terça-feira, 8 de novembro de 2011

Panela cheia, e sem batuque

Eu queria dar um outro título a esse post. Pensei em "Por que os suiços se matam", mas achei meio rude. Preferi fazer uma analogia ao "batucar na panela vazia" (e fazer carnaval) que é menos chocante. Mas o tema ainda é chocante. Antes de tudo, ainda não sei qual será o resultado final desse post, então se voce não curte o assunto que é pesado, voce tem livre arbitrio para escolher outro lugar pra ir que não esse blog.

Eu to na Suiça há 2 anos e meio e ainda não parei de aprender coisas nas experiências vividas por aqui. Fiquei muito impressionada com o suicídio do colega de trabalho no meu antigo emprego há 2 anos atrás, e desde aí, me liguei nessa coisa que não é nenhum tabu por aqui. Até novembro de 2009, eu nunca tinha conhecido ninguém que tinha se matado, nem nunca ouvido falar de ninguém conhecido, nunca. Aqui, desde que isso aconteceu, o assunto foi abordado várias vezes em diversas ocasiões e eu me impressionei ainda mais em como todo mundo aqui já passou por uma experiência assim. Que conhecia alguém que se matou, ou que quase se matou, ou que tem uma opinião formada e explicações quase científicas pra justificar tudo. Típico suiço.

Com suiço voce vai conseguir conversar quase sobre tudo. São sempre muito inteligentes, centrados, mas muito frios. Arrancar uma expressão, um ápice de emoção como um olho arregalado ou alguma tristeza nos olhos é quase missão impossível. Aqui eu conheci tanta gente tão diferente, que no inicio eu achava estranho, e hoje acho normal. São diferentes do que eu era acostumada a lidar. Voce pode ate estar lá conversando esse tema com um suiço, ele ta la contando a voce a opinião dele e tudo o mais, mas daqui a pouco o assunto vai acabar e ele vai lhe tratar como se voce fosse um desconhecido na parada de ônibus. No Brasil, todo mundo se fala, se toca, conversa, ri, convida pra fazer coisas. Aqui, são muito educados, sorriem, mas é uma coisa tão linear que as vezes parece que estão em alguma espécie de estado de transe.

Com o passar do tempo morando aqui, se voce só tiver contato com suiços, provavelmente voce vai sentir falta de alguma coisa, e provavelmente também não vai saber o que é. Falta de ir mais fundo em alguma coisa. Falta de conversar bobagem, ou conversar sério. Falta de estar sempre a vontade, porque com eles constantemente é tenso e vc nao sabe se tá agindo certo, se tá agradando, se deve ficar quieto ou soltar uma piada pra quebrar o gelo. É completamente normal almoçar 6 pessoas numa mesa e elas só se falarem pra perguntar se a comida tá boa. Com o tempo, voce vai entendendo do que sente falta, mas isso voce, se voce como eu cresceu num país tropical abençoado por Deus, onde as pessoas são calorosas. As pessoas que são daqui a medida que vão crescendo vão se tornando independentes. O país provê possibilidade de voce desde cedo com um empreguinho qualquer se sustentar, e aí as pessoas se mudam, moram só, e aí começa a crescer mais ainda o problema.

Quando voce é criança aqui, voce é uma criança como outra qualquer que quer brincar, mas quando voce vai crescendo e assimilando o tratamento dos seus pais e dos adultos ao seu redor, eventualmente voce também vai se tornar a não mais calorosa das pessoas. É da cultura daqui ser assim. Quando voce sai de casa e começa a viver sua própria vida - porque aqui todo mundo sai de casa cedo - aquela falta de um relacionamento - não de marido e mulher, qualquer relação - uma coisa mais profunda, uma amizade uma coisa assim, vai eventualmente chegar em voce, mesmo sem voce saber. Porque ninguém consegue viver o tempo inteiro assim. Vêem mil pessoas na rua e não se falam. São tão educados, mas só têm uns dois amigos de verdade. Começam a enxergar mais além da sua própria vida, identificam-se com uma coisa ou outra. E botam a culpa da sociedade, do sistema.

Porque aqui se voce entra num relacionamento - agora sim de namorados, por exemplo - o primeiro ponto a ser questionado é sua profissão, seu status, sua bagagem. Pessoas boas têm bons empregos, pessoas ruins têm empregos ruins. Foi mal aí a delicadeza, mas a realidade aqui é mais ou menos essa. Por mais que sejam educados com todo mundo, no fundo, julgam, tomam atitudes racistas, fazem o outro sofrer e acham que estão ajudando alguma coisa, quando no fundo estão fortificando ainda mais essa bolha fechada, inconsciente e errada que é esse isolamento.

Almejar uma boa carreira, um bom status, uma boa condição social na vida não é fazer mal a ninguém. O mal é usar isso pra determinar quem é bom e quem é ruim e sem perceber, ser uma pobre vítima e morrer só.

Na India, as pessoas lá vivem na merda, a grande maioria numa pobreza extrema, e pergunte se eles são sozinhos e tristes? São as pessoas mais felizes que eu já vi. Falam com facilidade, não engasgam, não são nem tão educados assim militariamente como os suiços, mas quem se importa se voce vai começar a comer sem desejar bom apetite, não é verdade? Pouco importa. Eles estão lá cheio de dificuldades pra pagar o aluguel da casa, mas a casa tá cheia de gente, eles terminam sendo obrigados a lidar com outras pessoas, e isso termina forçando a trabalhar suas habilidades sociais, e aí gera-se a convivência natural.

No Brasil é parecido. Sim, tem muita malandragem, corrupção no poder, fila de banco, serviço que não funciona, mas sempre tem alguém por perto disponível pra voce conversar. Numa fila de banco, é normal voce contar sua vida inteira pra um estranho, trocar telefone, sair pra tomar uma cerveja. Aqui? Vixe. Sei nem o que dizer. Bem, não tem fila de banco pra começar ne.

Então os suiços na sua perfeição do ambiente que vivem, nunca são abordados pelos problemas, pelas dificuldades de conseguir alguma coisa, de passar por um problema sério de dinheiro porque por mais lascado que voce seja, o governo sempre vai arrumar um jeito de te ajudar. E voce mesmo lascado aqui na Suiça, voce vive confortavelmente. Então, aonde terminam indo parar os problemas? Na questão dos relacionamentos, na socialização com outras pessoas além da educação formal e do coleguismo forçado, e aí meu amigo, é problema pra Freud.

A panela deles tá sempre cheia, o fondue tem um cheiro ótimo, mas cade a batucada? Cade a alegria, cade aquele humor espontâneo? No Brasil é todo mundo ferrado, não tem nem dinheiro pra pagar as contas direito, mas aquela saidinha no sábado a noite tá garantida. Na India é a mesma coisa. Já viu um país pra ter tantas tradições, tantos festivais e tantas comemorações?

Aí vá olhar pro índice de suicídio no mundo. A Suiça é linda, as pessoas são contentes de serem suiças, mas o país está em oitavo no ranking liderado pela Coreia do Sul, onde as crianças se viciam em estudar. Brasil e India não aparecem entre os 34 primeiros. Minha gente, OITAVO! É muito. E se voce olhar os outros países na lista - Finlândia, Japão, Estônia - todos altamente desenvolvidos, e o povo não é feliz.

Eu em 2 anos e meio morando na Suiça tenho quantos amigos suiços? ... O povo não se abre, não conversa, não dá continuidade, prefere seguir regras e mais regras porque só conhece isso. E se for preciso na sua opinião, criticar quem não se adequa a elas. No Brasil voce conhece alguém, já troca telefone, marca de sair, toma uma cerveja juntos e vira melhores amigos da noite pro dia. Pode até nem manter tanto contato assim depois com a pessoa, mas aqui isso nunca ia acontecer. Aqui pra voce marcar alguma coisa com um suiço primeiro tem que ser com semanas de antecedência, e voce não pode se atrasar, claro. E voce não vai marcar de tomar uma cerveja e contar sua vida inteira, voce marca um café e fala dos seus projetos, do filme que assistiu, da diferença entre fondue e raclette. Francamente. É preciso MUITA sanidade pra não pirar nesse lugar com essas regras e essas condutas porque olha, eu já não fico tããão impressionada com a história do suicidio.

Mas também... eu tinha uma teoria antes que era assim -- aqui as pessoas são assim por causa do frio. Tanto tempo de inverno, frio e escuridão faz a pessoa ficar mais em casa, mais só e isolada. No Brasil (ou na India) país tropical, maior calor, todo mundo sai, vai pra praia e não tem como ficar chateado com o mar ne. E ai fica todo mundo feliz, mesmo de panela vazia.

Só posso imaginar como deve ser difícil pra alguém que nasça aqui crescer assim e ser são. Já vi dezenas de pessoas na rua falando sozinhas, com tiques nervoso, e hoje já nem me admiro mais. Totalmente compreensível. Eu se tivesse crescido aqui ave maria não sei não. Quando se vem pra cá adulta já e entendida das coisas leva-se um tempo pra entender também. No começo tem aquele choque, depois a longa fase de entendimento vai seguir até voce se dar conta de como as coisas funcionam no primeiro mundo. Depois de entender, ou voce se adapta, ou voce se adapta parcialmente e aguenta as consequencias. Se voce não se adaptar, voce não sobrevive. De qualquer forma, vai sofrer impacto e vai precisar de algum amortecimento pras quedas, uma válvula de escape também ajuda bastante. Ou várias delas, depende do choque.

Desde que troquei de emprego e não trabalho mais num ambiente multicultural, mas sim num ambiente dominado por suiços e alemães, estou lidando mais com eles e entendendo cada dia um pouco mais dessa cabecinha complicada. Claro, todo santo dia, horas e horas de convivência, eu tinha que tirar alguma lição. Num ambiente multicultural, existe espaço pras diferenças e existe mais tolerância também pra essas diferenças. Agora não tem mais essa boquinha não. É adapte-se ou morra. Hoje vi um cara saindo de ambulância no trabalho, e isso me motivou a escrever.

Seja como for, eu tenho pra mim que tudo é uma fase e nada é tão ruim que não possa piorar. Não sou uma pessoa pessimista, só preciso dar umas chacoalhadas de vez em quando pra não pirar também.

39 comentários:

disse...

Que texto ótimo Liana! Deu pra entender um pouco o funcionamento destas caixolas (muitas devem estar cheinhas de caraminhola). Pode parecer meio romantico demais, mas o amor do cuidado, do contato físico, do sorriso aberto, franco, da felicidade em estar junto, é ele que nos salva das desgraças do mundo.

Bjs

Milena F. disse...

Esse é um assunto que realmente me intriga muito!
Tb acho que o frio (ou melhor, a falta de luminosidade) influencia muito as nossas emoções, mas eu sempre pensei também que quanto mais se tem, mais se quer e menos se está satisfeito. Nesse sentido o brasileiro ou o indiano pobre, mesmo com dificuldades, é feliz. Mas em uma sociedade que funciona de outra forma, com outros parâmetros de riqueza, Freud já falava do mecanismo do desejo, que consiste em sempre querer mais. E quando não se deseja mais nada, aí é o vazio e a morte.*
Outro aspecto que considero é a espiritualidade que existe na India e em outros países asiáticos. Não sou praticante de nenhuma religião, mas acredito que é necessário acreditar em alguma coisa, até mesmo para o equilíbrio psiquico. E o que tenho percebido é que em muitos países europeus néao se acredita mais em nada... E se não acreditamos em nada, diante dos problemas, se não encontramos uma soculção racional, nada vai impedir o suicídio, já que não se acredita em uma outra vida, ou na punição divina, ou na vida como um privilégio. Para essas pessoas, morre-se, e tudo acabou, não existe mais nada, é o fim.

Liana disse...

E eu nem queria falar sobre religião pra não deixar o post tãããão pesado. mas eu tb percebo isso. No Brasil apesar de mta gente dizer que não é praticante, as pessoas usam Deus nas expressões "Meu Deus!", têem fé. Na India então nem se fala. E aqui não. são totalmente descrentes e sem fé nenhuma.

Debora disse...

Eu acho que esse comportamento fechado, frio, fragmentado tambem esta relacionado com o aspecto de comunidade! Porque tanto no Brasil quanto aqui em Israel rola esse lance de se aproximar de alguem -seja para ajuda, palpite ou fofoca ;-)! No ano passado me peguei pensando nisso varias vezes: ha tantos povos que se caracterizam etnicamente baseados na lingua/religiao ou nacionalidade, nos brasileiros nos definimos baseados em que? Acho que nesse sentimento mutuo de brasilidade =) bjs

Cris Mereu disse...

Liana, nao pira! Tenta se manter firme! Eu nunca tinha parado para pensar nas minhas amizades aqui na Italia, até que chegou uma mexicana no trabalho e me contou que aqui na Italia é cheia de amigos brasileiros. Acabou me confessando que nos quase 3 anos por aqui, nao conseguiu fazer amigos - que nao sejam de paises mais tropicais, como vc falou - So ai me dei conta que comigo é igual.
Se eu quisesse ter filhos, jamais iria querer que eles crescessem em um pais assim. Adoro a capacidade que brasileiro tem de se virar com alegria, festa e muitos sorrisos mesmo com todas as dificuldades que temos.
Beijos

Anônimo disse...

É o duelo histórico do TER versus O SER.
Enquanto identificarmos o quão sucedido as pessoas são por suas posses, relegamos uma felicidade mais íntima que pode estar associada simplesmente ao querer fazer de si um projeto novo de ser humano, de pessoa, dissociando o quem sou do[x]que tenho.
Evidentemenete, o suicídio é um problema de nuances e complexidade tremenda. Mas é impossível negar que quanto mais as pessoas se exigem em termos de encaixe em perfis sociais preformatados com mais pesar carregam suas vidas.
Parabéns pelo post, Liana!
Tira um pouco do deslumbre romantizado da Suíça, sem desmerecê-la.
Apenas lembrando que alto grau de civilidade não é incongruente com alto grau de frustração.
abração, Germana

Liana disse...

serio Cris? E eu achava que na Italia já era muito melhor que aqui!

Dedé disse...

Liana, que texto lindo! Eu moro na Inglaterra ha 1 ano e meio e todas as minhas amigas sao brasileiras. Amigas com A maiusculo, porque colegas, eh facil de achar. Mas acho que aqui a situacao nao eh tao grave. Pelo menos em Londres (onde eu moro), parece que as pessoas sao mais abertas.
Fiquei com vontade de te conhecer "ao vivo" :)
Beijos

Sandra disse...

Oi Liana! Realmente, moro na Suíça tb e sinto isso! O contato é muito superficial e isso as vezes me pertuba. Ainda não trabalho, mas percebo no dia a dia com o meu marido, com a minha cunhada, com os outros, como são as relações. Colega de trabalho é colega de TRABALHO mesmo, para a amizade evoluir para fora do trabalho demora, mas quando acontece pode ser para sempre. Os amigos que fiz até hoje por aqui ou são brasileiros (3) ou os estrangeiros que conheci no curso de alemão. Mas vim pra cá com a mente aberta, bem como vc. relatou é "adapte-se ou morra", rs... Ainda tem muita gente legal por ai, pode acreditar!! Um abraço.

Liana disse...

exato. uma amiga (suiça) do meu ex trabalho, por mais suiça que ela seja e por mais superficial que tenha sido nosso contato no trabalho antes, consegui evoluir a amizade pra alem do trabalho. a gente conversa, sai, e tal, mas ainda assim eh bem diferente viu. eles sao tao sem jeito pras coisas e nao sabem ser diferentes. eh a impressao que eu tenho. crescem tao fechados e mesmo quando querem se abrir tem dificuldades. eh, nao ta facil pra ninguem.

Priscila Gemballa disse...

Adorei o texto!! Aqui na Irlanda e mais ou menos assim. Meu namorado acha um absurdo como nos brasileiros falamos de qualquer coisas sem nenhum problme, e ficamos amigos mega rapidos. Acho que o suicidio nao e tao grande aqui, por causa da bebida. Seria a valvula de escape deles e o momento em que eles podem conversar e se abrir...

Liana disse...

nossa, na Irlanda eh mto mais aberto que aqui. Definitivamente a cultura da guinness ai ajuda muito o povo a se soltar.

cindereladepantufas disse...

Texto muito bom Liana!!!

Vou traduzir pra Maridão. Estamos numa fase difícil em razao deste distanciamento alemão/suiço.

Um dos teus melhoes textos!

bjobjo

Liana disse...

obrigada :)

Karine smith disse...

Eu acho pior quando começa a se conviver com um povo assim depois de adulta, afinal, quem nasceu não conhece diferente, né?

Ia enlouquecer se fosse vc...

beijo

Stephanie disse...

Aqui na Dinamarcas as pessoas são extremamente educadas (em sua maioria) e solícitas quando você precisa de alguma ajuda (carona, informacao, etc). Nos pubs, clubs, restaurantes, sempre acabamos conhecendo gente nova. O problema, na minha opinião é sair desse "conhecer" para o "virar amigo". Mais ou menos como é aí na Suíca. As pessoas têm seu "grupinho" de 2-3 melhores amigos e meio que estão satisfeitas com isso.

Anônimo disse...

Caramba,Liana!
Você tocou na "ferida européia avançada" o tipo de relacionamento que se espera de países evoluídos: Uma natureza fria e superficial. Alto índice de suicídio por não suportarem tamanho isolamento e frieza que eles são doutrinados a conviverem.
Conheci algumas brasileiras que moraram aí e constituíram família aí há mais de 20 anos atrás e já diziam a mesma coisa: O Povo é muito educado, frio e superficial.
E ainda tem o perigo e o medo de se relacionarem com os súíços, pois para isso é necessário conhecer bem seus amigos, familiares e mesmo assim não vai se ter segurança de com quem está se relacionando, se a pessoa é ou não equilibrada, uma vez que não expressar o que se é e o que se sente, é tido como comportamento normal e aceitável por aí, o que facilita bastante pra que tem caráter ruim, não é mesmo?

Além do suicídio existem os assassinatos às brasileiras e nem todas eram as que faziam "programas" e mesmo que fossem nada justificaria tamanha barbárie. Além disso, existem as que estudam e trabalham e levam uma vida normal como vc leva aí. Portanto, além de vc constatar essa dura realidade também leve em consideração o fator se relacionar por aí que também é bem complicado, mas isso também rola nos Estados Unidos, porque também tem bastante homem por lá que faz perseguição, desliga luz da casa, bate ou ameaça bater e isso é muito sério porque a pessoa está sozinha no país e não tem de verdade com quem contar.

Pra vc eu desejo sempre muita saúde física e emocional pra que vc possa continuar vivendo uma vida com ótima qualidade por aí.
E que vc use mesmo esse blog não só pra compartilhar sua aventiras diárias, que são na maioria uma delícia, mas como também pra manter uma válvula de escape e manter sua excelente serenidade e equilíbrio.
Força e sorte por aí sempre!
Sua faceamiga Renata :)

Liana disse...

Ótimo comentário, Renata. Saúde emocional é bem por aí mesmo.

Mirelle Siqueira disse...

menina, tô até achando os franceses simpaticos depois desse post. hahaha, não pira hein! tem que achar a medida certa entre o ceder e o não ceder, sabe? foi o que eu fiz aqui pra não pirar. tem que deixar um pouco de lado o jeito brasileiro de ser e deixar a onda te levar, ficar meio como eles, mas so pra não pirar mesmo.ao mesmo tempo tb tem que se manter brasileira, com as coisas boas que vc tem que vieram de la, com caracteristicas suas que eles nao têm, pra vc nao virar um deles de vez. entende? eh dificil mesmo, mas é o jogo que eu jogo aqui na França.

Sobre o frio, não concordo com essa teoria não! No sul do Brasil faz mais frio que na Europa e, td bem que o povo do sul não é tão simpatico quanto do norte e nordeste do brasil, mas eles não são como os europeus tb não! então, sei la.. acho que tem meio a ver com o que a milena falou la em cima, sobre ja ter tudo o que quer mesmo.

força ai, menina!

Liana disse...

Os franceses, italianos e espanhois são mil vezes mais "quentes" que os suiços. Ta no sangue latino. Mesmo os franceses serem os mais distantes dessa linhagem, ainda eh bem verdade. Aqui o bicho pega.

ah sim, tem coisas da brasilianidade (existe essa palavra?) que eu odeio, mas outras que eu não troco por nada. então filtrando aqui no meu perfil tá me ajudando a não pirar sim. Tem que ter mta força mesmo.

gabrielstein disse...

Oi....

De certa forma eu concordo e de outra forma nao. Primeiro me desculpe, mas vou ser chato agora: a Suica pra mim é linda, mas a falar pelo transito e pelas rodovias... totalmente boring. Os suicos sao como os alemaes, mas estao no mais alto índice de perfeccionismo e paranóia.

Os austríacos sao tb um pouco frios, mas comparando com os alemaes, sao muito bacanas e bem mais abertos que alemaes e suicos. Aqui na Alemanha tenho alguns amigos austríacos e poucos alemaes.

O meu medo de conviver só com brasileiros é fazer um gueto. Depois de alguns anos voce ve que o seu alemao tá zoado, voce nao se integrou com ninguém, e se desejava aprender um ótimo alemao, foi pro saco esse tempo. Tem que tomar cuidado com isso.

A minha dica é que tu procure um grupo de interesses comuns... talvez aconteca uma integracao melhor... digo grupos de corrida, montanhismo, enfim... as pessoas costumam a ser mais tranquilas fazendo algum hobby ou algo que gostam.

Eu tenho um grupo assim aqui, a maioria é alemaes, mas tem gente de tudo que é parte do mundo, e todo mundo se dá relativamente bem, cozinha junto, faz festa junto... é tudo questao de ter cabeca aberta, espinha ereta e coracao tranquilo.... :)

abraco!(ainda nao arranjei tempo pra configurar o teclado, sorry)

Juliane C. Borsa disse...

Oi Liana
Achei seu post muito legal. E acho que seu argumento faz muito sentido! Morei um tempo em Bologna, na Itália, e senti muita dificuldade de me relacionar com o pessoal de lá. Eles se abrem pouco. Num primeiro momento de uma conversa até são simpáticos, conversam... mas espere sentada se vc deseja um convite para um programa mais 'íntimo' como jantar ou mesmo ir até a casa de um deles. Logo que cheguei lá, gostava de perguntar sobre a família, sobre os gostos, sobre suas opiniões a respeito do mundo, da vida... E do mesmo modo, gostava de contar sobre minha vida no Brasil, sobre minha flia, sobre meus interesses, etc. Coisas de psicóloga, que se interessa por pessoas e que quer treinar o idioma. Percebia que muitas vezes as conversas se transformavam num desconfortável monólogo. Até que um dia uma colega italiana revelou que os italianos em geral não gostam de falar sobre suas particularidades e tampouco se interessam pelas particularidades dos outros. Preferem uma conversa mais superficial, sobre o dia, o clima ou o trabalho cotidiano. Talvez isso explique um estranho hábito dos bologneses: Eles costumam fazer o famoso 'giro' pelos bares (como em outros países tb). Entram em um bar, tomam um drink, depois saem para outro e mais outro, e assim por diante. O que no começo vi como algo estranho, passou a fazer sentido logo depois. Afinal, quando se anda de bar em bar e se fica tão pouco tempo em cada um deles, as conversas tornam-se efêmeras e superficiais. Quando está na hora de entrar um pouco mais na intimidade, corre-se para outro bar e começa tudo de novo.
Quando estava lá, senti muita saudade dos meus amigos, do zelador, do feirante, do dono da sapataria, da vizinha, do caixa do supermercado... e de todas as pessoas que tem um sorriso fácil no rosto e uma boa vontade para ser empático com o outro (não importa quem seja o outro). No sul da Itália a experiência foi um pouco melhor... e claro que em todos os lugares encontrei maravilhosas exceções... mas que infelizmente não foram a maioria.

Um abraço, @Juliborsa
http://www.mochiladajuli.blogspot.com/

Ana Luiza disse...

Verdade Liana. Somos muito diferentes dos suíços. Às vezes eu penso: pq a qualidade de vida não pode estar junto com a alegria brasileira, né? Mas como vc mesmo falou, a gente acaba acostumando com o temperamento deles, apesar de não concordar e não nos tornarmos iguais. Força aí, não pire!!! E parabéns pelo texto.

Monica Lima disse...

Ótimo post! Só quem viveu a realidade de um país europeu sabe como é difícil esse lance dos relacionamentos.
Eu sentia muito essa frieza, seja na Espanha, na Inglaterra ou na Escócia, 3 países onde morei e convivi de perto com pessoas dessas nacionalidades. Realmente essa facilidade para fazer amizades, conhecer pessoas e conversar com quem quer que seja é muito nosso, muito brasileiro. Confesso que ainda me impressiono (quase 2 anos que voltei) com a facilidade com que as pessoas se comunicam por aqui. E isso que moro no sul do Brasil onde, segundo um comentário, "não somos tão simpáticos".
Me lembro que gostava da individualidade na vida na Europa, no sentido de que ninguém se mete na sua vida. Fofoca é algo que eu abomino e sempre achei um nojo essa mania de brasileiro de se meter na sua vida. Mas felizmente nem todo mundo é assim, e acabei descobrindo depois que voltei o quanto sentia falta da brasilidade, desse calor humano.
Claro que nem tudo é perfeito e acho que poderíamos aprender um pouco mais sobre como sermos educados uns com os outros assim como os suiços, mas solidão realmente é um sentimento que só senti na Europa, nunca aqui. Tenho saudade de muita coisa da vida aí, mas essa parte dos relacionamentos realmente é a que menos sinto falta! Hehehehe!
Beijos! Força aí! :)

Márcia Cobar disse...

Oi Liana, seu post toca numa veia comum de muitos países europeus. E talvez extrapole para outras nações deste globo.
A frieza dos relacionamentos é oriunda da criação, da independência por vezes precoce, da temperatura e também pela falta do divino no inconsciente deles. Não encontrei uma só pessoa na Alemanha que tenha fé, muito embora a saudação da região onde moro seja "Grüss Gott". Não sou das mais religiosas, mas sinto uma falta tremenda da fé que nos move e nos toca tanto no Brasil.
Abs
Márcia

Beth Blue disse...

Oi Liana...então você está descobrindo o que eu já sabia há muito tempo! O fato de ter dinheiro não significa felicidade garantida...eu já conhecia estas estatísticas e tinha notado que quanto mais rico e desenvolvido o país, maior o índice de suicídio (inclua Japão e Suécia na sua lista).

E os holandeses não são diferentes dos suíços e alemães...também muito fechados e difícil de se abrir. Em 17 anos de Holanda, praticamente não tenho amigos holandeses (fora o namorado). Bem verdade que desses 17 anos trabalhei em casa como freelance, então nunca tive colegas. Agora sim, com o novo trabalho e durante o estágio que fiz (9 meses ano em 2009-2010).

E felizmente, num ambiente multicultural. Pra mim só funcionada assim!

Liana disse...

é isso mesmo, Márcia. falou e disse. gruss gott é uma das maiores hipocrisias que se ve no dia a dia e ninguem tá nem aí. acho que nem se tocam.

Liana disse...

mas beth, é como falaram lá em cima, ficar no meio multicultural rouba um pouco um do propósitos de ter vindo pra esse lado do mundo (pelo menos pra mim) que foi aprender o Alemão, se integrar - o máximo possível ne, vamos dizer.. eu ja tive experiencia de trabalhar quase 2 anos em ambiente multicultural e posso dizer que prefiro agora que estou no meio de alemaes e suiços. claro, la tb tinha vantagens, mas de novo, pelo propósito que eu vim pra cá, pra mim é melhor assim. eu já sabia que não ia ser um mar de rosas, mas eu estou conseguindo o que eu queria que é a boa experiência no trabalho, o idioma, me integrar. não é aquela integração profunda ne, mas ta valendo.

Anônimo disse...

Liana,
Já reparou que dos paises cujos cidadãos você citou como "quentes" são os que mais estão tendo problemas com a crise econômica?
Portugueses -> Espanhois -> Italianos -> Franceses

Alguma correlação?

att,
Mateus

Adryan Gerrits disse...

Oi Liana! Acompanho o blog há aproximadamente um ano, mas é a primeira vez que comento aqui, mesmo achando seus posts fascinantes. Sou quieto mesmo. Na verdade, comentei uma vez mas logo após mudaste o sistema de comentários e ele foi apagado, então nem sei se chegaste a ler.
Achei interessantissimo o texto e ontem mesmo comentei sobre algo similar em minha aula e Conflitos Sociais Contemporâneos. Sou concluinte do curso de Relações Internacionais, by the way. Comentei especificamente sobre essa teoria dos climas, que por sinal Montesquieu promove. Dá uma procurada a respeito, se tiveres interesse, pois faz todo o sentido com o que escreveste! :)

Liana disse...

aula de conflitos sociais contemporâneos? mas essa disciplina é um prato cheio! que maravilha :)

Wilma disse...

Liana, o post rendeu e deu o que pensar. A conclusão que chego é que nada é perfeito mesmo!! Estou aqui a pensar que depois de adultos entrar num grupo fazer amigos não é tão fácil, até no Rio de Janeiro, em um outro país é muito mais difícil, nem precisa ser na Suiça. Tudo bem q aqui logo se encontra alguém pra bater papo, ir a praia...e só, tanto q dizem os paulistas q convidamos o novo amigo pra aparecer mas não damos o endereço,rsrsr Quanto aos suicídios não acredito muito nessa teoria de clima, porque aqui no Rio, é proibido divulgar suicídios, e desde adolescente que soube de muitas pessoas que cometeram suicídios, o índice é altíssimo, temos até um telefone que atende as pessoas que estão a beira de tal ato, o CVV, centro de valorização da vida, nessa época de Natal então, acontecem muitos casos.
Sempre q posso venho ao blog.

Mia disse...

Oi Liana!
Realmente o post rendeu bastante e faz sentido. Eu como portuguesa já sinto essa diferença, imagino para um brasileiro, que é bem mais alegre e divertido,
No entanto, eu que vivo na parte francesa, sinto menos isso. Dizem que em Valais as pessoas têm 'fama' de serem bastante simpáticas e afáveis. Nas minhas visitas à parte alemã, apesar de serem só visitas, vejo que o clima é muito mais pesado e sério.

O importante é separar muito bem as duas faces da moeda, e o segredo é tirar o bom que a Suíça tem para dar. Já deu para ver que és uma pessoa bastante metódica, que sabe separar o bom do ruim e tirar proveito disso.

Ah mas de qualquer modo, tenho tido dificuldades em ter amigos suíços, são cordiais e tal, mas é difícil ter uma amizade com eles. Por isso também já entrei no sistema.

Beijos, bom fim de semana!

Wilma disse...

Oi Liana, acabei de ler uma matéria no jornal de hoje e logo lembrei de você,kkkk diz:"Sem Crise, Alemanha vira o país do Eu sozinho:alto poder aquisitivo, individualismo, dificuldade em achar parceiros, 40% das casas já são ocupadas por apenas uma pessoa...as pessoas têm cada vez menos como meta objetivos tradicionais como casar e ter filhos...o maior obstáculo à formação de famílias é o excesso de valorização que se dá hoje à autorrealização..." (O Globo,13/11-O Mundo) E finaliza dizendo que em cidades como Berlin e Munique, 50% dos matrimônios acabam em separação. A conclusão que chego é que não fomos feitos para o casamento, para escolher alguém pra viver toda uma vida, ou então, o casamento só virá depois dos 70 anos e durar pra sempre, mas como a procriação tem limites, casa-se várias vezes, rsrs mas os alemães acima dos 60 anos também vivem cada vez mais sós, muitos vindos de dois ou três casamentos findados, cabe acrescentar. É a realidade dos tempos modernos e não é exclusividade da Alemanha, podes crer.

Liana disse...

ta vendo só?! mto bom comentário, Wilma.

S. W disse...

Liana, é o mesmo que eu sinto quando leio aquelas pesquisas de felicidade. Outro dia postaram um link em uma comunidade de brasileiros na Holanda, onde a Holanda está em terceiro como país mais feliz. Os brasileiros que concordaram que são muito felizes por aqui citaram como felicidade: a casa com um grande jardim, a segurança, o salário, o padrão de vida. Os que citaram que não sao felizes argumentaram que sentem falta da familia, dos amigos, dos dias de sol, da comida, da espontaneade. É engraçado que muita gente relaciona padrão de vida com felicidade. Lógico que eu acredito que nào dá pra ser muito feliz com a barriga roncando, ou vivendo em uma pobreza extrema, mas até quando "ter" traz alegria de viver ou satisfação? Eu vivo em um eterno dilema, gostar de morar por aqui confesso que não gosta, mas as circunstancias não me permitem que eu volte agora, só tenho medo de ficar meio amarga, ou pirar antes do tempo rs

beijão

Liana disse...

exatamente. esse equilibrio é a pergunta de 1 milhão de dolares. a amargura e a piração talvez não tenham preços.

Anônimo disse...

Liana! Acabei de chegar da Europa. Fiquei uns dias em Paris e fui pra Suiça, pra casa de uma amiga minha brasileira.Fiquei 4 semanas e realmente pude perceber a diferença.Também acho que não é frio, é a falta de calor humano, essa espontaneidade, que nós temos! E esse negócio do Café, é a pura verdade! Fui convidada para tomar um Café? Não entendi, foi nada! Eu falava, não agente pode sair e ir no Palavrion, por exemplo... E não, só servia se fosse um café! Estranho, mas é a diferença cultural! Um abraço, Lia!

gabrielstein disse...

Uma última coisa: Vou dizer que felicidade é relativa. Eu prefiro viver na Alemanha com dinheiro apenas suficiente pra comprar comida e aluguel, do que o estado de paranóia que vivia no Brasil. Trabalhar com IT, e usar um notebook, que é um instrumento de trabalho, nao um luxo, é quase um esporte radical no Brasil.

A minha liberdade que eu tenho aqui, de ir e vir, nao tem preco algum.

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