
Seja um fim de semana com amigos, seja a realização de um sonho antigo, um passeio com a família, eu não sei, parece que Paris sempre está pronta pra me (nos) receber tão bem. Visito as mesmas coisas e coisas diferentes no mesmo nível de encantamento, de empolgação, de felicidade. Não canso de andar ali. Como eu adoro essa cidade!
Paris é fotogênica até num dia nublado de inverno. E ainda assim, acho justo de chama-la cidade luz. Não 'apenas' pelos fatos da história e a era do Iluminismo e Belle Epoque, mas até hoje a cidade continua sendo a capital da arte e do lazer. A cidade não pára, mas não é um ritmo frenético de Nova York ou Londres por exemplo. A cultura dos famosos cafes parisienses estão aí até hoje pra provar isso. Tudo e qualquer coisa se acha em Paris. Tudo e qualquer coisa se faz em Paris. Como não querer voltar a Paris?
Já comentei algumas vezes aqui no blog sobre a questão de voltar ou não voltar aos lugares que já conheci mundo afora. Há lugares que voce visita uma vez e diz ok, está conhecido e marca uma gaivota verde na sua lista sem ter necessidade de voltar, e tem lugares que ficam on hold esperando a próxima visita. Sem querer desmerece-las, mas assim como Bruxelas, Belgrado e Helsinki por exemplo, eu não pretendo voltar lá se não tiver algo muito importante pra fazer. Já Paris, assim como Londres, NY mesmo com seu ritmo frenético, Berlin, Buenos Aires, Dublin, Roma, Madrid são cidades que eu faço toda questão de voltar. Não apenas pelos seus possíveis pontos e monumentos turísticos que eu ainda queira visitar e fotografar mais uma vez, mas pra viver a cidade.
Porque quanto mais voce visita e conhece a cidade, mais voce conhece e mais voce se sente a vontade, e mais familiarizado com caminhos e lugares voce fica, e quão mágico é andar e se sentir tão bem e quase em casa numa cidade feito Paris?
Não é a toa que é a cidade mais visitada do mundo e por onde se encontram tantos mas tantos brasileiros. Brasileiro sabe o que é bom ne. Uns dias em Paris é tudo que qualquer pessoa precisa. Aliás, só brasileiro não, pessoas de todas todas as partes do mundo. Paris é uma festa. Desta vez, andei por lugares novos que não tinha andando das outras vezes e quando voce pensa que não, Paris ainda te surpreende. Como não chama-la de cidade luz, deveria ser a questão.
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A gente não cresce. A gente aprende a se comportar em público.

Ouvi essa frase outro dia e fiquei pensando. Há vários anos atrás quando assisti "De Repente 30", imaginava meus 30 anos tão longe e sabia-se lá Deus o que eu estaria fazendo aos 30 anos. Hoje estou eu aqui no fim dos meus 20 e poucos anos, penso "o que mudei?".

Sabe aquela música do Lulu Santos Já é, quando a pessoa olha pra trás e se pergunta se é isso mesmo, se estamos vivendo o que almejamos e tal. Acho que tem muito a ver com a responsabilidade de cada um em sua vida fazer tal reflexão de vez em quando, claro sem excluir eventualidades que não podem ser previstas. Mas olho pra trás, e vejo o quanto mudei, embora de uma certa forma permaneça a mesma pessoa. Então o que é que mudou realmente?

Recife 2007
Há anos atrás eu andava cercada de amigos em Recife por todos os lados. Quando não tinha nada pra fazer aqui, arrumava algo pra fazer ali, e eu sempre me via muito a vontade. Íamos a praia, saíamos a noite, dormíamos na casa do outro, falávamos bobagens até o amanhecer. E até no trabalho me lembro de algumas coisas que hoje não sei se aconteceria.

Sei lá, trabalhei com vários tipos de pessoas, mas sempre encontrava minha turma e sempre fui muito espontânea e até impulsiva. Falei muita coisa que depois pensei e achei que teria sido melhor se tivesse ficado calada, ou tivesse agido assim e assado.

Hoje eu penso mais antes de falar. Meço minhas palavras, e sei mais ou menos como agir com cada tipo de pessoa. Sim, também tem muita coisa que guardo e depois penso que deveria ter dito. Será que é assim com todo mundo, ou eu que to ficando velha e retraída? Também não sei se teria subido na minha profissão e chegado aonde estou hoje se não tivesse guardado certas coisas pra mim e aprendido a me adaptar a algumas situações e pessoas. Sim claro, isso vem com a experiência. Estou lidando com um control freak no trabalho que quer um relatório diário tim tim por tim tim num projeto, e no outro projeto estou lidando com um gerente que não tá nem aí pros detalhes, só quer o trabalho feito. Ora, se eu agir e tratar os dois da mesma forma, eu é que me lasco.
Recife 2005

Com o tempo, a gente também aprende a se comportar melhor, se adaptar às pessoas com que lidamos, e sim isso exige muita maturidade, responsabilidade, e apesar de agir diferente com pessoas diferentes, se manter a mesma pessoa. Acima de tudo, um desafio. Afinal voce não vai ser uma santa no trabalho e uma louca desvairada na sexta a noite, ne. Ou melhor, até pode ser o meio termo entre as duas, contanto que faça seu trabalho direito e não deixe de ser quem voce é.

Aí, depois de tanto tempo agindo tão espontaneamente na minha zona de conforto lá em Recife, aqui na Suiça tive que aprender tanta coisa e a lidar com tanta gente, e comigo mesma, e com os amigos diferentes, as amizades tão diferentes e o dia a dia, que se não formos mesmo muito pé no chão e seguro de nós, perdemos o rumo e o controle das coisas.

Zurique 2011
Apesar de ter aprendido, amadurecido, vivido tanta coisa, no fundo, eu ainda adoro conversar bobagens com minhas amigas do Brasil na internet, adoro fazer palhaçadas, dançar, e tenho saudade do colo da minha mãe. Não cresci? Cresci sim, claro. Mas parece que isso nunca vai mudar. É claro que eu não vou ficar fazendo piada no trabalho com meus chefes, mas isso não significa que eu não adore mais fazer piadas. Há anos atrás, talvez eu fizesse uma ou outra e fizesse coisas que hoje não faço mais na frente de pessoas que não tenho muita intimidade. Eu cresci. Aprendi a me comportar em público, a controlar minhas emoções e impulsos.

O mesmo vale para amizades, vizinhos, namorados, relacionamentos em geral. A vida continua, o tempo passa, e os relacionamentos de antigamente parecem aumentar de valor, se sentir a vontade e não precisar se preocupar com suas ações quando pessoas estão por perto vale ouro, e voce se lembra de como era tão fácil antes. Talvez por isso dizem que a gente aprende com a idade. E talvez por isso seja tão importante e valiosos os momentos que passamos com quem a gente gosta, com quem tem afinidade.
Suiça 2012
Aqui na Suiça eu não tenho muitos amigos como no Brasil, primeiro porque somos muito diferentes e os interesses são diferentes, a cultura é diferente, e por mais tempo que a gente passe aqui, não é fácil. Acho que não é fácil até entre eles mesmos, mas aí já é outra história. Aqui quando se encontra gente com afinidade, pode escrever que vai ser difícil separar. Pode morar longe, pode chover e nevar.

No meu trabalho, damos um duro danado e a recompensa mais imediata é quando tem aquele apero na sexta-feira e todo mundo se sente a vontade suficiente pra ir se soltando, conversar um pouco algo que não seja de trabalho, e quando vejo, estamos lá no karaoke. É, eu nunca fiz amigos bebendo leite mesmo.

Fribourg 2012
Pode chamar o povo de frio, disso e daquilo outro, mas no fundo são pessoas que tiveram histórias diferentes das nossas. Cresceram nesse frio de -12 graus e não se mexem naturalmente ao ouvir um batuque. Mas no fundo têm as mesmas necessidades que todo mundo, sentem emoções e querem curtir a vida. Não virei defensora da raça não, to só relatando meu ponto de vista. Porque vi que com alguns dos amigos aqui, posso ser eu mesma o tempo inteiro, falo o que quiser (na medida do possível ne, não falamos Português), a gente ri, se diverte, e são momentos assim que a gente espairece e percebe que, mesmo em outro continente, embora tenha amadurecido bastante, aprendido muitas e muitas coisas, a gente não cresceu coisa nenhuma, só aprendeu a se comportar em público.

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Milão

A região da Lombardia, na Itália, faz fronteira com a Suiça e é uma região que vai dos alpes, vilas românticas ao longo do lago Maggiore até às ruas largas e badaladas de sua capital, Milão. Ir da Suiça para Milão de trem é muito rápido e muito fácil e nada mais era preciso para me convencer de que muito em breve eu teria que tirar proveito dessa vantagem.
Ora, eu amo a Itália. Admiro muito um dos (senão o) países com maior autenticidade cultural, histórica, gastronômica. Fui tantas vezes lá e nunca me canso. É um dos países que posso ir sempre e não enjoo. Seja pra ver coisas novas ou coisas repetidas, a Itália é sempre ótima. Foi também pensando assim que fui até a Itália na Páscoa do ano passado, e tipo, é tão pertinho que pensando bem eu nem preciso de ocasiões especiais pra ir até lá ne. Então, na visita da minha mãe em dezembro 2011/janeiro 2012, voltamos do friozão do ano novo de Oslo, e dia 2 de janeiro ainda é feriado aqui na Suiça, e pensamos 'se o tempo tiver bom, vamos aproveitar o dia pra fazer um bate e volta em Milão'.
Sinceridade? O tempo estava uma porcaria e nós fomos mesmo assim. Depois de chegar da Noruega turistando a -10 graus, não ia ser uma chuvinha em Milão que ia impedir alguma coisa. Minha mãe já conhece a Itália mas nunca tinha estado em Milão. Eu já conhecia desde 2005, quando passei 1 mês na Itália a trabalho. Então, 3 horas de trem e lá estávamos. Sabia que um dia seria muito pouco. Ainda mais chovendo. Mas ia dar pra conhecer a Duomo, a Galeria Vitorio Emanuele, as principais ruas de compras que são uma ótima pedida para um dia de chuva ficar entrando de loja em loja, então topamos e fomos.
Milão é principalmente o centro fashion da Itália, o centro cosmopolita e internacional. Mas também é um grande centro financeiro e de negócios. A cidade é muito atraente, muito movimentada, tem pouco mais de 1 milhão de habitantes, sendo a região metropolitana a maior e mais populosa da Itália, com 4 milhões de pessoas. Milão é considerada uma das capitais mundiais da moda, junto com Nova York, Paris e Londres, pois é aqui a sede de marcas conhecidas no mundo inteiro como Valentino, Gucci, Versace, Prada, Armani, Dolce & Gabbana.
A Galeria Vitorio Emanuele na Piazza Duomo é o shopping mais antigo do mundo. É também um ícone de Milão, faz praticamente parte do passeio turístico na cidade, e faz parte da vida longe do turismo também. Só aquela arcada toda ornamentada já vale a pena. A galeria existe desde 1877 e o nome é do primeiro rei da Itália, de 1861 a 1878, após a unificação do país. A galeria é muito charmosa com várias lojas chiques como Prada, Louis Vuitton e até uma Mc Donalds muito da chique, além dos cafes e restaurantes e o mais especial na minha opinião, o piso tão lindamente decorado em mosaico.
O teto desta galeria foi o primeiro na Itália a usar vidros e metais numa estrutura como esta. A noite, quando escurece e as luzes internas se acendem, é um espetáculo a parte, e de graça! Ainda mais na época de Natal. Sério, já fui a Milão várias vezes e sempre me admiro com essa galeria.
Mas o dia não colaborou nem um pouquinho com nossa programação. o dia era curto, mas eu queria ainda ir ao parque Sempione que jurava que era logo ali perto, rodamos tudo e eu não achei o bendito parque. E a chuva não parava um segundo e às vezes dava um vento horroroso que cortava tudo e desanimava de continuar andando nas ruas. Resultado? Fomos encontrar abrigo na Corso Vitorio Emanuele II, a rua que segue da galeria e tem váááááárias lojas legais, de todos os gostos, gêneros e preços, um paraíso praticamente.
Te juro, eles fazem de tudo pra sua vontade de consumir perder as estribeiras. Mas sério, nem que voce não esteja disposto a gastar tons and tons, vale a pena ir só pra olhar. Porque as lojas são as atrações da cidade também. As decorações, as vitrines, os arranjos, as combinações, os shoppings e galerias um dentro do outro, uma coisa de louco, mas fantástico ao mesmo tempo. A hora (e a chuva) passou que a gente nem percebeu. Ver de perto marcas que só vemos na Tv foi muito bacana, marcas que só artistas famosos vestem, ali na nossa frente, modelitos exclusivos com preços acima de 5 mil euros, só em tocar e sentir um pouquinho desse luxo, ali ao nosso alcance tão fácil e por todos os lados, só ali. Sem dúvida alguma, Milão é acima de tudo um ótimo lugar para se inspirar, modisticamente falando hehehe.

Mesmo com tanta coisa pra olhar, ainda conseguimos sentir fome no meio do dia, e o que eu mais gosto na Itália é essa coisa de qualquer esquina ter um restaurante "italiano" servir sempre uma comida deliciosa. Ou será que sou eu que gosto tanto de pasta? Bom, não sei. Ainda assim, todos os restaurantes que fui na Itália foram ótimos. Sei que comemos um maravilhoso capeleti no A Santa Lucia, no centro de Milão. Não quero nem imaginar como seria se eu morasse ali viu..

Mas o dia era curto, a hora de pegar o trem de volta se aproximava e a gente tinha que deixar esse mundo paralelo para trás e voltar pra estação Milano Centrale, de volta à realidade.
A cidade, apesar da chuva, estava ainda com clima de Natal, toda decorada e foi muito especial ver Milão assim. Dia muito bem aproveitado, compras feitas, ahh! Para um dia apenas, com chuva, no inverno, acho que aproveitamos muito bem.
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O que fazer em caso de acidente nuclear na Suiça?

Bom, antes que voce ache o assunto chato e nerd e que este blog perdeu o rumo, deixa eu explicar o contexto.

A Suiça é grande produtora de energia através de centrais nucleares, que usam materiais radioativos que através de uma reação nuclear produzem calor. As centrais nucleares usam este calor para gerar vapor, que é usado para girar turbinas e produzir energia elétrica.

Fonte: swissinfo
Bem, recursos em geral é meio complicado aqui na Suiça. O país é tão pequeno que apenas 4% da população trabalha com agricultura, por exemplo. Apenas 10% do seu território é bom para produção agrícola. Aqui, água é obtida das geleiras e fontes de ótima qualidade. 40% da eletricidade é obtidade de usinas nucleares e de grandes barragens localizadas nos alpes, enquanto que o restante é produzida em energias hidrelétricas, importada de outros países em grande época de consumo, como no inverno. No verão, a Suiça exporta energia, evitando desperdícios.

As centrais nucleares são normalmente construções muito complexas, com alto nível de segurança, isolamento e impermeabilidade. Reações nucleares são altamente perigosas e podem compromenter a saúde de nós, seres vivos. Aqui na Suiça, são 5 as centrais nucleares e são de um nível de segurança extremamente elevado e passa por um controle rígido do ENSI, o órgao federal suiço que fiscaliza a segurança nuclear. Mas não é de todo ruim. A grande vantagem é a não utilização de combustíveis fósseis, por exemplo, que são formados de composto de carbono, como carvão mineral, petróleo e gás natural. Vantagem porque a queima desses elementos causa impactos ambientais, forçam a mudança global do clima e são recursos naturais não renováveis.
Fonte: swissinfo
Em funcionamento normal, resíduos produzidos durante as atividades das centrais nucleares são retidos e cuidadosamente isolados, tratados na França e na Grã-Bretanha, embora não se possa excluir completamente o caso de uma pane dos dispositivos de segurança radioativa. Uma nuvem radioativa pode se formar e se movimentar com o vento. Aí nasce o problema.

Por esta razão, o assunto é muito polêmico por aqui, pois nem todo mundo tem noção do quão sérias são as consequências de um acidente assim, mesmo que as possibilidades de acontecer sejam pequenas, considerando o nível de segurança. Mas sendo possível, já preocupa, pois há casos no passado mundo afora que não são muito bonitos.

Muitos protestos contra projetos de novas usinas já aconteceram por parte de ecologistas e simpatizantes. Depois da explosão de uma usina nuclear no Japão por causa daquele terremoto no ano passado, a pressão aqui ficou ainda mais apertada e um grande projeto de uma nova usina foi suspenso pela ministra da Energia suiça e o país pretende abandonar essa produção até 2034. Claro, não é simples assim nem rápido. A desativação dessas centrais gera custos altos e as discussões continuam naõ só aqui mas em países que estão na mesma situação como Alemanha, França e Inglaterra, que são até menos flexíveis que os suiços. Entre os países vizinhos, apenas a Áustria abandonou a energia atômica desde 1978.

Nesse contexto, estou eu em casa me protegendo do frio do inverno, e fico sabendo que moro dentro de um raio de 20km de uma central nuclear, a de Mühleberg. Assim, pelo correio. Recebo um envelope da prefeitura com um monte de papeizinhos explicativos de o que fazer no caso de um acidente na usina aqui perto de casa?

Bem, Berna fica a 16km da usina nuclear de Mühleberg e a menos de 80 da de Gösgen, então há uma série de medidas e entendimentos necessários no caso de uma emergência dessa natureza. Em primeiro lugar, a população é alertada por uma sirene que toca no país inteiro e não só nas comunidades próximas às centrais nucleares. Aliás, há dias programados para 'ensaiar' essa sirene e a população 'lembrar' do procedimento. Ontem mesmo tivemos a sirene de treinamento e ela soa assim:

Uma coisa meio "O Dia Depois de Amanhã" praticamente. Quero ver se no dia que tocar sem ser um treinamento os suiços vão manter sua calma e diplomacia de sempre.

No meu caso e no caso dos meus vizinhos aqui, nós temos mais passos a seguir quando ouvirmos essa sirene, num dia que não for um treinamento (Deus queira que esse dia não chegue), porque moramos perto da bendita central nuclear.

Sirene soada, não só ficar em alerta máximo, mas desligar aquecedores, nada de usar fogão, fogo, telefone celular para evitar congestionamento de rede, manter os animais de estimação e crianças por perto, e ligar o rádio. Sim, ligar o rádio para ouvir maiores informações faz parte do procedimento. Os rádios estão instruídos a pararem tudo que estiverem fazendo para servir como principal meio de comunicação para com a população. Depois daí, pegar cobertores quentes, seu tablete de iodete de potássio e se dirigir ao porão do prédio ou ao abrigo mais próximo.

A questão dos tabletes de iodo de potássio é curiosa. Assim que voce se muda para Berna, chega na cidade e faz seu registro na cidade, recebe seu documento de identidade e junto, um monte de panfletos com instruções de como proceder com lixo, como fazer isso e aquilo, e junto vem uma caixinha de remédio, com potássio, que só deve ser usado nessa ocasião, sob comandos explícitos das autoridades no rádio ou na Tv. Acontece que o iodo de potássio protege a glândula tireoide do iodo da radioatividade, saturando o corpo com uma fonte estável de iodo antes da exposição à radiação, ajudando nosso organismo a se manter o mais saudável possível diante de potenciais reações internas. O iodo de potássio é aprovado pela Organização Mundial de Saúde e é normalmente usado para revelar fotografias e em tratamentos radioterápicos, embora a população suiça ainda se mantenha um tanto quanto cética em relação a esse procedimento específico.
As instruções são claras e parecem até simples. Vêm em Alemão e Francês. Recebemos também um mapa da zona da usina de Mühleberg, dois folhetos com check-list de passos a seguir e informações básicas de medidas de proteção em caso de acidente numa central nuclear e uma bolsinha de plástico com espaço para por essa papelada. Então vai o mapa, os tabletes e os folhetos na bolsinha e somos encorajados a deixa-la num lugar de fácil acesso dentro do apartamento. Caso aconteça o tal acidente, é pegar a bolsinha, ligar o rádio, pegar cobertores e se mandar pra um lugar protegido.

Todos os prédios na Suiça possuem porão, pelo menos um andar abaixo do nível do solo e alguns possuem uma espécie de "caverna" ainda mais embaixo para tais situações. Cada morador possui uma área, chamada de "keller" que normalmente é usada para guardar coisas que não são usadas com frequência no apartamento e não precisam ou não há espaço para serem guardadas dentro de casa, são postas lá, como equipamentos de esqui, malas, caixas, casinha de cachorro, no caso de Juca. Fica tudo lá embaixo no keller. A área passa por frequentes renovações, checagens e cuidados e é bom mesmo cuidar bem dessa área porque é individual e será bem necessária no caso de um acidente nuclear. Bem, estamos avisados.